Visto minhas cicatrizes.


Dizem que a saudade passa. Dizem que a dor passa. Dizem que a mágoa passa. E eu me pergunto: como ficarei depois que tudo passar?

Os dias têm sido longos, frios e extremamente nostálgicos. Em certos momentos imagino você comigo, sua reação, o que cê falaria, como reagiria, e como me ampararia perante esses dias nublados que vem me atormentando. Parece que cê não existe mais. E eu fiquei aqui. Com esse peso, esse nó na garganta sendo obrigada a conviver com a tua ausência.

Cê quis assim. E talvez isso que dói mais. Cê teve escolha, cê teve a chance de decidir o que seu coração estava dizendo. Eu não. Fui obrigada a aceitar e só. Seguir com minhas dores até sarar. Na marra.

Não desmereço tudo cê fez por mim. Mas teria sido tão menos doloroso se tivesse acabado de um jeito bonito sabe?! Tudo teria mais sentido, mais cor, mais vida. Afinal agora pra mim o que mais pesa são as lágrimas que venho chorado todos os dias e não o bem todo que cê me fez um dia.

Do amor da minha vida você escolheu ser despedida. E eu fiquei aqui. Com as fotos, os presentes, as lembranças e os planos. A maior dor é de quem fica. E esse silêncio é uma mensagem escancarada de que fui só mais uma na sua vida. E é tão difícil se sentir esquecida sabia? Nossa, o coração parece que vai sair pela boca, dá vontade de gritar, fugir pra outro lugar. Pra esquecer que fui passageira e substituída.

É que eu achei que a gente era de verdade. É que eu achei que todas as minhas inconstâncias completavam esse seu jeito calmo. É que eu achei que você se importava mais com a nossa sintonia de almas do que com olhares de pessoas rasas. É que eu achei que você seria meu companheiro até depois do fim e que não me evitaria nem um dia se quer. É que eu achei confiança e liberdade fosse algo precioso pra você. Eu achei que você era o cara.

Talvez mais difícil do que aceitar o fim de tudo, seja aceitar que não te admiro mais, não te reconheço mais, não posso mais te defender, afinal eu sempre bati no peito pra falar bem de você. Cê virou as costas pra mim de um jeito que não tem mais volta.

E eu visto minhas cicatrizes. Pra todos verem. Jamais faria diferente. Sempre fui sincera com meus sentimentos e não seria agora que eu fingiria. Assumo que fui boba me iludi. E me fecho na bolha mais grossa que possa existir. Daqui pra frente será eu e mais ninguém. O amor é bonito sim, mas confesso que não quero tentar. Nunca mais.

About Vitória Garré

Libriana no extremo da palavra. É completamente viciada em doce e chimarrão. Encontrou na escrita uma forma de se libertar, e acredita tanto nos seus sonhos, que escreveu na pele que eles nunca morrem, só pra ela sempre lembrar.

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