Teoria Instagrânica

O que leva uma pessoa a curtir fotos de um desconhecido ou de alguém que sabe quem é, mas não fala? Desejo e sedução! Isso não é óbvio? A teoria do Instagram é a forma mais moderna de paquera virtual, deixando para trás o desesperado Tinder e o breguíssimo Facebook (pelo amor de Deus, alguém que cutuca merece respeito?). É como um jeito mais requintado de ser visto pelo outro. Funciona em “níveis de interesse” que ficam bem claros mesmo por quem não tem vasto conhecimentos em artimanhas de conquista, avaliados de acordo com a quantidade de curtidas e em que tempo ocorreram.

Por exemplo, se você recebe uma curtida em uma foto recente, provavelmente, é alguém apenas te visitando a primeira vez, o que seria o equivalente a um “SoH PaXaNdO PrA DeiXaR uM BjiM” – eu sei que você lembra dessa fase. Ou pode ser alguém te retribuindo a visita, o que quer dizer “Tô ligado de ti.” Se recebe duas curtidas da mesma pessoa, sendo uma em uma foto recente e outra em uma foto antiga é alguém que estava “a passeio” no seu Insta, dando um rolé esperto pelas redondezas. Se você recebe três curtidas da mesma pessoa, o negócio começa a ficar bom. Três não é apenas um “oi”, é como um “Quer tc? Nomidade?” nos tempos do saudoso mIRC, o que para mim e meus conterrâneos dessa época de desordem e descobrimento das virtudes da internet, é um interesse nítido em se aproximar. É praticamente meu dever cívico passar esses ensinamentos adiante.

Agora, se você recebe quatro curtidas da mesma pessoa é naturalmente um pedido para saírem juntos de alguém que grita “Oh, oh, olha eu aqui! Olha eu aqui!”. Se você receber cinco ou mais curtidas de uma mesma pessoa em um curto espaço de tempo é equivalente a uma pedra na sua janela com uma serenata à luz da lua, ou seja, um sutil (ou não) pedido de namoro. Só acho. Então, sim, se aquele indivíduo não sai do seu Insta, pode constatar: Ele está “danado querendo”. Claro que não estou me referindo àqueles que comentam “sdv pfv”, “troco likes” ou qualquer outra gíria da garotada – como diria minha mãe – até porque, as primaveras que já vivi não me permitem um completo entendimento dessa moda juvenil. Ou seja, vamos tratar do Instagram como uma coisa pra adultos. Nem eu mesma acredito que disse isso.

1)      Se curtiu uma foto antiga do nada: está loucamente apaixonado. Ok, não. Mas definitivamente deu uma boa vasculhada em todo passado da sua vida social.

 

2)      Se horas ou dias depois curtiu a última foto: quer aparecer mais do que os outros. Permanecer entre as últimas curtidas é como marcar território.

 

3)      Se curte várias fotos de uma vez só: está querendo marcar território para aqueles que passam o dia de olho no “seguindo” ao invés de suas próprias notícias ou está tirando onda/fazendo ciúmes a outras pessoas.

 

4)      Mandar direct, como o próprio nome diz, é declarar o interesse.

4.1) Eu acho muito engraçado os caras que mandam direct de uma foto deles no espelho/na academia/ de sunga/ de óculos. Pra mim, é de um narcisismo sem precedentes. Ele claramente está dizendo “Com certeza, ela não resistir a esse corpitcho”. Sério. Bizarro!

4.2) Acho mais maduro um direct preto, sabe? Tipo, de qualquer coisa aleatória porque, na verdade, o interesse foi só mandar um recado e não tentar seduzir por uma foto.

4.3) Adoro receber directs.

 

5)      Curte (fase 1), espera ser curtido de volta (fase 2), segue (fase 3), é seguido de volta (fase 4): Missão completa; interesse retribuído.

 

6)      Mulheres não gostam de caras que só curtem fotos de outras mulheres. Eu não sei bem porque, já que não acho isso muito parâmetro, mas enfim.

 

7)      Mulheres não gostam de caras que seguem muitas mulheres famosas. Também não entendo muito bem porque, já que pra mim é como se você seguisse um alien, um objeto inalcançável.

 

8)      Mulheres não gostam de caras que curtem só fotos de mulheres de biquínis. Obviamente, por puro recalque.

 

9)      Mulheres sempre verificam quem ele começou a seguir depois de uma balada. Antigamente, elas olhavam quem eles tinham adicionado no Orkut, Facebook, mas agora o Insta é a principal rede social, portanto ELAS ESTÃO DE OLHO.

 

10)   Se uma mulher vir outra curtindo um homem deduz na hora que eles estão de paquera.

 

11)   Se uma mulher vir um homem curtindo outra mulher deduz na hora que eles estão de paquera ou há um nítido interesse dele em ficar com ela.

 

12)   Um homem quando não está interessado em continuar – ou dar início a um romance – simplesmente não curte as fotos da dita cuja.

 

13)   Comentar em todas as fotos é claramente um “eu te amo, vamos casar”.

 

14)   Comentar dias depois que todo mundo é notoriamente “esse aqui é meu”.

 

15)   Curtir absolutamente tudo que a pessoa posta é um “SOU SEU FÃ, SEU LINDO”.

 

Há uma outra vertente do Instagram, chamado Instamessage que é tipo um Tinder de Instagram´s, sabe? Você vê todos os perfis do Insta da galera, a distância que estão de você, e ainda tem as opção de acrescentar idade, interesse e uma mini-bios. Daí, quando você gosta da pessoa dá um “like” no perfil dela, que corresponde a um coraçãozinho vermelho, e pode iniciar o chat. Eu sinto um pouco de vergonha de saber disso tudo, mas sou curiosa e não resisto. E, além do mais, quem me acompanha sabe que eu não me encabulo com frases do tipo “te vi no Tinder”. Sou adepta a paquera virtual, mesmo que isso me transforme na minha mãe. Na verdade, como sempre fui meio nerd, sempre tive mais facilidade de conhecer pessoas virtualmente. Mas vamos fingir que isso nunca aconteceu.

Eu me sinto muito adolescente levada da breca, marota e travessa quando trato de relacionamentos em que a conquista se baseia em situações “não reais”. Simplesmente, não sei o que fazer quando encontro alguém que não está presente das redes sociais. Quer dizer, como ele espera falar comigo? ELE QUER ME LIGAR, POR ACASO? Meu deus, eu não mereço passar por isso!

A questão é que essas “regras”, por mais ridículas ou mirabolantes, existem. Pelo menos, no meu universo e das pessoas do meu convívio que, talvez, não sejam lá grande parâmetro também, mas é o que temos por aqui. Por um lado, é bastante confortável saber que existe um “passo a passo” do que fazer até se conquistar alguém ou, no mínimo, evitar um fora sem tamanho se as mesmas atitudes fossem tomadas pessoalmente. Mas, por outro lado, eu perco boa parte do encanto se a desenvoltura nas redes sociais não chegar aos pés de como é no cara a cara. Eu tenho essa coisa de pele mesmo. Essa tara por olho no olho, por ouvir risada. Não consigo ainda trocar esses detalhes que pra mim constroem o relacionamento pela satisfação do afeto exposto.

Eu gosto de gente de verdade, que se doa, se entrega, que não tem filtro mental. Que não tem ctrl c, ctrl v, nem se assegura em um punhado de seguidores. E, infelizmente, cada vez estamos mais roteirizados. Seguimos um script, perdemos a espontaneidade. E, o principal, esquecemos que uma relação boa de verdade é aquela em que o silêncio é confortável, ameno, tranquilo. Não aquela em que o silêncio é substituído por alguma piada de whatsapp, sei lá. A gente desconstrói a nossa essência na ânsia de ser aceito por alguém que só conhecemos o que aparenta.

sahsilvany

About Samantha

Editora de conteúdo e redatora do Bendita Cuca!, e colunista para o Isabela Freitas e Superela. E Youtuber nas horas vagas. Sobrevivente da agonizante liberdade de pensar demais. Acredita que todo mundo merece um grande amor para chamar de próprio e escreve para se livrar da loucura completa.

One thought on “Teoria Instagrânica

  1. Gabriel Silva

    Oi Samantha..
    Achei muito show o teu texto, tem tudo a ver mesmo. Concordo em vários pontos. Foi bem útil para saber que não sou apenas eu que penso dessa forma hahaha
    Parabéns!

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