Cinco minutos e doze segundos.

Eu sofro da Síndrome do Peter Pan; não estou pronta pra ser adulta. Embora há alguns anos isso não seja mais uma escolha minha, nas vésperas do meu aniversário eu sempre suplico aos céus e insisto em continuar com a mesma idade que eu estava. O motivo é simples: a idade é minha e eu mudo ela quando eu quiser. Amém? Justifico isso ao fato que de uma hora pra outra eu fiquei velha. Passei de “a mais nova entre meus amigos” pra “mais velha de algumas turmas”. E eu simplesmente não sei como isso aconteceu. Quer dizer, não tem nenhuma regra sobre trancafiar os filhos em casa até que eles façam 21 anos? Porque eu acho que seria muito justo. Inclusive porque, hoje em dia, as meninas entram na academia com 11 anos, um sutiã de enchimento e 3 dentes de leite, o que se torna uma concorrência deslavada, audaciosa – e invejada – quando completam 18 anos para nós, criaturas mundanas vivendo entre a crise da vida madura e os dramas adolescentes da Malhação, os adultos. Argh! Não quero.

Fora isso, ainda tem a Crise Dos Vinte e Tantos Anos que nos aflige e não perdoa nem os mais precavidos. Como já falei aqui várias vezes, é apenas a fase em que seu coração, seus planos, seus sonhos, sua autoestima, sua confiança e, principalmente seu dinheiro, são picados em milhares de ignóbeis pedacinhos e jogados ao vento do furacão Catrina. Em outras palavras, entenda o recado que o Universo lhe dá: você vale tanto quanto um lápis; um nada igual a qualquer outro. Duro enxergar dessa forma, não é? Esqueça o status que seu trabalho lhe impõe, o poder que conquista perante um ciclo, os dígitos da sua conta bancária, e perceba o que isso frente a TUDO e à outras bilhões de pessoas igualmente fadadas a mesma corrida pelo sucesso, não é nada. Mas a boa notícia é que se ter perspectiva pra palpar o tamanho da nossa insignificância diante do universo não te ajuda a querer ser alguém merecedor de uma lembrança por ter cativado alguém, sendo o sentimento a ÚNICA verdade entre nós, eu não sei o que pode motivar. Sei que isso soa meio louco, mas essa é a minha forma de dizer: você é quem você conquista. Você vale quem você cativa. Acho uma tremenda perda de VIDA devotar seu tempo (que nunca sabemos quando vai acabar) a construir pontes destrutíveis de riqueza material e reconhecimento a curta distância e instância. Quer dizer, ter objetivos e metas é fundamental, manter seus planos é admirável, mas essencial mesmo, pra mim, é colecionar pessoas, histórias e momentos. Considero que sejam as únicas coisas verdadeiramente reais e plenas. E nem sequer são coisas. O mais perto que eu vejo que podemos chegar de sermos felizes e infinitos.

Porque, na realidade, se pararmos pra pensar o Tempo também é uma grandeza inventada para nos dar essa confortável sensação de controle. Essa importância metida contida na frase “estou atrasado para um compromisso”. Esse pedante desejo de ter um tempo que vale mais do que o dos outros, e que vale dinheiro, muitas vezes. A grande questão é: pra que nos serve essa sensação de controle? De que nos vale sermos “donos” de algo cabível ao universo orquestrar? Deixando de lado a influência e importância temporal sob nossas metas, o que você tem feito pra ter tempo?

Uma coisa eu lhe digo: ele não volta. Logo, se parte da sua vida, da sua rotina, dos seus medos e dos seus anseios baseiam-se nas suas memórias, você está desperdiçando seu tempo. A verdade é que a única coisa que nos pertence é o Agora. Não adianta desmembrar suas lembranças, nem remoer suas saudades, tampouco se maldizer por seus arrependimentos; só você não vê que essas atitudes são cíclicas. E a forma de quebrar o ciclo é assumindo o controle total do seu próprio tempo, ou seja, admitir o Agora como o principal ingrediente para a sua felicidade. Você já pensou como seria sua vida se você vivesse inteiramente focado em ser feliz agora? Não estou fazendo qualquer relação disso com a inconsequência ou irresponsabilidade, principalmente, ao que diz respeito aos outros, mas viver no Agora seria não se martirizar por percalços, erros, arrependimentos e perdas, e nem encarregar o futuro de te satisfazer plenamente. O que eu quero dizer é que perdemos um tempo valiosíssimo que seria inteiramente nosso conformados em pensar que a felicidade é uma constante e uma porta certa adiante. Bom, primeiro que a luz nada mais é do que a ausência da escuridão, um ou outro não existem por si sós, ou seja, nenhuma constante é realmente capaz de emanar paz de espírito. É preciso ter o bom e o ruim, o certo pra que saibamos qual o errado, o corajoso pra que detenhamos o medo. É preciso manter-se em movimento, em busca. Conquistar a felicidade todos os dias em pequenos passos, simplórias atitudes, palavras e gestos, pra que ela seja sentida, merecida. E te faça um recompensado, um conquistador, mas sobretudo, um agradecido.

Sendo assim, o tempo que realmente nos importa é o Agora. O que você tem feito pra ser feliz hoje, nesse minuto, agora?

Às vezes, parece que ficamos de mãos atadas, sem alternativas. Presos ao Tempo. Aliás, na nossa ideia de que o tempo cura, o tempo muda, o tempo conforta. E no nosso desejo de que magicamente tudo vai se resolver. Mas e se não houvesse essa segurança sem data no calendário? Quer dizer, o que determina que certas coisas vão acontecer? Como, por exemplo, deixar de gostar de alguém é MESMO puramente um presente do tempo? Diminuir a saudade é mesmo um conforto que vem com o tempo? Mas você imagina que se se mantiver exatamente igual, numa inércia de sentimentos, pensamentos e, até mesmo, angustias, simplesmente nada vai mudar? O Tempo não é fada madrinha, não é milagre, não é inimigo, mas tampouco é aliado. Você tem que parar de abrir mão de suas decisões e das consequências, porque não importa quanto tempo você fique “parada”, o universo continua caminhando. O Tempo está movimentando-se pra todas as pessoas, inclusive, pra você que decidiu desperdiça-lo inteiro se achando no controle dele, que nunca lhe pertenceu.

Como uma música do Cazuza que diz “o nosso amor a gente inventa pra se distrair e quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu”. Em outras palavras, o Agora determina a intensidade dos nossos sentimentos, mas pra molda-los à eternidade você precisa lutar contra o tempo, ou seja, contra sua própria vontade de seguir em frente, contra sua própria motivação de mudar. Saber quando é a SUA hora de mudar é mais importante do que determinar por quem vale a pena essa briga. Nem todo mundo vale o tempo investido, nem todo tempo vale o amor nutrido, nem todo amor vale investir com o tempo. O que for pra dar certo também tem seu próprio tempo pra dar.

Seja seu próprio Tempo, invente um pra você. Não compare sua vida com das pessoas ao seu redor, determine suas próprias metas e caminhe na sua velocidade pra cumpri-las. Não se acomode na expectativa de ter todo tempo do mundo pela frente; você não tem um minuto sequer além daquele que te pertence e não seja miserável ao ponto de perdê-lo. Não culpe o tempo pela cura, pelo esquecimento e pela saudade por suas escolhas. Você não vai ter resultados diferentes sendo sempre o mesmo, então, se precisa de uma mudança, aja. Se precisa de evolução, caminhe. Se precisa de força, não perca o foco. Se precisa esquecer alguém, distraia-se. Mas se o que você precisa é de tempo, domine seu Agora e faça tudo que puder pra ser feliz. Não se perca nem por um dia nas armadilhas do pra sempre. Pra ser infinito crie tempo e, não, desculpas.

Cinco minutos e doze segundos foi o tempo que você levou pra ler esse texto. Quanto tempo você ainda vai levar pra ser feliz agora?

sahsilvany

About Samantha

Editora de conteúdo e redatora do Bendita Cuca!, e colunista para o Isabela Freitas e Superela. E Youtuber nas horas vagas. Sobrevivente da agonizante liberdade de pensar demais. Acredita que todo mundo merece um grande amor para chamar de próprio e escreve para se livrar da loucura completa.

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