Trilogia Divergente, Veronica Roth

trilogia-divergentePois bem, eu li a saga em uma semana. A TRILOGIA, e não UM livro. Ok, isso foi ligeiramente esnobe, mas eu mereço já que cada livro tem cerca de 500 páginas. (E, sim, eu tenho um emprego em horário comercial). Mas a questão é que se eu li rápido é porque ele vale a pena. O livro te devora, não é você que devora ele. Eu sonhei com ele, dormi com ele, beijei ele. Não, calma. Mas fiquei um pouco obcecada por ele, confesso. Digamos que eu tenha feito o teste de aptidão (FAÇA O TESTE AQUI!) meras 50 vezes, por exemplo. E pra quem se importa deu Erudição. E olhe que eu me esforcei horrores pra ser Divergente, mas simplesmente não deu. Mas tudo bem porque eu sempre gostei mais da Erudição mesmo.

Antes de mais nada, quero salientar que morri de inveja da Veronica Roth que APENAS COM 26 ANOS já tem uma das trilogias mais vendidas dos últimos tempos, se consagrou, e fechou a franquia do primeiro filme antes de ter se formado. Em outras palavras, essa mulher é um gênio! Que nunca pare de escrever para o bem da literatura fantástica.

Pra mim, é bastante difícil falar dessa saga sem dar spoiler porque o enredo principal se torna secundário, depois coadjuvante, depois desesperador, depois surpreendente. E assim vai. Então, basicamente uma coisa que você pensa que é, não é, o que você pensa que não é, é. E o que você nem imagina é também. Ou não. Entende? E como George R R Martin (autor de Game of Thrones), ela mata todo mundo. Sem dó, nem piedade. Por isso, te adianto logo: não se apegue aos personagens.

Os livros chamam-se Divergente, Insurgente e Convergente e como eu não faço a menor ideia de resumir sua temática, vou pegar um trecho da Wikipédia:

“Em uma Chicago futurista, toda a sociedade foi dividida em cinco grupos de pessoas, denominados de facções. Existem cinco facções e cada uma delas dedica-se ao cultivo de uma virtude em especial: Abnegação (Altruísmo), Amizade (Generosidade), Audácia (Coragem), Franqueza (Sinceridade), Erudição (Inteligência).
Cada uma das cinco facções trabalham em um setor diferente da cidade, ajudando em sua manutenção. Mas Tris também tem um segredo, que mantêm escondido de todos, pois poderia significar sua morte: Ela é Divergente – apresenta aptidão para mais do que uma facção.
Todas os habitantes da cidade, quando chegam aos dezesseis anos, são submetidos ao Teste de Aptidão, que lhes ajudará a escolher a facção que melhor corresponde com sua personalidade e verdadeira natureza humana, e em seguida participam da Cerimónia De Escolha, onde os jovens devem decidir a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas – podendo permanecer em sua facção de origem ou abandoná-la para sempre.”

Confesso que no terceiro livro, Convergente, eu estava cansada. Tipo, chega de lutar, chega de querer vingar todo mundo, chega de tanto reboliço. Vão embora, vão se casar, vão ter filhos e cuidar das próprias vidas! Juro como disse isso em voz alta algumas vezes para a Tris e o Tobias. Nessas horas, percebo o quanto o livro é adolescente já que eles têm mania de dramatizar tudo. Por várias vezes desejei que ela arranjasse uma lavagem de roupa e fosse cuidar da própria vida.

Vai cuidar do teu macho, mulher!!! Para de tanto mimimi.

Vai cuidar do teu macho, mulher!!! Para de tanto mimimi.

[ALERTA DE SPOILER]
Quer dizer, começa com uma luta contra a centralização do poder na mão da Erudição. Ok, tudo bem. Até porque eles estavam usando da força bruta que o soro da simulação de ataque causou nos membros da Audácia para escraviza-los, e assim matar os líderes políticos da Abnegação. Resolvido esse problema, eles descobrem que tem alguma coisa do outro lado da cerca que ninguém diz e que só a Abnegação sabe. Aí tudo faz sentido, já que Jeanine, líder da Erudição, não queria que a Abnegação dissesse pra população porque isso os faria perderem a fé nas facções. Mas, obviamente, o segredo é revelado e geral se revolta. Criam-se novos líderes, novas divisões, novas lutas. Basicamente, só mudam os motivos, mas as “manifestações” continuam as mesmas. Sempre indo de um tirano para outro.

Daí, quando finalmente Tris, Tobias e sua turma do barulho conseguem passar para o outro lado da cerca descobrem que a cidade deles, que na verdade é Chicago, foi criada. Foi um experimento científico. Os cientistas apagaram a memória da população e modificaram seus genes pra que certas características ficassem mais acentuadas, no caso: inteligência, altruísmo, coragem, honestidade e bondade. E com o passar das gerações, esses genes se mesclariam e formariam indivíduos melhorados: os Divergentes. Daí criaram cidades que viveriam isoladas umas das outras para testar esses experimentos. E quando tivessem Divergente suficientes para aumentar cada vez mais o número de descendentes com gene “puros”, como eles intitulam, eles deveriam sair das cidades. Sendo que só os líderes de governo sabiam disso. Mas todas as cidades acabaram fracassando, óbvio. E só a que conseguiu sobreviver por mais tempo sem guerra foi Chicago, a cidade da Tris, porque criou o sistema de facções. Ou seja, na medida do possível, o experimento foi bem sucedido. Palmas para a ciência, certo? Errado. Porque agora a Tris e sua turma sofrem de uma crise existencial, típica dos dezesseis anos, diga-se de passagem, em que acham que o Departamento que criou esse experimento é assassino porque matou seus pais e etc e tal.

Então, quando a Tris começa a surtar sobre corrupção, sobre poder, sobre “quem matou meus pais”, eu acho que o livro se torna chato. BEM CHATO. Até porque uma garota não vai conseguir resolver todos os problemas do mundo, não vai conseguir desarmar um sistema inteiro, não vai conseguir parar a ciência porque seus princípios, que foram implantados, lhe dizem isso.

Resumindo, a Tris fica surtada querendo fazer com quem ela ACHA que merece o mesmo que ela CONDENA que eles façam, entende? Ela se revolta porque o pessoal do Departamento quer apagar a memória da galera de Chicago e resolve apagar a memória deles. Ignorando completamente que eles planejaram isso pra intervir (algo que ela constantemente cobrava deles) na guerra e não deixar que mais pessoas morram. Mas ela nem se atem a essa parte e simplesmente convence todo mundo a fazer o que ela quer pra livrar aquelas pessoas que ela ama. A Tris fica tão louca nesse último livro, tão cega, tão falsa moralista, que a Cristina, melhor amiga dela, alerta o Tobias que esse plano dela não é bom e que ele deve fazer alguma coisa a respeito.

Enfim, não vou contar o final dos finalmente, mas me decepcionou um pouco. Peguei abuso da Tris e achei o Tobias muito influenciável e manipulável. Sem falar que ele não foi feliz o livro todinho, pelo o que eu entendi. E do nada a guerra das facções acaba, deixando várias questões no ar. Chicago vira um paraíso e o Departamento se torna o único que não tem preconceito com a galera que tem genes danificados do país inteiro, e fim.
[FIM DO SPOILER]

Mas, ainda assim, é uma leitura que vale muito a pena se você gosta de ficção científica, de literatura fantástica, de ação, de mistério, de romance. Ou seja, faltou alguma coisa nesse livro? Não. Aliás, faltou mais momentos bons, sem caos, sem problemas. O tempo todo ele te deixa inclinado a perder o ar e já esperando a próxima catástrofe, e você sofre pelos personagens mesmo. Ainda assim, amei a saga, me envolvi muito com a história. Achei as cenas de ação muito bem descritas, os diálogos bem estruturados dando voz e vida própria aos pensamentos dos personagens. O assunto abordado nas entrelinhas também é muito bom: manipulação do governo, direitos humanos. Pra mim, a maior lição dessa trilogia se resume na frase: o seu direita termina aonde do outro começa. E também reforça aquela ideia que o poder, e não o dinheiro, transforma qualquer pessoa.

p.s: Eu não contei a coisa que achei mais importante desse terceiro livro pra que vocês leiam de verdade.

About Samantha

Editora de conteúdo e redatora do Bendita Cuca!, e colunista para o Isabela Freitas e Superela. E Youtuber nas horas vagas. Sobrevivente da agonizante liberdade de pensar demais. Acredita que todo mundo merece um grande amor para chamar de próprio e escreve para se livrar da loucura completa.

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