Liberdade é o amor.

Faz praticamente um ano que deixei de conhecer você. Quase 365 dias de uma pessoa que eu desconheço. Um estranho. Alguém qualquer. Quase um ano que mudo a playlist quando começa a tocar alguma música que me lembre você, ou quem você foi um dia. Quase um ano de questionamentos que sei que nunca terão resposta. Quase um ano que busco todos os dias reforçar pra mim mesma que foi melhor assim.

E eu sei que foi. Todos veem. É nítido. Renasci depois que morri por você. E mesmo que ainda doa um bocado, e que haja muita falta sua, sei que sou a melhor pessoa que poderia ser. Por mim. Por saber que a vida deve seguir independente de estar feliz ou não.

Busquei por muito tempo arrancar todos os detalhes de você. Cartas, fotos, ursos de pelúcia, abajur, bibelôs, roupas, textos, músicas, sabores, receitas, lugares. Mas só hoje consigo entender que o que é verdadeiro sempre fica. De alguma forma mesmo que singela. E embora eu não tenha sido pra você algo real, verdadeiro, e que foi descartado na primeira crise de carência com falta de caráter e escrúpulos, eu não guardo mágoa alguma.

Não posso te deletar da minha história. Você faz parte dessas cicatrizes que carrego no meu sorriso. Você foi por muito tempo motivo da minha insônia, das minhas crises de choro em qualquer lugar – até hoje tenho vergonha de olhar para minha professora do terceiro semestre, ela me viu de um jeito tão sem rumo e descontrolada que não sei como não fui internada naquela noite – e também da minha volta por cima.

Aprendi que não posso confiar mais em alguém do que na minha própria intuição, hoje eu e ela somos melhores amigas. Me tornei outra. Penso bem menos, faço bem mais. Conheci novas pessoas, novas camas, novos cheiros. Novas decepções também. Faz parte da vida.

Sigo tão tranquila, tão cheia de amor pela vida e pelas pessoas que não me sobra tempo pra procurar saber da sua vida. Infelizmente algumas coisas chegam até mim, e me dói o coração saber que você se tornou aquele que jamais seria. Cê era cheio de vida moreno, tão cheio de si, confiante, livre. E agora sinto que cê não é nem metade do que já foi um dia. E por ser uma pessoa que só te desejar o bem, fico nostálgica. Mas ainda te desejo toda paz do mundo.

Admito que acho uma verdadeira pena a gente não ter dado certo a ponto de nem sua amiga eu ser. Mas também sei que isso não é culpa minha. Sigo com a alma livre de culpa. A cada rolê memorável e encontro com nossos amigos, lamento por você não fazer parte dessas lembranças boas que carrego no peito. Mas, cê quis assim, e escolhas são caminhos sem volta.

Encerro por aqui, transbordando saudade, derramando algumas lágrimas, mas com a absoluta certeza de que tirei a melhor lição que eu poderia tirar disso tudo: o amor é livre.

About Vitória Garré

Libriana no extremo da palavra. É completamente viciada em doce e chimarrão. Encontrou na escrita uma forma de se libertar, e acredita tanto nos seus sonhos, que escreveu na pele que eles nunca morrem, só pra ela sempre lembrar.

One thought on “Liberdade é o amor.

  1. Maria Teresa Borba Pereira

    Maravilhoso….. feminino….. sem pudor de dizer q doeu mas q aceita q a vida quis assim….e viver é para os fortes mas forte e com coração e pernas pra continuar caminhando…… e recordando pq coração não é de ferro. AMEI

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