Foi bom pra ver se era de verdade.

Quando eu tinha quatorze anos eu tinha duas melhores amigas. Aquelas que sabiam tudo sobre mim, e me aceitavam do jeito que eu era – uma adolescente depressiva problemática que tinha ataques de riso por qualquer coisa besta – e eu me sentia a pessoa mais segura do universo. Eu não precisava de mais nada na vida.

Hoje, com vinte e um não tenho contato com ambas fazem uns dois anos. Uma mora perto da minha casa ainda, mas crescer nos afasta de muita gente, e a outra continua morando na sua cidade.

Fiquei muito tempo sem falar sobre isso. Escrevi muito, que era a única coisa que eu poderia fazer. Uma espécie de fuga. Entender como laços que aparentemente são tão fortes e sólidos podem evaporar em questão de meses. Sofri muito, desaprendi como é ter amigos com quem eu posso me sentir segura. Hoje em dia tudo é questão de ego, de status, ciúmes, e na minha idade já não se tem uma melhor amiga. Os grupos estão fechados e é como se eu não me encaixasse em nenhum deles.

Isso durante muito tempo foi um peso pra mim. Me deixava pra baixo – o que não é algo muito difícil de acontecer – e eu simplesmente fiquei perdida pelo caminho, tentando me agregar em algum meio, me sentir parte de uma amizade sincera.

Mas quando se é adulto, as coisas mudam muito. E na maioria das vezes seus melhores amigos são a cama e o travesseiro. Não há o que fazer. Existem carinhos reais por pessoas magnificas, e isso é fato. Mas, a correria, o dia a dia, o stress, a distância entre as cidades, e o eterno vamos marcar algo se tornam rotina. Demorei pra aceitar. Corri muito atrás de pessoas que apenas se mantinham em seus lugares, confundi afeto com confiança, dei muita importância para quem não fez nada por mim.

Mas, de certa forma, tá tudo bem sabe. Parei de me cobrar, parei com essa busca incansável para me sentir segura de novo. Cresço um pouco mais a cada dia em que preciso de colo, preciso desabafar e não me sinto muito a vontade para invadir o WhatsApp de alguém e escrever aquele textão. E hoje decidi que posso ser segura por mim mesma. Me amar. E sentir orgulho de toda a minha história.

About Vitória Garré

Libriana no extremo da palavra. É completamente viciada em doce e chimarrão. Encontrou na escrita uma forma de se libertar, e acredita tanto nos seus sonhos, que escreveu na pele que eles nunca morrem, só pra ela sempre lembrar.

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