Conversas com minha mãe. IV

No telefone:

Eu: Mããããeeee, tô doente! Vô morrê!

Mãe: Armaria, menina, toma um remédio.

Eu: Tem dinheiro pra comprar não.

Mãe: Sim, Sah, aí tu vai ficar com o nariz entupido, é? Arminha nossa senhora do perpetuo socorro! Tu faz isso só pra me deixar doidinha, né?

Eu: kkkk… mas é sério.

(voz ao fundo): manda ela tomar aquele que fica boa num instante!

Eu: Que é que a Leticia disse?

Mãe: Ei, Sah, toma o…

Eu: Tenho dinheiro não, criatura.

Mãe: Sim, mas anota aí…

Eu: Pra quê? Pedir no sinal?

Mãe: Armaria que agonia de tu assim! É porque tu faz isso… é toda de repente. Essas decisões que tu toma relampejada, de relampo.

Eu: Que éééé? Kkkkk

Mãe: O pessoal diz assim “Cadê a Samantha?”, aí eu digo “Foi passar uma temporada no Rio. Não sei se tá morando lá…Na verdade, Rio que tá morando nela”

Eu: E como é que tá a Maya?

Mãe: Tá aqui, toda espichada. Ô cachorra inteligente!

Eu: Saudades dela…

Mãe: Ela sabe que a ração acabou, aí ela pôpa comida, Sah.

(voz da Leticia): PoUpa!

Mãe: Ah, é. Poupa! Ela tá toda fresca.. Tô comprando aquela ração que ela gosta, a Data Show…

(voz da Leticia): Dog Show!

Mãe: É, essa mermo. E ela não tá comendo de jeito nenhum.

Eu: Valha, por que? Vocês vão matar minha cachorra, é?

Mãe: Ei, peraí… Se ela não tá comendo como é que acabou? É tu que tá comendo, é Leticia?

Eu: kkkkkk

(voz da Leticia): ela tá comendo, a gente só não vê!

Mãe: Ah, porque eu já vou ter que comprar ração de novo… Pensei que fosse um daqueles teus regimes, sei lá, né!

Eu: Pois escreve uma carta pro Luciano Huck, mãe. Afff… não vou comprar remédio agora.

Mãe: Ei, Sah, vou escrever mesmo, ó.

Eu: kkkk Sim, pois é…

Mãe: O que eu escreveria?

Eu: kkkk Sei lá, mãe. Falei brinc…

Mãe: Tu sabe que eu sempre quis mesmo mandar uma carta pra ele, né..Ei, Leticia, ajuda aqui.. “Luciano Huck…” É melhor tu escrever, Leticia. Vai…

Eu: kkkkk

Mãe: “Luciano Huck, minha irmã foi morar no Rio. Precisa de ajuda…”

Eu: Muito comovente essa história…

(voz da Leticia): de volta pra minha terra!

Mãe: AAH, ÉÉ! Tem o de volta pra minha terra! Pronto, é isso!

Eu: É, eu sempre penso nisso! Kkkk

Mãe: Mas aí, Samantha, ele vai entrar no teu face e vê essa foto no barco, vai pensar “Diabé isso? Ela num é pobre?” Porque a cara engana, né…

Eu: Preferia ter a cara de pobre e a conta de rica!

Mãe: Ué, eu também! Mas aí nasce com essa cara, aí… pra pegar os besta.

Mãe: Sim, Samantha, e tu não arranjou nenhum namorado?

Eu: Valha e por que tu quer saber?

Mãe: Sim, só saber, né… A pessoa sai daqui, chega aí, é pra ter um namorado!

Eu: Namorado não…

Mãe: Armaria, ô menina sem sorte! Nem quando é novidade…

Eu: Sim, tu quer que eu case, é? Tô aqui há 2 meses só!

Mãe: Não, né casar, não. Mas tu saiu daqui! É pras pessoas aí te acharem bonita…

Eu: Quer dizer que…

Mãe: Vai tomar um banho de arruda! Nunca vi! Armaria, nam. A Leticia é outra…Não arranja!

Eu: Diabé isso? Quer se livrar das filhas, é?

Mãe: Não, né se livrar, não. É que… é que… as pessoas geralmente namoram, né.

Eu: Afff.. calma!

Mãe: É porque são umas menina bonitas dessa… Dizem, né… A foto diz. E num arranja. Precisa é de um banho de arruda mesmo, nam.

Eu: Pois ensina a ela a conseguir pela internet como tu faz!

Mãe: Se nem saindo de casa consegue, avalie pela internet. Eu já tentei casar com tudo quanto foi “milio” e não deu!

Eu: kkkk Não tá fácil pra ninguém, mãe.

Mãe: CUIDADO, MENINA!

Eu: O QUE?

Mãe: Cuidado pra não tacar a cabeça no coisa da parede e depois reclamar de dor de cabeça…

Eu: Eu?!

Mãe: Não, a Leticia aqui que tá sempre reclamando dos miolos…

Eu: Pois tá, mãe…

Mãe: Ei, Sah… pois vô desligar.

Eu: Se tu não tiver noticia minha, me joguei do sexto andar.

Mãe: Aí tu avisa pra eu me jogar do décimo primeiro que o estrago é maior!

 

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Se você não entendeu a minha mãe (então, somos duas) olha os outros diálogos que nós tivemos aqui, aqui e aqui. Não tenho culpa de ser assim!

sahsilvany

About Samantha

Editora de conteúdo e redatora do Bendita Cuca!, e colunista para o Isabela Freitas e Superela. E Youtuber nas horas vagas. Sobrevivente da agonizante liberdade de pensar demais. Acredita que todo mundo merece um grande amor para chamar de próprio e escreve para se livrar da loucura completa.

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