Aqueles laços invisíveis que havia.

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Quinta feira, oito e meia da noite. A música tocava tão alto que eu mal podia ouvir os meus pensamentos. Enquanto eu pulava no Jump parecia que o mundo ficava um pouquinho mais distante, eis que no aleatório da caixa de som começa a tocar o remix de uma música que já me foi muito familiar. Mas fazia tanto tempo que eu não a escutava que em um piscar de olhos eu já estava em outro lugar. Não muito longe dali.

Seis anos atrás. Consigo lembrar perfeitamente do calor daquele dia, e de como eu estava apreensiva. Nessa hora eu só consegui sentir as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, e dei graças a Deus que elas se misturaram com o suor que percorria sobre mim e quase ou ninguém percebeu o que estava acontecendo.

Pensei que eu já havia conseguido superar toda essa história, e essa saudade. Mas quem eu era teria vergonha de quem me tornei. Alguém fria demais para demonstrar afeto. Talvez seja por tantas vezes que o carinho não foi recíproco que eu cansei. De sempre correr atrás de sempre sentir saudade de sempre falar as mesmas frases piegas.

Essa é a pior parte de crescer. Se decepcionar com pessoas que você tinha plena certeza de que seguiriam a vida inteira com você. Perder laços e enxergar que nunca foi tão importante assim pra alguém. Se sentir mais uma em meio à multidão. Isso sim é a pior parte de crescer.

Minha mente parecia que ia explodir. Um mix de lembranças e pensamentos tomou conta de mim, e eu já nem sabia mais qual era a combinação de pulos. Provavelmente errei todos, e mais provavelmente ainda a professora deve ter gritado várias vezes puxando minha orelha, mas por alguns instantes fiquei cega.

Só quis voltar no tempo. Não mais do que quis ao longo desses seis anos, mas eu daria tudo pra conseguir voltar no tempo, e parar. Por quanto tempo eu quisesse, só pra me sentir um pouco mais amada, mais querida. Mesmo que agora eu saiba que no fundo tudo aquilo era ilusão de uma adolescente sonhadora que via sempre o melhor nas pessoas.

A música parou, o treino acabou e parecia que eu tinha sido atropelada por um caminhão. Minha alma ficou machucada, meu corpo todo doía e voltei pra casa tão perdida em mim mesma que nem lembro certo como cheguei no meu chuveiro. A pior parte de crescer é ver que nem todo mundo é confiável e que às vezes na primeira oportunidade podem te apunhalar pelas costas.

Eu só queria saber crescer e lidar.

Vitgarre

About Vitória Garré

Libriana no extremo da palavra. É completamente viciada em doce e chimarrão. Encontrou na escrita uma forma de se libertar, e acredita tanto nos seus sonhos, que escreveu na pele que eles nunca morrem, só pra ela sempre lembrar.

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