A sorte de um amor tranquilo.

Dia desses, achei um blog de um escritor maravilhoso. Fiquei completamente apaixonada. No primeiro texto que li, logo favoritei a página e senti um leve pesar ao perceber que ele só fazia uma contribuição mensal. Eu leria do primeiro ao último em um piscar de olhos. Passadas horas de familiarização com o autor, levo um susto que me faz pular da cadeira: o tal do escritor tem o nome do meu ex e eu simplesmente não havia percebido. Parece bobagem, mas você precisa saber ler as entrelinhas: isso significa muito.

Antigamente, quando eu via seu nome em qualquer lugar (ruas, prédios, listas de chamada, etc), eu achava que fosse um bom presságio, uma pontada de sorte. Sério, eu achava que ser constantemente lembrada pelo Universo que este nome carregava um sentimento pesado demais pra si era sorte. Bizarro. Eu sempre estava atenta ao menor sinal de que não deveria desistir dele, que talvez até valesse a pena acreditar em destino. Mas, dessa vez, passou desapercebido. Aquele nome já não significava nada pra mim, não me fazia sequer lembrar dele. Até meu corretor ortográfico insiste em trazê-lo à tona sempre que clino em sua inicial, mas a minha consciência, que eu achava estar adormecida (ou ainda recalcada), já o havia esquecido (ou indo bem no processo). Eu o havia tirado do meu íntimo e, embora ainda pensasse nele, o peso de sua importância agora disputava lugar com meus planos do final de semana e a preguiça de ir à academia.

É impressionante a capacidade com que nossa mente, estando em sincronia com o coração, consegue se recuperar até de grandes perdas. É impressionante como nos fortalece devagarzinho, nos faz valorizar as pessoas que permaneceram ao nosso lado e se nutre dos momentos em que nos sentimos plenas, principalmente, quando estamos sozinhas – um prazer quase egoísta. E tudo isso acontece bem abaixo do nosso nariz sem que sequer saibamos. Uma guerra silenciosa e fria para corações escaldados.

Confesso que ainda acho que tenha sido um sinal, definitivamente, um bom presságio. Mas, dessa vez, de que eu estou indo bem. Que sentir saudades, às vezes, quer dizer só isso: lembrança, nostalgia, melancolia. Dispensa as entrelinhas. Bem que dizem que só um amor cura o outro; ter me apaixonado por esse escritor me fez reconhecer o quanto a paixão que eu não queria deixar morrer já havia se tornado passado. Isso, sim, é sorte.

About Samantha

Editora de conteúdo e redatora do Bendita Cuca!, e colunista para o Isabela Freitas e Superela. E Youtuber nas horas vagas. Sobrevivente da agonizante liberdade de pensar demais. Acredita que todo mundo merece um grande amor para chamar de próprio e escreve para se livrar da loucura completa.

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