Trilogia Divergente, Veronica Roth

trilogia-divergentePois bem, eu li a saga em uma semana. A TRILOGIA, e não UM livro. Ok, isso foi ligeiramente esnobe, mas eu mereço já que cada livro tem cerca de 500 páginas. (E, sim, eu tenho um emprego em horário comercial). Mas a questão é que se eu li rápido é porque ele vale a pena. O livro te devora, não é você que devora ele. Eu sonhei com ele, dormi com ele, beijei ele. Não, calma. Mas fiquei um pouco obcecada por ele, confesso. Digamos que eu tenha feito o teste de aptidão (FAÇA O TESTE AQUI!) meras 50 vezes, por exemplo. E pra quem se importa deu Erudição. E olhe que eu me esforcei horrores pra ser Divergente, mas simplesmente não deu. Mas tudo bem porque eu sempre gostei mais da Erudição mesmo.

Antes de mais nada, quero salientar que morri de inveja da Veronica Roth que APENAS COM 26 ANOS já tem uma das trilogias mais vendidas dos últimos tempos, se consagrou, e fechou a franquia do primeiro filme antes de ter se formado. Em outras palavras, essa mulher é um gênio! Que nunca pare de escrever para o bem da literatura fantástica.

Pra mim, é bastante difícil falar dessa saga sem dar spoiler porque o enredo principal se torna secundário, depois coadjuvante, depois desesperador, depois surpreendente. E assim vai. Então, basicamente uma coisa que você pensa que é, não é, o que você pensa que não é, é. E o que você nem imagina é também. Ou não. Entende? E como George R R Martin (autor de Game of Thrones), ela mata todo mundo. Sem dó, nem piedade. Por isso, te adianto logo: não se apegue aos personagens.

Os livros chamam-se Divergente, Insurgente e Convergente e como eu não faço a menor ideia de resumir sua temática, vou pegar um trecho da Wikipédia:

“Em uma Chicago futurista, toda a sociedade foi dividida em cinco grupos de pessoas, denominados de facções. Existem cinco facções e cada uma delas dedica-se ao cultivo de uma virtude em especial: Abnegação (Altruísmo), Amizade (Generosidade), Audácia (Coragem), Franqueza (Sinceridade), Erudição (Inteligência).
Cada uma das cinco facções trabalham em um setor diferente da cidade, ajudando em sua manutenção. Mas Tris também tem um segredo, que mantêm escondido de todos, pois poderia significar sua morte: Ela é Divergente – apresenta aptidão para mais do que uma facção.
Todas os habitantes da cidade, quando chegam aos dezesseis anos, são submetidos ao Teste de Aptidão, que lhes ajudará a escolher a facção que melhor corresponde com sua personalidade e verdadeira natureza humana, e em seguida participam da Cerimónia De Escolha, onde os jovens devem decidir a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas – podendo permanecer em sua facção de origem ou abandoná-la para sempre.”

Confesso que no terceiro livro, Convergente, eu estava cansada. Tipo, chega de lutar, chega de querer vingar todo mundo, chega de tanto reboliço. Vão embora, vão se casar, vão ter filhos e cuidar das próprias vidas! Juro como disse isso em voz alta algumas vezes para a Tris e o Tobias. Nessas horas, percebo o quanto o livro é adolescente já que eles têm mania de dramatizar tudo. Por várias vezes desejei que ela arranjasse uma lavagem de roupa e fosse cuidar da própria vida.

Vai cuidar do teu macho, mulher!!! Para de tanto mimimi.

Vai cuidar do teu macho, mulher!!! Para de tanto mimimi.


[ALERTA DE SPOILER]
Quer dizer, começa com uma luta contra a centralização do poder na mão da Erudição. Ok, tudo bem. Até porque eles estavam usando da força bruta que o soro da simulação de ataque causou nos membros da Audácia para escraviza-los, e assim matar os líderes políticos da Abnegação. Resolvido esse problema, eles descobrem que tem alguma coisa do outro lado da cerca que ninguém diz e que só a Abnegação sabe. Aí tudo faz sentido, já que Jeanine, líder da Erudição, não queria que a Abnegação dissesse pra população porque isso os faria perderem a fé nas facções. Mas, obviamente, o segredo é revelado e geral se revolta. Criam-se novos líderes, novas divisões, novas lutas. Basicamente, só mudam os motivos, mas as “manifestações” continuam as mesmas. Sempre indo de um tirano para outro.

Daí, quando finalmente Tris, Tobias e sua turma do barulho conseguem passar para o outro lado da cerca descobrem que a cidade deles, que na verdade é Chicago, foi criada. Foi um experimento científico. Os cientistas apagaram a memória da população e modificaram seus genes pra que certas características ficassem mais acentuadas, no caso: inteligência, altruísmo, coragem, honestidade e bondade. E com o passar das gerações, esses genes se mesclariam e formariam indivíduos melhorados: os Divergentes. Daí criaram cidades que viveriam isoladas umas das outras para testar esses experimentos. E quando tivessem Divergente suficientes para aumentar cada vez mais o número de descendentes com gene “puros”, como eles intitulam, eles deveriam sair das cidades. Sendo que só os líderes de governo sabiam disso. Mas todas as cidades acabaram fracassando, óbvio. E só a que conseguiu sobreviver por mais tempo sem guerra foi Chicago, a cidade da Tris, porque criou o sistema de facções. Ou seja, na medida do possível, o experimento foi bem sucedido. Palmas para a ciência, certo? Errado. Porque agora a Tris e sua turma sofrem de uma crise existencial, típica dos dezesseis anos, diga-se de passagem, em que acham que o Departamento que criou esse experimento é assassino porque matou seus pais e etc e tal.

Então, quando a Tris começa a surtar sobre corrupção, sobre poder, sobre “quem matou meus pais”, eu acho que o livro se torna chato. BEM CHATO. Até porque uma garota não vai conseguir resolver todos os problemas do mundo, não vai conseguir desarmar um sistema inteiro, não vai conseguir parar a ciência porque seus princípios, que foram implantados, lhe dizem isso.

Resumindo, a Tris fica surtada querendo fazer com quem ela ACHA que merece o mesmo que ela CONDENA que eles façam, entende? Ela se revolta porque o pessoal do Departamento quer apagar a memória da galera de Chicago e resolve apagar a memória deles. Ignorando completamente que eles planejaram isso pra intervir (algo que ela constantemente cobrava deles) na guerra e não deixar que mais pessoas morram. Mas ela nem se atem a essa parte e simplesmente convence todo mundo a fazer o que ela quer pra livrar aquelas pessoas que ela ama. A Tris fica tão louca nesse último livro, tão cega, tão falsa moralista, que a Cristina, melhor amiga dela, alerta o Tobias que esse plano dela não é bom e que ele deve fazer alguma coisa a respeito.

Enfim, não vou contar o final dos finalmente, mas me decepcionou um pouco. Peguei abuso da Tris e achei o Tobias muito influenciável e manipulável. Sem falar que ele não foi feliz o livro todinho, pelo o que eu entendi. E do nada a guerra das facções acaba, deixando várias questões no ar. Chicago vira um paraíso e o Departamento se torna o único que não tem preconceito com a galera que tem genes danificados do país inteiro, e fim.
[FIM DO SPOILER]

Mas, ainda assim, é uma leitura que vale muito a pena se você gosta de ficção científica, de literatura fantástica, de ação, de mistério, de romance. Ou seja, faltou alguma coisa nesse livro? Não. Aliás, faltou mais momentos bons, sem caos, sem problemas. O tempo todo ele te deixa inclinado a perder o ar e já esperando a próxima catástrofe, e você sofre pelos personagens mesmo. Ainda assim, amei a saga, me envolvi muito com a história. Achei as cenas de ação muito bem descritas, os diálogos bem estruturados dando voz e vida própria aos pensamentos dos personagens. O assunto abordado nas entrelinhas também é muito bom: manipulação do governo, direitos humanos. Pra mim, a maior lição dessa trilogia se resume na frase: o seu direita termina aonde do outro começa. E também reforça aquela ideia que o poder, e não o dinheiro, transforma qualquer pessoa.

p.s: Eu não contei a coisa que achei mais importante desse terceiro livro pra que vocês leiam de verdade.

Pra quem quiser baixar a saga em PDF e EPUB, este SITE AQUI disponibiliza.

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Me flagrei pensando nele.

tumblr_lq8f0ySDdm1qjv8rno1_500_largeEsses dias, me flagrei pensando nele. Em como seriam as unhas da sua mão esquerda, qual seria o cheiro do seu cabelo, onde a curva das suas costas atravessaria o meu destino e por onde andariam suas pernas enquanto não cruzassem com as minhas? Já me alertaram que me preparar não adianta. Amor não pede licença. Rouba o jeito, um desejo, um beijo. Rouba a cena como um artista de cinema em seu ato final de desespero.

Já me avisaram que eu talvez não o reconheça. Amor quando vem não se identifica, pelo contrário, às vezes, implica. Faz da sanidade um picadeiro e da esperança um castelo de cartas pronto para desabar na brisa da menor expectativa. Mas algo me diz que ele tem gosto de sábado de manhã e cheiro de final de seriado em dia chuvoso. Que o doce da sua risada produz mel do outro lado do mundo, e seus olhos tem a cor de beijinho-de mamãe-pra-sarar-dodói, sabe? Profundos, ardentes e azuis.

Já me disseram que eu talvez o conheça. Amor quando é verdadeiro não vai, fica. Que a arte imita mesmo a vida e, às vezes, alguns personagens que apareceram rapidinho no início retornam no final pra nos lembrar que se sentir em casa é uma questão de pele, e não de lugar. Nesse caso, eu acho que sua boca é salgada como o mar, e seu abraço me faz cócegas como música pelo corpo inteiro. E eu o canto todo tempo a fim de lhe mostrar meu coração que bate desafinado dentro do peito.

Já duvidaram que ele existia. Amor que passa leva também a certeza de ter vindo. Mas, dentro de mim, sei que suas palavras quando ditas na hora certa tem o poder de me guardar em seu bolso ou soprar as velas dos meus medos. E que seus passos incertos marcam os dias no meu calendário a tua espera. Sendo assim, não tenho pressa, entorno teu afeto feito de açúcar todas as manhãs. Tenho certeza que o teu sorriso perdido vai achar meu colo e derreter minha ansiedade com a ponta do nariz. Enquanto isso, durmo enrolada aos planos que teci nos versos que venho escrevendo.

Eu sei que às vezes soou menina demais fazendo ciranda com sonhos pomposos. Mas o amor que a gente sente é o que dá vida aos brinquedos feitos de fé. Porque a verdade é que eu já me cansei de mapear teus defeitos, trejeitos e acertos dentro do mundo que lhe definiu como certo. Aprendi que a importância é traduzida pela intensidade dos sentimentos e descrita em uma só língua feita para me satisfazer. Por isso, não preciso me preocupar com quem ele seja por fora, eu já o conheci no infinito que habita dentro de mim.  

Namore sem favor.

tumblr_lzes9ljqou1qhzejeo1_500_largeTem gente que perdeu a graça, a deixou sentada no parquinho da escola conjurando vingança a todos os risos que pincelaram suas bochechas de rosa. Namore alguém que não se importa com isso, faz piada dos seus próprios defeitos, enxerga o umbigo de todos além do seu próprio mundo.

Tem gente que acha que crescer é tornar-se impassível, mascarar quaisquer sentimentos que o tornem vulnerável. Namore um cara que se arrisca, prefere asas que nunca voem do que viver sem a expectativa de tirar os pés do chão.

Tem gente que com o passar do tempo nos passa menos; menos carinho, menos respeito, menos consideração. Namore aquele que se tornar menos mesquinho, menos estressado.

Tem gente tão pequena que não caberia numa caixinha de fósforos ocupando cargos enormes. Namore quem não se limita ao tamanho da caixa.

Tem gente que se faz amarga, enrijece a alma e a expõe como medalha pra se dizer maduro. Namore quem saiba que maturidade é quando a razão não leva tão a sério os conflitos do coração.

Namore alguém que quando você chorar irá te abraçar com o sorriso mais quente, pois sabe que o som da sua risada te leva a lugares tranquilos. E que se lhe tirar do sério, vai debochar dos seus medos sem soltar sua mão nem por um segundo. Vindo dele não vai ser devassidão, vai ser um apelo.

De qualquer dia ruim, em que deu tudo errado, que ele te faz uma sátira. De todas as letras que você confundir em música que ele te dá um verso.

Namore um cara que vai te constranger dançando, mas nunca recusar uma música ao teu lado. Que vai gargalhar sem vergonha, sem motivo, sem pedido. Um cara que vai colorir o caos do problema, que vai abrir a caixa de Pandora dos teus receios.

Alguém não se conforma em ser catalogado, rotulado. Que pode esconder um cadáver debaixo da cama ou uma fantasia de carnaval no armário e manter os pés a dois passos do abismo com um sorriso no rosto.

Namore quem te ensine que não se pode evitar os momentos em que a seriedade é crucial, mas para todos os outros indispensável mesmo são as piadas internas, a implicância. Não a profundidade das coisas, mas a superficialidade dos problemas.

Um cara que vai te surpreender porque não segue um script; não precisa. Sabe aproveitar um sábado ensolarado digno de praia em casa, no sofá, no ócio. Já perdeu a mania de tentar ser certinho se equilibrando entre o bom senso e o bom humor; não se cobra, apenas vive.

Namore, por favor, alguém que não malda tudo que escuta e maldiz agora mesmo essas palavras que sequer mal lhe fizeram. E, às vezes, te fará se perguntar o que viu de tão certo em outros caras tão sérios. Namore alguém que já tenha saído daquela fase “quinta série”, e não te leve sempre na piada.

Mas, sobretudo, namore sem favor. Para namorar alguém, basta que o ame. Porque amor não se pede, amor não se impõe. Por favor não se namora, não se vive. Por amor, sim. Por favor, não.

Sobre ontem

tumblr_lrqf87BLEj1qlllvro1_500Sempre achei que o que passou, passou e pronto. Não adianta chorar sobre o leite derramado (Como vive dizendo minha mãe). Quando terminamos um relacionamento procuramos mil e uma explicações para tal dissabor, mas a verdade é que esses motivos podem até existir, no entanto eles nunca vão ser  suficientemente fortes para te convencer desse fim. De que acabou, que talvez nem tenha sido de verdade e aqueles momentos bons foram fruto de um sentimento nutrido só por você.
Motivos todo mundo inventa, cria, coloca, expõe e até grita, mas aceita-los é bem diferente. Dói sabe! Machuca mesmo, sem pena de te fazer chorar, de secar todas as suas lágrimas. Aí esse motivo está bem na sua frente, embaixo do seu nariz, e você sente uma confusão de sentimentos dentro de si; covardia demais para criar coragem em aceita-lo, arrogância em aceitar os fatos, é quase uma ressaca moral.
Chega então o bendito dia em que você se cansa de negar o óbvio. Aquele relacionamento acabou, não deu certo, não tá rolando mais e nem vai rolar. É aí que  acontece uma espécie de mágica, e saímos daquele transe que nós cegava e as  viseiras que nos faziam olhar somente na direção dessa pessoa enfim são retiradas. Nesse momento parece que tivemos uma epifania e percebemos que o melhor mesmo é tocar a vida, chega de dar murros em ponta de faca, se machucar à toa por alguém que até fosse legal, mas não está na tua ou na nossa.
É nessa hora que devemos nos “zerar”. É “zerar”! Começar tudo do zero, sem mágoas, sem rancor, sem ressentimentos, limpos e leves, afinal estamos novos em folha. Largar o passado no lugar dele e seguir em frente. Sorrir pra essa pessoa como se nada tivesse acontecido, pois você já superou, passou por cima e está bem. Reanime aqueles velhos planos empoeirados e coloque-os em pratica, chame os amigos, faça algo diferente dessa vez, você é uma página em branco com um lápis nervoso.
E sobre ontem, tomei aquele porre que tava muito afim  faz tempo, mas meu relacionamento não o suportaria. Dancei muito, chamei atenção, conheci pessoas e dei sorrisos, deixei a timidez de lado e me entreguei de coração. Deixei de fazer figuração em espaços que deveriam ser a dois ou mais. É, roubei a cena! Me senti bem, com segurança do que queria e tive firmeza em ser de verdade, em um mundo cheio de máscaras. Sobre ontem deixei de ser quem eu queria ser e voltei a ser eu.
COLABORADORIMG_20150309_173813
Rafael Almeida,  26 anos.     Instagram: @rafaelalmeida07
Tecnólogo em redes de Computadores por acaso, acadêmico de odontologia, baladeiro e cheio de coisas pra contar.

Sobram as culpas onde falta o amor.

imagesSabe aquela velha desculpa que nos deixa com a pulga atrás da orelha “O problema não é você, o problema sou eu”? E se o problema fosse você?

Acho engraçado que o contrário da rejeição seja a autoestima elevada. E, em geral, eu tenho uma admiração bizarra por quem consegue mantê-la nesse patamar quase inalcançável de satisfação. Quer dizer, sério mesmo que se alguém termina contigo você pensa que ele foi insensível, não soube valorizar o que tinha ou simplesmente era louco? A pessoa não pode ter SÓ se cansado de alguns de seus defeitos?

Acontece que obviamente quando é uma amiga nossa que leva o pé na bunda, levantamos a bandeira do “ele nunca foi bom o suficiente para você”. Nos empenhamos em um manifesto a favor de que ele é quem mais perde nesse término e resguardamos nossos pensamentos sombrios a respeito dos verdadeiros motivos. Até porque, sejamos francos, quem vê de fora às vezes enxerga coisas que quem está vivenciando ignora. Logo, alguns términos não nos surpreendem tanto quanto dizemos. Desculpa destruir teus sonhos, mas no fundo, eu sempre soube que ia terminar assim. 

Aí entra a questão: e se alguém que você considera te dissesse que entende os motivos que vocês terminaram e NÃO JULGA SEU EX POR ISSO? Ia doer, não ia? Talvez, muito mais do que o próprio fim. Acontece que você espera que seus amigos lhe conheçam bem, tão bem que saibam seus defeitos de cor e salteado. Assim como suas qualidades, claro. Mas os amigos são aquelas pessoas que te veem subindo embriagada no palco, tomando o microfone do cantor e te aplaudem. São aqueles que olham seu joelho ralado da queda de cima da mesa e dizem “Ela é das boas!”. São as pessoas que vão amar ouvir suas histórias de paqueras mesmo que lhe causem vergonha. Ou seja, eles te conhecem de fato, mas não se importam com oitenta por cento das características que você denota em seus relacionamentos. Por isso que muitas vezes o cara mais cafajeste de todos tem uma melhor amiga inseparável que faria tudo por ele.

Mas, sabe, esse não é um texto sobre amizades. É sobre a imagem que você tem de si mesma. Até porque se você não tivesse ao seu lado quem lhe dissesse “Ele nunca te mereceu”, ainda acreditaria que realmente foi boa demais para ele? Tudo bem que a gente tem que reconhecer nosso valor, tem que ter o mínimo de orgulho, tem que ter amor próprio e todas aquelas coisas que estamos cansadas de saber desde a primeira vez que tivemos nosso coração dilacerado por qualquer paixonite. Mas uma coisa que as pessoas geralmente esquecem de acrescentar nessa composição é o famoso bom senso.

Eu tenho verdadeira pena de quem se resguarda na frase “Mas eu sempre fui assim” como um escudo para dizer: me ame ou me odeie. Como se fosse completamente imutável, inflexível. Pra falar a verdade, você se torna uma espécie de Hitler  dos relacionamentos impondo a quem quiser uma chance, única e exclusivamente a sua vontade e opinião de como as coisas devem ser. Sério que você acha que quando “aparece” alguém na sua vida ela veio pra te fazer somente feliz? Ou seja, você não só exclui sua parcela de responsabilidade dos infortúnios, como também de todas alegrias. Você se torna uma marionete, por mais irônico que soe. Um ditador não seria soberano se não fosse por aqueles que acatam essa premissa.

Em outras palavras, às vezes, o término ou o encaminhamento para o fim foi culpa sua, sim. Talvez as tuas melhores intenções tenham tido consequências desastrosas e ao invés de gastar energia tentando provar sua inocência, você poderia simplesmente pedir desculpas e se redimir da melhor forma. Talvez você tenha sido mais grosseira do que imagina e melhor do que responder “Mas eu sempre falo assim. Todo mundo sabe”, seria um sincero “Sério? Não foi minha intenção, me desculpe por isso.” Só assim, aos poucos, você vai poder fazer uma autoanálise e perceber o quanto da chateações, brigas e discordâncias das pessoas contigo é recorrente.

Não acredito em mudanças totais. Que um pau que nasce torto milagrosamente vai ficar retinho. Mas acredito que o amor seja o maior combustível para essa mudança ou, pelo menos, a vontade de fazê-la. Afinal de contas, tem que ter vontade. Tem que ter querer. Você precisa estar disposta a mudar, a se conhecer, a melhorar. Você precisa querer isso para ser feliz com quem quiser, mas principalmente consigo mesma.

É bem difícil encarar-se de frente ou ouvir sua própria voz quando diz algo que sente. Somos tomados por um formigamento causado pela vergonha de se assumir. Isso é normal. E, pra isso, só tem duas alternativas: mudar ou se conformar.

Seja com os outros como gostariam que fossem com você. Fale o que você quer ouvir. Incentive como se sua vida dependesse disso. Cale seu orgulho ao ouvir uma crítica que pode ser construtiva. Respeite especialmente as diferenças que lhe dão nos nervos. Busque alguém que te desafie, que tire a rotina da monotonia. Se engaje em discussões que lhe confrontam. Pense a respeito do que não lhe interessa também. Entenda que o grau de importância depende exclusivamente de quem o enaltece. Mas, sobretudo, saiba que independentemente de quais sejam seus ideais você jamais poderá impô-los a ninguém. Se você fizer tudo isso repetidas vezes em cada término, decepção ou fracasso, aí sim, pode erguer a cabeça ao pensar que nem todas as pessoas te mereçam. Não que você tenha se tornado perfeita, mas você não desistiu de se tornar melhor.

O que aprendi com Emma Watson sobre feminismo.

Emma-Watson-1Felizmente, eu nasci com alguns parafusos frouxos. Nunca consegui ENXERGAR a “divisão” racial. Nunca me questionei o porquê de ter um coleguinha de uma cor diferente da minha. Para mim, era o mesmo que me questionar o porquê de algumas pessoas terem cabelos lisos e outras, cacheados. Genética, não é? Cada qual com a sua, se nenhum cabelo é igual, por que a cor da pele deveria ser? Isso sempre me pareceu óbvio. O mesmo se aplicava para orientação sexual, cargo profissional, aptidões e talentos artísticos e esportivos etc. Alguns eram bons com a bola, outros com o pincel, alguns gostavam de mulher, outros de homem, e daí? Isso é normal. Que sentido faz você achar que a forma que leva a sua vida é a melhor para outra pessoa se ela tem qualidades e, principalmente, uma genética completamente diferente da sua? Nada mais certo que a frase: cada cabeça uma sentença.

Ou seja, o feminismo nunca existiu para mim. Não passava pela minha cabeça que eu devia ater qualquer minuto da minha atenção a essa distinção. Eu realmente acreditava que era algo neandertal. Que minha mãe, por exemplo, havia DECIDIDO ser dona de casa porque era preguiçosa e não porque alguém lhe disse que o certo era o homem trabalhar e a mulher cuidar da casa. Inclusive, já briguei horrores com ela por acreditar cegamente que ela fosse simplesmente uma pessoa acomodada e, não, machista.

Que ao chamar um homem para abrir um pote, trocar uma lâmpada ou matar uma barata, eu o fazia por 1) sempre ralo minha mão fazendo força em tampas, 2) tenho medo de levar choque, 3) tenho nojo de matar a barata, e não porque fosse DEVER do homem. Sempre pensei que eu poderia fazer essas e quaisquer outras coisas – mesmo as que envolvessem puramente a força bruta – se eu quisesse. Acontece que, tendo o privilégio de quem os faça por ti, por que você o faria? Eu odeio até lavar meu próprio cabelo! Adoraria que alguém o fizesse por mim, seja homem ou mulher. Honestamente, se alguma vez na minha vida tive uma atitude machista, pondo a encargo do primeiro homem que me aparecesse a necessidade de fazer algo por mim, foi simplesmente por preguiça. OK, confesso que fui bem mimada também.

Ainda custo a acreditar que as “obrigações” das mulheres PERANTE os homens existam para algumas pessoas – por incrível que pareça, muitas delas. Diversas vezes, já ri alto na frente de quem as expusesse por inocentemente achar que fosse uma piada. Ironia sempre foi meu calcanhar de Aquiles; eu podia satirizar por um texto inteiro, mas não conseguia diferenciar uma ironia de uma verdadeira opinião vinda dos outros. Resultado: andei superestimando os humanos, sobretudo as mulheres, e angariando inimigos.

Feminismo não é coisa de mulher, e não está na moda como muitas pensam. Ao contrário do que eu achava, ele existe sim, assim como os demais preconceitos. Eu só não podia ver porque eu realmente acreditava que estávamos em uma escala de evolução MUITO acima; e esse é um dos meus maiores arrependimentos, pra falar a verdade.

Somos neandertais. E me incluo nessa porque mesmo não tendo o preconceito enrustido no peito, me tornei cúmplice ao negligenciar a importância de falar sobre isso. Como eu disse, achei que fôssemos melhores e me tornei a pior versão de mim.

Acontece que por mais essa luta seja antiga, o assunto seja batido e, honestamente, os significado de feminista tenha se desvirtuado com a cooperação das redes sociais, ainda precisamos discutir sobre. Precisamos entendê-lo, precisamos nos ouvir. Precisamos agir.

Ser feminista não é ser misógino, não é ser mulher, não é ser radical, não é se vestir como homem ou não depilar as axilas ou desrespeitar as opiniões masculinas sobre assuntos femininos (tpm, depilação, estética, ditadura da magreza etc) por achar que eles não sabem do que falam.  É ser a favor da igualdades dos gêneros. Um conceito simples, porém muito defasado.

Em pleno século XXI, ano de 2015, enquanto houver quem acredite que o futuro só vai chegar quando todos usarem roupas prateadas, estaremos às margens do progresso.

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Respeito consideravelmente todos artistas que são engajados em causas que vão muito além de campanhas publicitárias para arrecadar fundos para instituições carentes (embora sejam indispensáveis mesmo sob o risco de boa parte da verba ser desviada). Se você tem a oportunidade de ter os holofotes atentos às suas palavras, use-as para o bem. Caso contrário, você não passa de cabide vivo para seus patrocinadores. A realidade é essa, independentemente do quanto seu espelho lhe diga o contrário. Você não é ninguém se não puder fazer algo de bom para alguém. 

Por isso, sou completamente fã da Emma Watson que, além de ser embaixadora da boa vontade da ONU Mulheres, não perde nem uma chance sequer de se manifestar em prol da igualdade dos gêneros. Inclusive, sua campanha lançada em setembro He for She (Ele por Ela) incentiva a participação dos homens em causas feministas também. E, mesmo sofrendo ameaças por trazer o assunto à tona, ela se sentiu mais fortalecida porque, afinal, isso só prova que é um problema real.

Fonte

Por você, eu não faria.

rachel-adam-the-O-C-celebrity-couples-1640913-1500-977Por você, eu não faria piadas plenas sobre nossos caminhos bambos, nem te faria cócegas com as mentiras mal contadas de uma verdade que só caberia em nós dois.

Tampouco, te faria um épico romance mesmo que cada traço em ti me rendesse um verso. Mesmo que tua boca encaixada as minhas coxas me rendesse um apelo, eu não faria.

Sequer faria planos contigo detalhando o desejo em cada milésimo de segundo de me perder nos enganos do seu tempo.

Por você, eu não faria sussurros de promessas bentas nem que me garantissem seu coração mastigado, vulnerável.

Nem faria mundos e fundos se moverem pra manter cíclica toda esperança que houvesse em ti. Ou faria poesia com a ciranda do teu sorriso, ora louco, ora são.

Eu não faria por você o meu melhor abraço, nem deixaria meu colo a dispor do afago de seus cabelos. Não faria companhia a tua solidão na porta de casa, nem faria birra pra manter nossas melhores lembranças vivas.

Por você, eu não faria a saudade pulsar quando minhas veias confundissem-se com as tuas. Nem faria deboche da tua barba exposta como medalha.

Nem mesmo faria caso na calada da noite quando aparecesse com qualquer desculpa esfarrapada. Simplesmente não faria nada se me desse as costas e levasse meu riso na mala.

Por você, também não faria provocação ao teu choro sem sentido. Nem faria menção ao calor que teu olhar ao meu emana. Ou faria questão do teu amor imoral.

Por você, eu já fiz.

Por você, eu faço.

Agora, e todos os dias como se fosse a primeira vez. Só não te faço promessas para o futuro para não te deixar nas dúvidas das minhas intenções.

O que eu te prometo só posso cumprir enquanto estiver comigo, seja por um minuto ou uma vida. Definitivamente, o que eu faço por você, por ninguém mais eu faria.