Um segundo.

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Todos os dias me pergunto o que estou fazendo da minha vida. Se estou onde eu queria estar, se a Vitória do passado teria orgulho dessa Vitória de agora, e sinceramente não encontro respostas em lugar algum. A gente aprende a viver no automático, a criar expectativas e por consequência decepções em cadeia. A gente aprende a viver com cobranças absurdas, com julgamentos desnecessários , e assim inevitavelmente acabamos dando um outro rumo pras nossas vidas.

Mas, chega uma hora em que cansa. Cansa colocar o mesmo sorriso no rosto todos os dias. Cansa repetir cem vezes para mim mesma que está tudo bem. Cansa ter que escutar as mesmas coisas e cansa mais ainda ficar quieta como se nada acontecesse.
O meu problema é que eu me dôo demais. Faço tudo por todo mundo e acabo esquecendo da pessoa principal: eu.
O mundo anda corrido demais e sem dúvida alguma está faltando reciprocidade, abraços demorados e conversas no meio da tarde. A gente só corre, só corre, só corre. Alguém socorre.

E nesse vai e vem me perco um pouco. Saio fora de órbita, fico meio perdida nessa confusão, e entre a falta de tempo e o cansaço, sobra alguém meio chata demais, que amou o novo cabelo mais loiro, mas que odeia usar secador. Que quer abraçar o mundo com os braços e fazer a maior quantidade possível de coisas, mas que ama ficar deitada. Que saí de casa às sete horas da manhã e volta quase meia noite. Que tem apenas vinte anos, mas pelo mau humor matinal parece que tem oitenta.

O que eu espero de mim, de você, do mundo é apenas um pouco mais de calma.

 

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Você precisa deixar ir

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Quando já não cabe mais. Quando o espaço está apertado para o tamanho que a pessoa ocupa. Quando as lágrimas são mais constantes do que os sorrisos. Quando tudo começa a pesar. É aí que é preciso entender que não há mais nada a ser feito. Que as tentativas se esgotaram, afinal, é impossível continuar tentando quando não há mais disposição e respeito.

Não digo aqui que você precisa desistir no primeiro obstáculo. Descartar a outra pessoa como quem descarta um lixo reciclável: quando não lhe serve mais, descarta na lixeira mais próxima. Não é pra deixar ir só porque ele gosta de salada e você, de bacon. Porque ele é de um signo que não é o par perfeito do seu. Não é por qualquer motivo que a gente vai sair descartando por aí.

No entanto, há de se considerar que o fim chegou quando há tanto peso em algo que deveria ser leve. Uma relação, seja ela qual for, deve vir para acrescentar, jamais para tirar o que há de belo. Quando, ao se olhar no espelho, não encontrar mais o brilho que lhe pertencia, é a hora de parar. De colocar um ponto final, quando, por vezes, você insiste em colocar vírgula.

É preciso se reconhecer em uma relação. Entender que você é um, antes de ser dois. No momento em que tudo começa a desandar, você tende a não se reconhecer mais. Os seus amigos agora são os amigos dele. Os programas são sempre os que ele escolhe. Você não sabe mais qual é a sua vontade, sem ser a vontade dele. Você tem se tornado uma massa amorfa, sem gosto, sem opinião e, principalmente, sem força.

Apesar da dor da separação, nesses casos, ela é a única saída para que você não acabe se separando de você mesma. Para resgatar a própria identidade, é preciso deixar ir. Com a partida do outro, a casa fica vazia, com toda aquele desordem e sujeira. Aí é o momento de tirar o tapete e revelar tudo que havia por baixo dele. De fazer uma faxina, eliminando o que te impede de se reencontrar.

Nessa limpeza, você acabará encontrando resquícios de identidade. O livro que você tanto gostava, os convites de um show antigo da sua banda preferida, as cartinhas dos amigos, o brinquedo preferido na infância. Você redescobre que havia um “eu”, antes de haver um “nós”. O brilho reaparece, depois de se manter ofuscado diante de tanta poeira.

É hora de tirar a poeira, lustrar o brilho e deixar a casa pronta para as futuras visitas. Elas virão para reforçar ainda mais a beleza do seu interior, jamais para escondê-la.

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A gente se cansa de ter esperança, acredite.

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Estou escrevendo esta carta porque faz exatamente um mês que saí de casa, e eu ainda lembro avidamente da nossa despedida. Eu ainda sinto uma fisgada no peito toda vez que penso em você me abraçando, me pedindo perdão sei nem saber do que. O tipo de perdão que a gente pede a si mesmo, implora a própria consciência. O perdão que queremos por termos perdido uma valiosa chance preocupados demais em não se envolver. O perdão embevecido de culpa. E você estava lá, com o rosto colado ao meu, respiração ofegante e o medo estampado na cara. Você havia me perdido há tempos, aos poucos, aos gritos. Mas só agora via. Patético. Eu, você e mundo inteiro nos adaptamos às artimanhas do jogo da conquista, e cada vez que tentávamos ganhar um do outro nos perdíamos de nós mesmos ainda mais. Deixamos de ser honestos um com o outro por causa das mentiras que entalhamos no peito, mas se duvidarmos da veracidade do próprio amor, em que mais poderemos confiar?

E sabe o que é pior? Eu não senti pena de você, mas de mim. Eu era a garota que te esperava ligar na madrugada torcendo que quisesse vê-la com qualquer desculpa. Eu era garota que se doava por inteiro a ti; na cama, na alma, na vida. Era eu quem engolia o choro pra te fazer sorrir, que não trazia meus próprios problemas à tona pra me dedicar a resolver os teus. Eu era aquela garota que acreditava cegamente na importância da liberdade e escolhia estar ao seu lado todos os dias (e mesmo hoje sozinha ainda escolho você). Eu era aquela garota que se deixou levar pelo encanto de ser dois e desaprendeu a ser um. Aquela que, embora nunca tivesse admitido, só queria a sorte de um amor tranquilo.

Às vezes, a gente dá tudo que tem, faz tudo que pode e, mesmo assim, a relação não dura. Mas não é o tempo que determina sua importância. Tenho a impressão que algumas pessoas só vem pra nos ensinar a não perder a fé no amor, já que, muitas vezes, a gente se esquece que pode não ter medo de falhar. Todos os dias em que eu sinto saudades, escolho a mim em primeiro lugar. Não há superação repentina nem esquecimento de uma hora para outra. A única forma de aprendermos com o passado é impedindo que ele guie nossos passos.

Já cheguei a pensar que quando gostávamos muito de alguém, esse alguém gostaria nem que fosse um pouquinho da gente apenas como um gesto de gratidão. Mas se nem eu mesma soubesse me valorizar, como poderia esperar que alguém o fizesse? É uma questão de seletividade. Todo esforço será em vão se não soubermos a quem nos dedicar. A gente desapega a partir do momento em que entende que ninguém vai saber cuidar do nosso coração tão bem quanto a gente.

Eu era aquela garota que te esperou tanto, de tantas formas, em tantos planos que se cansou. O tipo de cansaço que não passa quando dorme. O cansaço das tentativas, da insistência. Do apego. A gente se cansa de ter esperança, acredite. Um dia, por causa de uma atitude que não foi à altura de seus sonhos, você desiste. Simples assim. E concretiza o ato com um suspiro brando. Decide não viver mais à sombra do passado e, ainda que não queira aceitar, sente que aquela história (que talvez sequer tenha começado) chegou ao fim.

Nada mais.

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Se eu te dissesse o quanto eu estava me sentindo vazia, o quanto minha alma implorava por ter de volta o romance em nossas vidas, mudaria algo?

Se eu te explicasse o quanto odiava teu jeito introspectivo de ser, o quanto me sentia apenas normal pra ti, quando eu queria ser a melhor do mundo, tu teria mudado?

Se eu te confessasse o quanto me doía ter que mendigar tua demonstração de afeto publicamente, o quanto me machucava ver que eu transbordava amor e paixão por ti em cada canto que eu passasse e tu era sempre quieto, tu teria feito diferente?

Não fui a melhor companheira. Sei disso. Carrego minhas falhas e erros de peito aberto para que todos possam ver, não escondo de ninguém o quão chata eu era, o quão bad vibes eu me tornei ao longo do tempo. Mas, e tu? Consegue enxergar teus defeitos ou ainda me culpa por todo esse caos? Tu és ciente de cada falha?

Hoje tirei o dia pra pensar. A gente tinha absolutamente tudo pra dar certo. Faltou sintonia. Faltou timing. Faltou eu colaborar um pouco e tu também. Faltou calma da minha parte e faltou euforia da tua. Faltou eu dizer que me arrependi por todas as brigas que eu causei e faltou tu dizer que se arrepende por cada surpresa que não fez.

Tentei te mudar. Confesso. E me sinto a pior das pessoas assumindo isso. Foram meses tentando burlar tua visão de ver algumas coisas. Tentei, tentei e tentei. E depois de ver que não adiantaria absolutamente nada, eu desisti. E talvez aí esteja o erro. Ter desistido. Aceitei a viver com esse teu jeito, aprendi a me contentar com teu romance. E a partir disso, tudo desandou. Eu deixei de fazer as coisas que eu mais amava que era te mimar, te agradar, te surpreender. E tu continuou vivendo da mesma forma.

Eu transbordei amor. Paixão. Lealdade. Sinceridade. E hoje em dia eu tô vazia.

Não pensa que esse texto é pra colocar todas as culpas em ti. Bem pelo contrário. Só que com ele, consigo entender o quão diferentes éramos. E que não tínhamos tudo pra dar certo assim.

Aqui fica minha gratidão pelos anos vividos, pelos momentos compartilhados e pelo amor que tivemos. Reforçando que sou ciente das minhas falhas, sigo em frente, mas agora sem vazio, sem ódio, sem dor. Sem esperar absolutamente nada mais de ti.

 

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Cuidado: frágeis (e não fracos!)

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Olha só, não tem necessidade de confundir fragilidade com fraqueza. São sinônimos segundo o dicionário, no entanto, no comportamento, apresentam diferenças essenciais. Ser frágil não é, necessariamente, ser fraco. Fragilidade tem muito mais a ver com delicadeza e nobreza do que com a fraqueza propriamente dita. São como as caixas de papelão, com o aviso: “Cuidado: frágil”. Entende-se que o conteúdo é de extrema importância, portanto, exige-se cuidado no manuseio, delicadeza ao lidar e atenção ao se transportar.

Caixas de papelão guardam conteúdos nobres e, por isso, frágeis. São metáforas perfeitas para esse texto. Assim como as caixas, algumas pessoas, em suas “embalagens” demonstram-se frágeis, porém, abrigam um conteúdo rico e delicado. Ao se mostrarem sensíveis aos olhos dos outros, são vistas, na maioria das vezes, como fracas. São consideradas suscetíveis e manipuláveis. Solitárias e depressivas.  Exageradas, cheias de frescura e de mimimi.

Mas não, são apenas frágeis. Importam-se, contagiam-se, doam-se. Sofrem com intensidade, mas também vibram de felicidade. São sensitivas e precisam de um cuidado maior no manuseio. Apreciam a delicadeza e o trato com os sentimentos. Têm o coração como guia e dão a ele o respeito que merece. Sabem que palavras tem poder e têm cuidado ao lidar com elas. Acima de tudo, respeitam o próximo porque também exigem o mesmo.

Em nenhum momento são fracas. Pelo contrário, são ainda mais fortes por manterem-se firmes diante de uma sociedade que engradece os fortes e os inabaláveis. Diante de um discurso, onde o significado de fortaleça se resume a falso bom-humor, sucesso e aparências. Para a maioria, lágrimas são sinais de fraqueza. Para os frágeis, elas são amigas inseparáveis. Na alegria ou na tristeza, estarão lá, sempre presentes. São demonstrações explícitas de sentimento à flor-da-pele.

Diante de uma sociedade que não os compreende, os frágeis lutam constantemente para defenderem o real motivo pelo que vivem: o sentir. Assim como as caixas, eles só mostram o seu conteúdo a quem realmente mereça. Exibem o aviso de fragilidade, para alertar e proteger o que há de mais precioso dentro deles: o coração.

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O que não começa nunca acaba.

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Posso confessar uma coisa muito boba? Eu achei que ia dar certo.

Criei na minha cabeça uma história que eu queria que existisse. Idealizei demais, esperei demais de você que sempre só me deu metades. Achei que ia dar certo porque dessa vez eu não iria amar por dois, e cê tava tão feliz – parecia né? – e a gente tinha tudo pra dar certo. Mas não deu.

Me sinto idiota em assumir que imaginei tanta coisa. Cê ia postar uma foto nossa e ia chover comentários dos seus amigos dizendo “Aleluia, finalmente ficaram juntos!!” “Cuida bem dela dessa vez, boa sorte pra vocês” “Que lindos, olha esse sorriso de vocês”. E é nesse momento em que eu percebo que há vezes em que a gente precisa deixar a teimosia de lado e aceitar que já era, vaso quebrado não se conserta.

De certa forma eu tô feliz. Sem culpa. Sem arrependimentos. Afinal eu fiz o que podia. Mas você precisa crescer tanto ainda, enxergar que palavras são muito superficiais e atitudes são muito mais importantes. Não digo que não acredito, afinal a sua euforia já deixava tudo bem claro, mas cê precisa dar um rumo na sua vida. Eu já to com a minha encaminhada, e posso ser sincera? Tô amando a minha vida. Nunca me senti tão leve.

Tenho tanta coisa pra fazer por aqui que penso que foi melhor assim. Óbvio que me senti voltando no tempo quebrando a cara de novo com você, mas não me arrependo. Hoje tenho muito mais maturidade pra assumir meus erros e tocar minha vida, sem joguinhos ou indiretas. Cê podia ter feito mais, mas tudo bem. Eu também poderia, mas tudo bem.

A única coisa boa de segundas chances é que elas nunca viram terceiras.

Sentir saudades não é desculpa para tentar de novo.

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“Eu não quero ser esquecida, confesso. Eu ainda quero ser especial pra você. Eu me sinto cansada. Eu não quero passar por todos esse processo com outra pessoa. Eu não quero gostar de alguém de novo. Era pra ser você. Só você. E sem você, não quero que seja mais ninguém”, dizia a última mensagem que lhe enviei.

Com ele não foi como das outras vezes. Aliás, eu senti vergonha por toda vez em que achei ter gostado de alguém antes dele. Era como se, por ele, aqueles com quem me envolvi não passassem de um mero erro de diagnóstico. Nada se comparava. Eu não queria estar por cima, vencer na disputa de egos. Me apavorava pensar que ele fosse apenas uma obsessão ou um passatempo. Porque se fosse, se por acaso ele fosse uma distração a qual me apeguei, então eu não sabia nada sobre o amor. E talvez não soubesse mesmo porque o que eu sentia era tão intenso que chegava a me assustar. Eu havia entregado as cartas. Tudo que eu queria era que ficássemos bem. Eu estava com meus sentimentos nus e sem nenhum pudor. Sem medo. Eu queria que ele me visse como os outros não puderam ver.

Decidir superar foi uma das melhores e mais dolorosas escolhas que já fiz. Assim como toda perda, me derrubou e, assim como toda fase, passou. E eu sobrevivi ainda mais forte. Cedo ou tarde, a gente percebe que a paz que tanto procuramos está no adeus que não permitimos que aconteça. Depois de um tempo, eu pude entender que até mesmo esquecer era uma decisão daquelas capazes de nos mudar pra sempre. Quando o sentimento está apertado dentro da gente é sinal que está na hora de abrirmos mão de guardá-lo, pois ele ocupa um espaço que não lhe pertence mais.

Eu não estava feliz ao terminar, é claro. Quem ficaria ao deixar pra trás alguém que o coração quer ao lado? Mas eu estava em paz, e por mais que sentisse saudade, eu não trocaria essa paz por nenhuma promessa de quem teve a oportunidade e não soube valorizar. Um dia você simplesmente se dá conta de que, ainda que decida tentar mais uma vez, não existe essa de “voltar a ser o que eram”. Escondem-se as cicatrizes, mas muitas vezes, a dor persiste calada. Que se deem, antes de mais nada, a chance de fazer dar certo com uma melhor versão um do outro para que os antigos erros não se repitam.

No fundo, a gente sabe quando alguém se importa. Às vezes, a gente finge que não vê, outras, já finge que acredita. Mas, dentro da gente, sabemos a verdade: quem gosta não esconde. Homem quando sente falta vai atrás. Quando quer estar com você te procura. Homem quando se importa, demonstra. Talvez você que espere demais de um menino.  Não vale a pena lutar pra permanecer na vida de quem não faz nada pra te manter.

Às vezes, a saudade permanece quietinha dentro da gente e a gente acaba se acostumando. Às vezes, ela escorre pelos olhos. Mas sentir saudades não é desculpa para tentar de novo, sobretudo, se não houver reciprocidade. A saudade existe pra que a gente aprenda a valorizar quem não nos deixa partir. No fim das contas, não vou guardar rancor. Aprendi a perdoar, mas não quero esquecer. Não por lhe desejar mal, mas por ter aprendido minha lição: o preço da confiança quebrada é o coração partido.

 

Procure alguém que…

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Procure por alguém que não vai permitir que o passado os afaste, e nem vai se sentir inferior por ir atrás. Procure por alguém que saiba perdoar e não insista em trazer os erros à tona. Que respeite seus interesses mesmo que sejam contrários aos seus. Alguém que ceda sem contar em um placar imaginário quanto já fez e já recebeu. Procure por alguém que tenha os pés no chão, mas sonhe alto. Que não se importe em apostar naquilo que acredita, não tenha medo do fracasso.

Procure por alguém que já tenha compreendido a pressa com que o tempo nos arrasta e a leviandade com que o universo nos passa para trás e, mesmo assim, tenha em mente que a perseverança é o caminho. Procure por alguém que também seja seu melhor amigo pra quem contaria suas piores aflições. Alguém que valoriza o diálogo, os olhos nos olhos, pele na pele. Procure por alguém que não superestime declarações públicas de afeto, mas que não tenha medo de mostrar como se sente, ainda que seja entre quatro paredes.

Procure por alguém que vá dormir sorrindo todos os dias por pensar em ti. Alguém que lhe fez perceber o vazio no peito que existia antes de sua chegada. Procure por alguém que não só se orgulhe de estar ao seu lado, mas que faça de tudo pra lhe manter por perto. Procure por alguém que se esforce por você, se desafie e supere as desavenças em prol de serem plural, e não mais singular. E se por acaso, estiver com dificuldade de encontrar esse alguém, então seja a pessoa que gostaria de achar. Quando a gente procura o amor coleciona decepções, temos que nos preocupar em fazer o nosso melhor pra que o amor nos encontre.

Se for amor que seja, inclusive, nos piores dias, sem intervalos. Se for amor que seja capaz de amar estando no lugar do outro. Se for amor que floresça de dentro da gente para, só então, ser colhido por outro peito. Se for amor que não desista de ser.

O que aprendi com a perda.

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Não posso negar que algumas das pessoas que mais me decepcionaram também desempenharam um papel importante em minha vida: me ensinaram a ser forte. Temos que ser tolerantes quanto as falhas dos outros também, afinal, somos igualmente imperfeitos. A questão é conhecer seu limite: se o perdão te leva a um ciclo vicioso de dor, por que insistir? Não é egoísmo, é simplesmente entender que algumas pessoas não valem a pena. Mas que sempre vão existir aquelas que te farão mudar de ideia e, por elas, não podemos nos desmotivar.

Eu costumava pensar que ninguém fosse insubstituível, mas quanto mais o tempo passa, percebo que algumas das pessoas que partiram foram as que mais me marcaram, e não porque me fazem falta, mas porque me ensinaram a seguir em frente sem arrependimentos. Quando alguém não nos aceita, pede para que mudemos e nos julga ao invés de ajudar, claramente, não é alguém que serve pra gente. Amor é quando se quer o bem do outro, já apego é quando se quer que seja outro.

Relacionamentos não seriam tão complicados se as pessoas dissessem aquilo que sentem e ouvissem mais o próprio coração e menos a boca dos outros. Ou simplesmente, não desistissem um do outro por medo de tentar. Todo mundo precisa de alguém que lhe ajude a superar o medo. Inclusive as pessoas mais fortes, são elas que mais precisam. O amor é difícil para o indeciso, é intenso para o apaixonado, mas para aquele que é forte, admitir estar envolvido, é um ato de coragem.

Às vezes, pra que a gente se sinta bem, temos que afastar algumas pessoas, enterrar sentimentos, quebrar promessas. O único compromisso que a gente tem é com a nossa própria felicidade, não dá pra ser fiel ao passado e esperar por um futuro melhor. Desapego é não temer ser aquele que saiu perdendo. Se eu não tivesse ficado sozinha, sem chão, perdida, não teria aprendido como cuidar de mim, me reerguer, e continuaria achando que precisava de quem fizesse isso por mim. Hoje eu preciso é de quem saiba que mereço mais do que uma companhia.

Ela era mais do que saudade.

foto Maju Trindade

foto Maju Trindade

Ela aprendeu que, independentemente da dificuldade, só haviam duas escolhas: ser feliz ou triste. Ela sentia saudade e uma vontade louca de ir atrás. Sentia falta e um medo danado de ser esquecida. Mas, acima de tudo, sentia paz. Vivia em paz. Todo dia esbanjava um sorriso no rosto, e não porque isso tornasse a vida mais fácil, mas porque sabia que não podia dar chance a tristeza de convencê-la a desistir. E, no fim das contas, mesmo sozinha, ela sabia que isso era tudo que precisava. Ela engoliu o choro e aceitou o fim. Não importava o que iria acontecer, depois dele, ela já não era mais a mesma. Ela sorria e o mundo mudava de cor. Ninguém podia imaginar que por detrás de tanta luz havia tido muita dor.  O tempo fez dela mais forte e dele mais um.

Ela seguia seu coração, acima de todas as coisas; por mais errada que estivesse, por mais boba que parecesse, por mais apaixonada que se fizesse. Ela era intensa, 8 não lhe cabia e transbordava em 80. Gente inteira não consegue se doar aos poucos; é tudo ou nada, mas nunca a metade um do outro. Ela mal cabia dentro de si, quanto mais em outro peito que não lhe desse espaço. Não é fácil abandonar alguém sem deixar um pouco de si na partida. Gente que se doa demais tende a se perder em cada parte. Por isso, a sensação de falta. De vazio. Mas é melhor livrar-se do que não te acrescenta do que prender-se a sentimentos falsos.

Tem gente que esqueceu de si para relembrar alguém, que se faz presente na vida de quem já se ausentou. Tem gente que não se permite desapegar. Superar é, sobretudo, uma escolha. Você precisa reconhecer que o tempo não pode curar um coração que insiste em amar no passado. Dói mais terminar com quem ainda gostamos, é claro. De repente, o mundo nos parece errado, como se sofrêssemos algum tipo de injustiça divina. Mas, por baixo da tristeza, se pudermos reconhecer nossa paz interior, saberemos que fizemos a escolha certa. E essa é a razão de seguirmos em frente.

As coisas que afetavam a maioria das pessoas pareciam não importar a ela. Se fosse derrubada, não se amargurava. Se caísse, mesmo cambaleante, levantava. Se fosse machucada, perdoava. Nunca foi fácil, mas ela colocava um sorriso no rosto não importava o que viesse. E quando lhe perguntavam se tinha valido a pena não hesitava ao responder que sim. Tinha aprendido muito, crescido bastante, embora ainda escondesse dentro de si cicatrizes latentes. O que te faz feliz pode não ser eterno, mas será inesquecível. Eternidade é só uma coisa que inventamos pra evitar o desapego. As coisas duram o tempo que tem que durar.

Ela tinha certeza que não cometeria os mesmos erros, mas faria tudo de novo sem arrependimentos. Por outra pessoa, é claro. Ela sabia que não havia razão para tentar de novo com quem não tivesse aprendido a lhe valorizar ao perdê-la.