Nunca deixe que lhe digam que você perdeu alguém só porque não pode vê-lo.

Existe AmorEu devia ter me despedido. Não sei exatamente porque, mas algo dentro de mim se arrepende de não tê-lo feito. Talvez eu seja só mais um emaranhado de rituais aprendidos inconscientemente para nossa suposta sobrevivência. Mesmo assim, recusei-me a segui-los. Recusei-me ao velório, ao enterro, aos pêsames. Ele estava tão vivo dentro de mim que, honestamente, aquilo parecia absurdo. Meu maior medo era que a morte fosse o fim, não só do plano terreno, não só dos planos futuros, mas do sentimento. Se eu sentisse aquilo se esvair, juro que perderia a razão. Mas nada mudou nesse sentido, de uma forma tão surpreendente quanto inacreditável. Adotei a frase “nunca deixa que lhe digam que você perdeu alguém só porque não pode vê-lo”.

Fiz ali, uma nova amiga, e é muito provável que você, se já passou pelo mesmo que eu, não compreenda nada do que vou falar: a morte não é sua principal rival. Aliás, sejamos francos, não há como vencê-la, então se opor com relutância a sua existência é viver na ignorância. Para alguns funciona, de fato. Talvez me falte a fé para crer que é possível driblá-la ou que haja qualquer sentido em fazê-lo. É o ciclo natural da vida. Nem o bem ou mal existem por si sós, um é apenas a ausência do outro. Somos inteiramente metades, quartos, quíntuplos, mil. E somos um. Dito isso, para mim, a imortalidade é uma questão de sentir, de ser. Você jamais desaparecerá do coração de quem te amou, assim como, todos aqueles que significaram-te algo sempre permanecerão vivos.

Confesso que, a princípio, a morte e eu tivemos uma relação conturbada. Eu achava que ter o conhecimento sobre ela era o mesmo que ter o controle. Eu a desafiava. Depois descobri que isso era até comum acontecer com adolescentes que perderam os pais cedo: a revolta. Eu não tinha medo. De nada. Parte de mim acreditava que quando fosse a minha hora, eu nada poderia fazer para evitar. Não que eu discorde disso hoje em dia em certos casos, no entanto, aprendi que é estupidez dar chance ao azar. Não temos como fazer do destino instrumento da nossa vontade, tampouco, aliado. Às vezes, não vai haver justiça, não vai haver compaixão, quem dirá, um adeus. Estamos sujeitos; somos meros sujeitos.

Nove anos já se passaram, e como passou rápido. Me sinto completamente desperta, pulsante. Meu coração ainda palpita, em todos os sentidos, e isso é o que me mantém viva. Eu já fui dilacerada pelo sofrimento, massacrada à queima roupa por meus próprios sonhos. Honestamente, não foi ficando mais fácil. Eu que fui me tornando cada vez mais forte. Clichê, eu sei. Mas se não fosse verdade como seria clichê? A morte já me levou outras pessoas. Normal. Mas dessa vez não tenho arrependimentos. Eu amei. Eu amo. Tão desesperadamente quanto insano, tão merecido quanto leviano. Tanto digo quanto demonstro; laços que se eternizam no peito, rompem qualquer distância.

Não a culpo, sabe? Talvez, se não por ela como eu aprenderia a valorizar quem tenho ao lado? Esperar perder é tão covarde, ainda que não seja no sentido literal. Vivemos em um mundo de grandezas mensuradas em reais e virtudes distorcidas em aparências. Tudo o que somos é meramente o que fazemos por quem temos ao lado, essa é a grande verdade. Tem gente que vive pensando em outro sem nunca lhe dizer. Joguinhos que dizem “ele só vai me dar valor quando me perder”. Esquecer se tornou uma necessidade, sobrevivência. Como sobreviver vazio pode ser melhor do que viver de amor? Esgote-se tentando ser feliz, mas não desista por medo de sofrer. É normal.

Ando com a morte em um bolso e a saudade no outro, não posso evitar nenhuma das duas. Às vezes, converso com elas, peço um pouco de calma. E sigo escrevendo sobre as coisas que sinto, que não controlo ou que minto e, de vez em quando, ouço que ajudei alguém. Então, respiro fundo.

Pai, eu ando cumprindo minha missão. Obrigada por me salvar. Você fez do amor o meu propósito, ele está dentro de nós.

No passado não se ama.

tumblr_m6dijvxoib1qkgrf3Ontem uma amiga minha me mostrou um scrapbook que fez de presente e na hora me lembrei do que havia ganhado do meu ex-namorado. “Você nunca me disse que ganhou”, ela me confrontou. Daí me lembrei de tudo: o formato, as cores, as fotos, o dia e principalmente o porquê. É, eu realmente nunca havia dito nem a ela, nem a ninguém. Aliás, sequer uma foto eu bati, não mandei em nenhum grupo do whatsapp, não fiz nenhuma agradecimento pelo instagram, e honestamente nem sei mais aonde está. Aquilo pra mim, sinceramente, não significou nada. Estava atrasado, tinha perdido o timing. Estava errado. Às vezes, o que a gente espera que seja um ato de romantismo espontâneo é apenas um pedido de desculpas disfarçado.

A verdade é ninguém realmente sabe o que passado significa. Pra alguns é uma questão longa de tempo contada em anos. Para outros, só basta uma frase, uma palavra mal colocada, uma atitude que não lhe agrade que, de repente, aquilo – ou alguém – se torna passado. Eu tenho uma teoria: passado é uma pedra posta em cima de todo sentimento, toda lembrança, toda ferida. Do tipo que não pode ser movida, não PRECISA ser movida.

Comigo não foi diferente. A gente leva umas boas bofetadas da vida até entender esse jogo. Mas o pior nem de longe é isso. Ruim mesmo é ver seus planos e suas prioridades se desfazerem bem na sua frente. Quanto a isso ninguém te alerta, não é? Malditas sejam as historinhas de amor que começam no colégio e perduram até o término da faculdade – ou de uma vida inteira. A gente acaba acreditando que isso também vai nos acontecer. Que as coisas têm tempo certo, que o destino vai tomar de conta. Ou ainda, que estamos atrasadas para ter nosso romance cravado no calendário.

Mas a gente aprende, sabe? Sem mais, nem menos. E anos depois, assim como eu, descobre que já havia enterrado uma história ainda enquanto a vivia. Às vezes é preciso dar um tempo para recarregar as energias e reaprender a sorrir. Às vezes enquanto nos forçamos a procurar uma solução, evitamos o que pode ser nossa única saída. Às vezes nos acovardamos no medo da solidão que paira como uma nuvem cinza sob nossas cabeças, e a achamos que todos podem vê-la.

No entanto, de nada me adiantaria estar com alguém agora que sequer me desse a vontade de gritar seu nome aos quatro ventos. Acredito que o sentimento tem que nos inundar, nos cercar de planos, nos confortar de sonhos. Ainda acredito que uma relação, mesmo quando sapateia na corda bamba, tem que ser uma alavanca e, não, uma âncora. Mas, sobretudo, que devemos ter paciência. Se algo não acontece quando queremos, pode ser porque algo ainda melhor nos espera. Afinal, no passado não se ama. Ou se ama agora ou nunca foi suficiente.

10 mitos que aprendemos sobre os homens

10-mitos-masculinos-desvendados-por-estudos-11Se aprendi alguma coisa sobre ser mulher nesses 24 anos de sofrida existência é que homem não presta. Esta é basicamente a nossa única certeza. Honestamente, não sei por quantos dias ainda usarei 38, quando os fios brancos preencherão minhas raízes ou se vou obter sucesso profissional antes dos 40. Mas sei, desde quando me entendo por gente, que “Príncipes não existem” ou que “Ele só queria te comer”, e outros blá-blá-blá’s  que fazem parte do dicionário feminino que justificam, de bom grado, todos os desatinos.

Sabe aquela história que se você der língua e passar um anjo, seu rosto vai permanecer em uma careta pra sempre? (Isso e que se você engolisse chiclete ele ia grudar seus órgãos era o tipo de conto infantil que eu ouvia). Não que o método fosse apropriado, mas essa espécie de ameaça é que fazia uma criança malina “quietar o facho” – e eu era o capeta em forma de guria. Seguindo essa linha de raciocínio, muitas vezes, a gente ouviu de pessoas mais experiências, mais vividas  – e mais fodidas pela vida – que homens eram todos iguais. Mas e se eu te disser que a ciência prova o contrário? Que sua vida inteira foi uma farsa? Que a Vovó Mafalda era homem? Que o Vingador era filho do Mestre dos Magos? ONDE ESTÁ SEU DEUS AGORA, HEIN?

1) Eles não dizem “eu te amo” primeiro

A gente cresce acreditando que homem demora a se apaixonar, mas no entanto quando se apaixona é pra valer. Que o sentimento deles é uma conquista verdadeira, e uma vez que caem nos nossos encantos, os temos em nossas mãos (e que esse é o sonho de 9 em cada 10 meninas). Acontece que uma pesquisa realizada pela psicóloga Marissa Harrison, da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA), constatou que eles não só se apaixonam antes (levariam só semanas, já as mulheres levariam meses pra se envolver) como também dizem “eu te amo” primeiro, sim. Aliás, o número de homens que se declaram é TRÊS VEZES MAIOR do que de mulheres.

2) Eles não querem ser “donos de casa”

Tudo bem que esse pensamento além de ser machista é bastante provinciano, mas infelizmente de ambos os lados da relação a quem acredite nessa farsa. No entanto, um estudo professora Jacqueline Scott, da Universidade de Cambridge no Reino Unido, concluiu que, na verdade, eles se sentem culpados quando não dividem os afazeres domésticos. Até porque é também crescente a insatisfação das mulheres em relação a companheiros preguiçosos. E todo mundo sabe que mulher feliz, casamento feliz. É isso.

3) Eles acham que lugar de mulher é na cozinha  

Particularmente, eu acho que não há nada mais sexy do que um cara que sabe cozinhar. Quero dizer, além de tocar um instrumento ou cantar bem, talvez. Mas, para minha alegria, eles também concordam com isso. Anne Claypole ao jornal Daily Mail. Gerente de marketing da Ross Burgers, mostrou que 44% dos homens dentre os dois mil consultados preparam todas as refeições familiares porque gostam. E que as mulheres exageram no ato de cozinhar. Não é algo tão ruim assim, vai? Tudo bem que nem todo dia você está com AQUELA vontade de bancar a Master Chef, mas em geral, saber cozinhar é o princípio básico da sobrevivência, não é? Você aprende mesmo que não queira.

4) Elas sempre adotam o sobrenome dos maridos

Francamente, a não ser que meu marido tenha um sobrenome de peso ou muito bonito, eu não vejo motivo para adotá-lo. O que acontece hoje em dia é exatamente isso. Elas só preocupam-se em mudar de nome SE valer a pena. Ou impuser poder. Aliás, eles tem a mesma postura, segundo dados da Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais), já que desde 2002, há um crescimentos de 178% no número de homens com o sobrenome delas.

5) Eles manobram melhor do que elas

De acordo com um estudo realizado em 2012 pela NCP, empresa britânica que gerencia estacionamentos, eles não estacionam melhor. Mulheres podem até levar mais tempo para manobrar, mas encontram vagas mais rápido (todo Santo ajuda nessas horas) e são mais perfeccionistas do que eles. Isso porque o estudo não foi feito no Brasil, já que nesse caso, provavelmente, o país seria proibido de emitir uma carteira de motorista novamente. Venhamos e convenhamos, o nosso problema não é barbeiragem é má educação mesmo.

6) Eles dirigem MUITO MELHOR do que elas

Apesar do quanto essa ideia já está enrustida na cabeça das pessoas, se fosse realmente verdade os homens não pagariam um seguro de carro 30% maior do que elas. Contra fatos não há argumentos, assim prova um estudo entre 2005 e 2009, onde 80% dos acidentes de trânsito de Nova York com vítimas fatais ou em estado grave tiveram motoristas do sexo masculino envolvidos. O problema é que eles são tão seguros de si, tão convictos que possuem essa capacidade sobrenatural e superior no trânsito que se tornam inconsequentes. Aqui se faz, aqui se paga.

7) Eles não surtam com os preparativos do casamento

Se você acha que vai ter o SEU casamento dos sonhos sem consultar seu parceiro, pode tirar seu cavalo branco da chuva. Eles estão cada vez mais participativos nos detalhes, afinal, vai ser um grande dia pra ele também. O negócio é que as mulheres sentem que tem mais direitos sobre as escolhas porque, segundo o estereótipo, veem sonhando com isso desde pequenas. A Austin Reed, especializada em trajes para a ocasião, consultou 2 mil pessoas que se casaram nos últimos cinco anos e revelou que essa premissa já foi descartada há muito tempo. Eles querem palpitar e decidir tudo, sim. Muito mais do que uma sogra intransigente, diga-se de passagem.

8) Eles detestam ir ao supermercado

Isto é, quando o assunto não for churrasco, futebol e cachaça, não é? Que nada! Não que gostem de ser flagrados comprando absorventes para a mulher, mas em geral, eles se divertem escolhendo produtos e comparando promoções. De acordo com uma pesquisa feita pela Co-operative Food, com 2 mil pessoas consultadas, 1/3 das mulheres afirmaram que se atrapalham, enquanto 3/4 dos homens dizem se divertir.

9) Eles só pensam em sexo

Pesquisa realizada na Universidade de Ohio, EUA, concluiu que o homem comum pensa, em média, 19 vezes por dia em sexo. Isso não é MUITO, é? É provavelmente a quantidade de vezes que eu penso em comida. Não quer dizer que eu sou viciada em comer. Ou quer? Enfim, não importa. O apetite sexual é na verdade superestimado. Especialistas acreditam que homens gostam de ressaltar que só pensam nisso pra provar sua masculinidade. Enquanto as mulheres tendem a omitir pra provar que são santinhas. Não seria bom se todo mundo assumisse gostar da sacanagem e vivesse em paz?

10) Homens solteiros não pensam em ter filhos 

O que é engraçado é que as mulheres preocupam-se em ter filho cedo por causa do relógio biológico, pra recuperarem o corpo rápido etc e tal. Já eles passam a pensar mais nisso quando já curtiram tudo que tinham direito. Mas ainda quando jovens entre 21 e 35 anos, mais da metade deles, segundo uma pesquisa da Universidade de Rutgers, EUA, querem ter filhos contra 46% delas que também querem. No entanto, sejamos francas, é MUITO mais fácil para um homem querer ter filho já que sobra pra mulher. Tudo sobra pra mulher, sempre. E quando eles já estão na faixa dos 40 anos, sua vontade de ter filhos aumenta, enquanto apenas 16% delas compartilham da ideia. MAS É LÓGICO, NÉ QUERIDO? Não é você que vai ficar todo estropiado depois de parir. O metabolismo não caminha conforme sua vontade, meu bem.
Resumo da ópera: na maioria das vezes deixamos que as experiências passadas, as histórias vindas de todo buraco, o medo de se envolver novamente e o comportamento dos parceiros de relacionamentos anteriores ditem nossas perspectivas. Por mais que os romances se repitam e apenas os personagens mudem de nome, ainda assim, o melhor que se pode tirar não é uma lição de moral do final, mas os aprendizados do caminho. Sei lá, quando tudo parecer perdido, o amor lhe dará um sentido.

 

 

Fonte

O tempo do amor é não tê-lo.

tumblr_lcq4ydAg8R1qes8zoo1_500_largeEstou vazia. Disso eu tenho certeza, e duvidaria de quem me dissesse que seria assim. Mas já não sinto mais nada, nem mesmo a vontade de me questionar. Catei todos os porquês espalhados pelo chão que trilhavam o caminho que escolhi.

Afinal, foi uma escolha. Se apaixonar é uma escolha; sempre é. Tenho mania de pôr a amor em tudo sem antes saber se vale a pena. Às vezes é o coração que toma a frente, mas nas costas que tomba o peso da derrota.

Me pergunto por onde anda o tempo que não passa por mim. Peço aos céus que traga de volta minha esperança. Preciso mudar, já que me conformar não traz conforto. A dor é tão consistente quanto um casaco de lã, e quando o visto sinto um calor percorrer meu corpo. Mas não passa de um momento até que tudo esteja morno outra vez. Ou frio mais uma vez.

Ando vivendo no meio termo sem sentido, sem senso. Porém, falta é algo que eu sinto. De tudo. Do mundo. De mim. Até mesmo da corda bamba que serpenteava meus medos. Sempre fui uma avalanche de caos maciço na medida certa dos meus planos. Carrego apenas o que posso prever. Prevejo apenas o que posso entender. Às vezes, trapaceio, confesso. É difícil não encher com ilusões um balão de expectativas. Ora flutua, ora estoura.

Por fora, sorrio. Por dentro, permaneço histérica à procura de uma forma para recomeçar.

Em que curva seu destino colidiu com o meu? Deveria ser assim ou somos mera consequência da nossa displicência em se entregar?

Ando em tons de cinza padecendo de uma confusão interna. Perdi as cores, perdi o controle.

Sou o resto.

Sou réu de amor confesso.

Sou mel de amor disperso.

O que elas realmente querem deles?

mensagens-sobre-amor-sincero-5Honestamente, eu não me lembro de ter tido em outra época tantas amigas solteiras ao mesmo tempo. Aliás, há cerca de um ano, a impressão que eu tinha é que a vida estava afunilando. Quero dizer, meus amigos mais antigos – aqueles casais que se formaram ainda no colégio – estavam casando, noivando, comprando apartamento, engravidando. Enquanto eu me confortava na ideia de ser nova, de não precisar ter pressa. Mas, francamente, eu não sou tão nova assim, e um ansioso tique-taque ricocheteia o meu peito. Muitas vezes, me senti atrasada, problemática, histérica. Mas nada que boas noites de vinho não resolvessem, diga-se de passagem.

Acontece que da noite pro dia várias amigas minhas terminaram seus relacionamentos. Para algumas, um choque; sem mais, nem menos. Dormiu dois, acordou uma. Para outras, um alívio; a espera do estopim que levasse ao fim já havia se tornado um martírio. Às vezes, você se acostuma com as coisas do jeito que estão e para de se questionar se é o melhor que pode ter. Ou ainda, se você é o melhor que pode ser por alguém. E isso vale para todos os casos.

Não deu outra e o assunto em qualquer oportunidade se tornou os motivos que desencadearam o término, os sentimentos que as envolviam e as expectativas quanto a vida de solteira. No início, qualquer amargura era entornada de uma vez só como uma dose de tequila. Na insistência de se fazer sentir feliz, não se sentia mais nada. Nem mesmo dor.

No entanto, à medida que o tempo costurava as rupturas mais profundas, velhas cicatrizes, até então esquecidas, latejaram novamente. Era a sensação de “menos um” ou de “não foi dessa vez”. Mas quando será, afinal de contas?

Mesmo quando já convictas que há males que vem para o bem, minhas amigas, ainda não sentiam confiança. Ou seja, você pode até saber sem pestanejar os erros e acertos da sua relação anterior, mas isso não vai fazer com que as próximas sejam mais fáceis. Tornar-se frígida não é maturidade. Tornar-se orgulhosa não é se valorizar. E de tanto buscar em qualquer faísca de compatibilidade a chance de acender uma história, de certa forma, o sentimento congela. Coração de gelo é tão frio quanto frágil.

A verdade é que inevitavelmente o tempo nos torna mais exigentes. Cavalheirismo perde a pose de bom moço munido de rosas e chocolate e dá lugar aquela cumplicidade de quem se interessa em saber como foi seu dia. Romantismo deixa de lado a exposição em redes sociais e se torna um café da manhã na cama em um dia sem absolutamente nada de especial. O próprio ciúmes, tantas vezes já usado como termômetro da relação, é trocado pela liberdade de ir e vir sem a obrigação de ficar. O que elas querem é se sentirem valorizadas.

Daqui pra frente não dispomos mais do privilégio de estar com alguém apenas pela covardia de ficar sozinha. Se tudo acontece por uma razão, o amor existe pela intenção de quem quer fazê-lo acontecer. Não tem mistério, mulheres só buscam um amor sincero.

Você é um frango de academia?

tumblr_mhi0baoNjG1r1csg3o1_500_largePois bem, resolvi voltar à academia. Não porque eu quero, obviamente. Mas a sociedade me oprime, e sou forçada. Já havia me dado conta há alguns anos que das poucas certezas que eu tenho na vida (preciso respirar, vou engordar e vou morrer) a única mais difícil de se esquivar do que a morte é a vida fitness. Primeiro porque virou uma epidemia, começou com alguns dos meus amigos malhando por saúde, e de repente, se tornou uma geração inteira abandonando empregos, faculdades, cidades, cônjuges e filas de drive thru do McDonalds, falando sobre superação, força e foco e se autointitulando adeptos a um novo estilo de vida. Para todos esses, só tenho uma coisa a dizer: NÃO ESTOU DISPOSTA.

Então, não adianta, eu malho por estética – ou na humilde esperança de não piorar o que a genética me condenou. Ok, eu também malho por saúde, o sedentarismo estava me matando aos poucos. Não gosto e, principalmente, não vejo mérito algum nessa filosofia de vida. E admito sem o menor pesar na consciência. Aliás, devo acrescentar que eu DETESTO quando me deparo com um cara que só fala sobre treino, músculos e batata doce. Honestamente, pra mim, ele é como aquelas pessoas que “pregam a palavra de deus” em qualquer lugar, a qualquer hora e aos berros. Em outras palavras, inconveniente. Você só deve falar pra quem quer ouvir, quem procura ouvir. Não é meu caso. Perdoe. Prefiro um cara que malha só pra não ter o condicionamento físico de um velho de 70 anos (contanto que não tenha problemas de obesidade e afins) e exercita a mente com a curiosidade de uma criança de 12. Uma ficha de academia não tem o mesmo peso de um diploma, queria só dizer isso.

Inclusive, já saí com um indivíduo bem característico desse meio (big mistake!) que me perguntou assim:

-Aí, cê tá afim de comer carboidrato ou proteína?
– Não sei. Talvez sushi. Mas pizzazinha também me cairia bem. – tentei ignorá-lo pra ver se passa.
– Ó, se for sushi a gente pode ir depois do filme, mas se for pizza tem que ser agora porque depois das 20h não como mais carbo. Sabe, ne? – passou a mão no próprio abdômen – Manter a forma. – deu uma piscadela.

Fiquei tão chocada que passei um minuto em silêncio por minha alma que morreu de desgosto. ATÉ QUE PONTO CHEGAMOS, BRASIL!!!

Prefiro morrer, mas obrigada pela sua companhia, fofo.

Prefiro morrer, mas obrigada pela sua companhia, fofo.

Acredito que eu não seja a única que me sentir chicoteada no mármore do inferno quando tem que fazer agachamentos guiados, já que minhas próprias amigas admitem que isso não é vida. São satisfeitas com o corpo, mas não com o que fazer pra tê-lo. Mas é aquela coisa, pra ter resultados precisam haver sacrifícios. Cada qual com suas prioridades, não é mesmo? E você se acostuma, isso é um fato.

O que me lembra aquela Bella Falconi que, por acaso, eu achei no instagram um dia (quando estava tentando me motivar a malhar) e decidi segui-la por causa de seus textos, e não por suas fotos, a propósito, horríveis. O corpo dela, ao meu ver, era medonho. Mas cada um com seus cada qual, enfim. Daí um dia ela publicou um textão falando que às vezes era chamada de louca porque não bebia (até aí, tudo bem) e LEVAVA CARBOIDRATO EM GEL PRA BALADA. Car-boi-dra-to-em-gel. Sério. QUE BOSTA É ESSA?!

Eu, particularmente, tenho um defeito que me acarreta vários inimigos: não me interesso por gente muito conservadora. Gente que não bebe, não fode e não fica muito doido, eu já olho torto. Como confiar em alguém assim? (Tenho uma teoria de que pessoas que não experimentam essa vulnerabilidade em relação as suas atitudes causada pelo álcool temem a si mesmas e até onde podem chegar). Mas, contanto que seu conservadorismo não me recrimine, nem tente justificar qualquer infelicidade da vida alheia com a frase “mas é porque ele não é como eu”, ficaremos bem. Aliás, podemos até ser grandes amigos, afinal, o nome disso é respeito mútuo. Ou cada um no seu quadrado.

Então, eu achei a tal da Bella o cúmulo da alienação em prol da estética. Porque, JAMAIS NA GALÁXIA, o estilo de vida que ela tinha envolvia saúde. Tem um nome pra isso, sabiam? Vigorexia. Ela chegava a levar batata-doce para restaurantes, não colocava molhos nas saladas para não engordar e enxugava o frango no guardanapo mesmo que ele fosse apenas grelhado. Mas quem sou eu pra falar, afinal de contas? Também sou obcecada por emagrecer e já usei métodos completamente errados para isso, porém esse é um assunto pra outro texto. “Disciplina é algo que você odeia, mas mesmo assim o faz como se estivesse adorando”, já disse Mike Tyson. (Ou talvez Clarice Lispector. Não dá pra confiar no Google).

Vamos em frente…eis que um dia ela simplesmente LARGOU esses hábitos. Segundo a Bella, estava escrava do seu corpo. Sabia! Até porque se meus regimes também funcionassem, eu não precisaria usar táticas cada vez mais drásticas a cada tentativa. Contudo, insanamente eu não desisto. Mas essa é vida é muito longa pra não se ter prazer algum, e muito curta para aproveitar todos. Uma hora, você surta. Fato. Principalmente,  no mundo virtual que vivemos: somos o que curtimos, o que aparentamos, o que seguimos. Honestamente, quando olho o instagram de algumas pessoas – aquelas que fotografam TUDO e fingem que tem feeling pra coisa – eu imagino o quanto ela deve ser infeliz por dentro, e solitária. Não tem como alguém que vive com o celular na mão aproveitar uma interação olho no olho cem por cento. Basta olhar a sua volta, pessoas deixam de conversar cara à cara pra ficar de piadinhas em grupos de whatsapp. Sabe o que é isso? Um gordo nerd viciado em vídeo game (me desculpem pela comparação pejorativa, aliás). Sério, falo sério. É o mesmo comportamento! Ele se abstém da realidade pra viver a sua própria fantasia, afinal, nas redes sociais (ou em jogos online) todo mundo é bonito, rico, amado e feliz. (Quem já deu cheat motherlode no The Sims me entende)

Circulando pela internet já vi vários textos que condenam os frangos de academia – o que, pelo o que eu entendi, trata-se de pessoas que buscam mais o status da treino do que os benefícios em si. Eu entendo, e traduziria isso em: benefícios desvirtuados pela aparência. Nada que, como já citei acima, as redes sociais não façam também. Fazer o que, né? É a vida. Mas o que mais me chocou foi uma espécie de manifesto “Diga NÃO aos turistas de academia” (aqui). Claro que expressa a opinião de uma pessoa só (que francamente não merece sequer ser posta em pauta), mas me fez pensar se esse não é o tipo de conversa tida entre uma série e outra, sei lá.

Ou seja, essa galera alienada e narcisista com mania de perseguição (já que acha que todo mundo tem inveja do seu corpitcho ou da sua disposição regada a uma série de comprimidos) taca o pau em quem resolve malhar porque o carnaval está chegando, porque vai casar, porque precisar caber no vestido de formatura. Quero dizer, pra eles, se você não leva a coisa a sério ou tem um objetivo a curto prazo, NÃO MERECE estar entre eles. pffff

NÃÃÃOOOO ESTOOOOOUUU DISPOSTAAAAAAAA!

Claro que eu estou generalizando, logo, antes que ponham palavras nos meus textos: eu não estou dizendo que todo mundo que malha com essa determinação tem o mesmo preconceito cujo qual estou me referindo, ok? Obrigada. De nada.

O que eu quero dizer é que malhe pelas SUAS razões. Saúde, estética, sei lá o que for! Se você trabalha com isso, compete ou se a academia é tua heroína, tudo bem, entende? Mas não encha o saco das pessoas, nem se ache melhor do que os outros por conta disso. Músculos não ditam capacidade. Você não é especial porque levanta peso e, principalmente, porque adotou isso como foco. E parem com os sermões do Facebook que, ao meu ver, fazem chacota com os profissionais (educadores físicos, nutricionistas etc) sobre o assunto e dão a falsa ideia que qualquer um pode entender tanto quanto eles. A humanidade agradece.

Homens, vocês estão perdendo suas mulheres.

tumblr_lg9acuFpkR1qg5gn2o1_500Quem me conhece sabe que não defendo em nenhuma hipótese qualquer estereótipo que acentue o “papel” do homem mesmo que seja bom. Tampouco da mulher, diga-se de passagem.Até o velho príncipe não me atrai. E também não sou de forma alguma preconceituosa quanto a orientação sexual. Mas eu tenho outros preconceitos, sim, dentre os quais se destacam: homens que batem foto no espelho levantando a camisa, homens que só falam sobre academia e pagam pau pra outros homens que só falam sobre academia e homens que batem selfie.

Honestamente, o que há com vocês, homens? Quando se tornaram compulsivos por seus corpos após o treino, seus olhos apertados fingindo-que-acabaram-de-acordar e seu perfil de óculos no carro? E aqueles biquinhos com sobrancelhas arqueadas? E por que ninguém mais usa camisa em foto? Pra mim, vocês perderam a autenticidade, a espontaneidade.

Nem de longe quero bancar a puritana. Embora eu ache que entre a arte da fotografia e o exibicionismo há um abismo que a maioria das pessoas se afunda – principalmente se lhe garantir um punhado de curtidas. A impressão que eu tenho é que a geração selfie está ganhando espaço em uma artimanha utilizada até então pelas mulheres. Homens batem foto desde sempre, ok. Inclusive nus, ok. Mas venhamos e convenhamos, sem tocar no assunto do tabu da indústria pornográfica com as mulheres (até a relação entre duas mulheres é feita para os homens), revistas de homens nus são, em sua maioria, vendidas para homens. Não sou eu que estou dizendo; contra dados não há argumentos. Também tem aquela história de que homens são mais visuais e mulheres mais emotivas (veja aqui), de modo que não precisam ver, assim como os homens, pra se estimularem. Mas nunca se sabe até que parte é verdade ou se é consequência do preconceito, enfim.

Então, o que ganha um cara ao se exibir dessa forma nas redes sociais? Neste momento, me odeio por me expressar de uma forma que acho ser preconceituosa demais para o meu gosto. Mas eu não consigo não me questionar sobre o que passa na cabeça desses caras. Quando eu olho o perfil na rede social de um cara, e pode ser o mais bonito do mundo, se estiver lotado de selfies, efeitos exagerados e partes do corpo aleatórias, a primeira coisa que eu penso é “Caramba, ele se acha muito lindo, só pode”, e automaticamente eu o descarto. Ou melhor, pego abuso. Não consigo me sentir atraída por um cara que está constantemente preocupando-se com o que as pessoas pensam dele (principalmente quando sequer conhecem metade daquelas que o seguem).

No início do ano, uma pesquisa revelou que homens que batem muita selfie tem tendência à psicopatia, além de um notável narcisismo, mas não revelaram haver nenhum risco nisso (aqui). Já outra pesquisa constatou que homens são, sim, mais narcisistas que as mulheres (aqui). Ou seja, tudo leva a crer que a geração selfie já tinha outros meios de se enaltecer porque tem vontade de poder, exibicionismo e a ideia de que merecem tudo. E com a epidemia de redes sociais em que qualquer investimento publicitário te transforma em um famoso-modelo-ator sem que sequer precise merecer encontraram o ponta pé perfeito. Em outras palavras, aparentemente eles não se tornaram assim, mas sempre foram e simplesmente agora tem um meio de evidenciar isso. Mas narcisismo, apesar de emanar uma confiança invejável e uma autoestima inabalável, como qualquer outra coisa na vida, por se tratar de um excesso não é bom.

“O narcisismo está associado a várias disfunções interpessoais, como a falta de habilidade para manter relacionamentos saudáveis a longo prazo, comportamento antiético e agressividade”, disse Emily Grijalva, de acordo com um estudo publicado no jornal Psychological Bulletin.

A questão é que se eles fazem isso para conquistar mulheres (ou homens, quem sabe) estão fazendo errado.

E vou falar pela parte que me toca: nós não precisamos de corpos sarados tanto quanto precisamos ouvir que estamos lindas assim que acabamos de acordar. Não precisamos de uma reeducação alimentar tanto quanto precisamos de uma boa conversa no jantar. Não precisamos ver uma barriga tanquinho tanto quanto precisamos de companheirismo. Não é a sensação de ter conquistado alguém “muita areia pro nosso caminhãozinho” que nos conforta, mas saber que aquele alguém todo dia nos conquista de alguma forma. Sentir-se atraída é importante, mas atração não tem necessariamente a ver com beleza. Amor verdadeiro não é sobre tesão, não é sobre vontade ou querer, é estar com quem nos desperte o melhor. É ter alguém que seja o nosso “eu nunca senti isso antes”.