Ana Clara e Rodrigo.

Essa é a história de Ana Clara e Rodrigo, mas não é uma história pra quem acredita em destino.

Dentre todas as cidades, dentre todos centros empresariais, dentre todas as agências de publicidade, dentre todas os andares, dentre todos os setores, dentre todas as salas, Ana Clara, em seu primeiro dia, sentou na mesa ao lado de Rodrigo. E dentre todas suas possíveis reações com a presença da novata, ele a recebeu com um sorriso. Que sorriso! Diz ela que quando o viu de bochechas vermelhas e olhos comprimidos já soube: era ele. De alguma forma, era ele. Rodrigo havia despertado um sentimento em Ana Clara que alguns chamariam de paixão. À primeira vista mesmo, sabe? Nua, crua, quase imaculada. Outros, quem sabe, chamariam de imaginação.

Há quem não acredite que essa paixão de fato exista, mas não Ana Clara, ela cegamente acreditava. Aliás, de tão cega que se fazia já havia se apaixonado por qualidades que nunca viu. O que tornava louvável seu terrível esquecimento que a levava a insensatez romântica. Você sabe, isso não é de todo ruim, afinal, se você nunca tivesse se esquecido da sua primeira decepção como encontraria forças para se apaixonar de novo? Então, podemos dizer que era essa paixão que movia Ana Clara a um ponto de, muitas vezes, ela perder o controle da própria vida.

Contabilizando foram três cafés nos intervalos, um happy hour na sexta feira, dois encontros casuais no elevador e uma carona numa noite chuvosa. Mas, para Ana Clara foram dois meses. Dois incríveis meses em que ela o conheceu melhor, que soube que ele também adorava The Rasmus e lia Fitzgerald na fila do banco, que coincidentemente frequentavam o mesmo bar há anos e nunca sequer tinha se visto. Ana Clara logo imaginava que não era pra ter sido antes, não devia ter sido antes. Tinha que ser agora, tanta pista do acaso assim só podia ser destino.

Quando Ana Clara o via se iluminava, abria um sorriso, cantarolava mentalmente. Estava na cara o quanto ela se bastava na presença dele, dizia ela. Rodrigo sabia, não sabia? Quer dizer, homens sentem essas coisas assim como as mulheres, não é? Não era possível que ele nunca tivesse notado a informalidade dos e-mails dela ou a delicadeza com que lhe preparava um café e como já havia notado seus favoritismos ou como se entorpecia ao ouvi-lo dissertar sobre qualquer coisa. Não era possível que os sinais que ela dava não fossem vistos e sentidos por ele, era?

“Coloque ele na parede, chame-o pra sair. Faça alguma coisa!”, uma amiga lhe disse. Mas Ana Clara já havia se acostumado com esse sentimento e com o conforto que sentia em tê-lo por perto; não queria assustá-lo, não queria afastá-lo. Por isso, sequer percebia os meses que se passavam. Aliás, sinceramente, ela nunca foi boa com horas, nem com o tempo. Tinha uma inenarrável mania de atraso, quase um carma, em que poderia culpar a deus e ao mundo menos a si mesma. “Você não consegue controlar seu tempo porque não controla sua vida!”, seu pai sempre lhe dizia. Ana Clara já estava acostumada em se deixar levar pelo tempo, e não em leva-lo consigo. Ela ainda não havia percebido que o único tempo que lhe pertencia era o agora, tanto é que vivia perdida entre o “ontem eu devia ter feito” e o “de amanhã não passa”.

Certa quinta feira não foi diferente, chegou muito atrasada ao escritório com seus projetos deixando rastros pelo chão e sua respiração ofegante. Mas, ironicamente, por sorte ninguém a notou pois estavam envoltos do Rodrigo. Algo de incrível havia acontecido. Quando Ana Clara percebeu que o assunto era ele abriu espaço entre as pessoas para vê-lo. Não pôde evitar, sua cabeça estava a mil. O que ele podia ter feito? Será que fora promovido? Será que havia feito algo para ela? O que quer que fosse Ana clara imaginava que fosse deixa-la feliz.

No entanto, não foi exatamente assim que se sentiu quando viu reluzir uma aliança em seu dedo. Rodrigo ficara noivo, e Ana Clara ficara aos cacos. Correu o mais rápido que pôde ao banheiro onde passou uma boa hora aos prantos no repeat de sua playlist da Taylor Swift. “Você devia ter falado com ele sobre isso! Sobre vocês! Eu te disse o tempo todo…”, sua amiga lhe dizia ao telefone. Ana Clara então percebeu que realmente devia ter feito algo. Aliás, que talvez ainda pudesse fazer algo. Não era tarde, não podia ser tarde. Recuperou-se, limpou a maquiagem, se recompôs e voltou ao escritório. Chamaria Rodrigo para almoçar, abriria o jogo com ele, o questionaria como fora capaz de dar esperanças a ela se estava com outra, como pôde brincar com seus sentimentos e tantas outras coisas que não podia enumerar sem cair em choro.

Acontece que Rodrigo já havia saído para almoçar e por essa Ana Clara não esperava. Ele fora cedo demais, ela sabia todos seus horários. Devia ser o destino lhe pregando uma peça, lhe castigando por ter se acovardado por tanto tempo. Aproveitou-se da situação pra pensar melhor. Resolveu ir a sua livraria preferida, abstrair um pouco a mente e no final do expediente falaria com ele. Não era tarde ainda, não podia ser tarde.

Dentre todos os caminhos, dentre todas as ruas, dentre todas as curvas, dentre todos os sinais, dentre todos os carros, o que estava parado na sua frente era do Rodrigo. Ana Clara paralisou-se e vibrou baixinho. Isso, destino! Era agora, tinha que ser agora. Isso era um sinal, isso era uma resposta. Isso era uma ajudinha divina. Só podia ser. Precisava chamar a atenção dele, precisava pará-lo, precisava falar com ele, precisava dele. Pôs o pé no acelerador, bateria em sua traseira fingindo displicência, trocariam os números de celular, teriam que se falar fora do expediente e eventualmente falariam deles. Era isso, tinha que ser isso. Quer dizer, se a vida lhe der limões, você faz uma limonada, não é isso que dizem? O destino estava lá, agora era a vez dela.

Talvez, se tivesse feito isso há alguns meses eles tivessem saído juntos como casal. Talvez tivessem ido ao cinema. Talvez, ele segurasse sua mão pela rua na saída e lhe beijasse a nuca. Talvez, ela tivesse conhecido seu apartamento que já havia idealizado pelas descrições. Talvez tivessem acordado lado a lado e chegassem ao trabalho juntos. Talvez preparassem o almoço um do outro pois não esperavam por outra companhia. Talvez, ela passasse a acompanha-lo em suas corridas pós expediente. Talvez, ele a visitasse de surpresa nos sábados. Talvez perdessem noites em discussões sobre seus interesses em comum. Talvez, ela já tivesse se desfeito daquela gravata azul dele que odiava. Talvez, ele elogiasse seu corte de cabelo da semana passada. Talvez, ele enfim admitisse o que sentia por ela. Talvez fosse ela agora com uma aliança dele. Ou talvez era pra ser assim, e a história deles começaria agora.

Mas Ana Clara só despertou do seu devaneio quando ouviu o motor do carro de Rodrigo rugir, e sua figura diminuir rapidamente até sumir da sua frente. Com as mãos trêmulas e o coração na mão, ela ainda estava parada no sinal. Bateu com a cabeça no volante pela raiva que sentia de si mesma por mais uma vez ter se contentado com a imaginação. Ela sabia que era paixão, então porque se deixava levar pela fantasia? Cuspiu três palavrões ao vento, tateou o Cigarro De Emergência no porta-luvas e soltou o freio de mão. Sentia-se fraca, sentia raiva, sentia medo. Sentia que não iria mais atrás, que isso era um outro sinal e que o destino havia lhe pregado outra peça. Jamais acreditaria nele novamente, que fosse para o inferno toda sintonia, astrologia, compatibilidade e as coincidências.

Um estrondo a fez soltar o cigarro da boca e sentir a força do cinto em seu peito. Olhou pelo retrovisor em fúria. Sinceramente, isso era só o que faltava mesmo para acabar com seu dia! Desceu do carro pisando forte, mas ainda de pernas bambas. Talvez fosse castigo, carma. Ou talvez fosse o acaso, mas quem batera em seu carro e, dentre todas as reações possíveis lhe ofertou um sorriso junto ao seu telefone rabiscado em um cartão fora Jorge da sala ao lado da sua. E que sorriso!

Essa é a história de Ana Clara e Rodrigo, mas não é uma história pra quem acredita em destino. Essa é uma história pra quem acredita em amor e persegue o destino.

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Não é possível que não mais exista algo de mim em você.

Eu falei de você da melhor forma que pude. Omiti os teus defeitos, enalteci teus trejeitos. Eu não poupei teu nome em nenhuma conversa. Eu fiz tudo pra não te tornar passado. Eu tentei enquanto ainda doía não acreditar que fosse o fim. Insisti com minhas dores que a campainha ia tocar aquela noite. Desisti de outros romances na certeza de que ainda vivia uma história. Eu tornei verdade a maior mentira que já havia contado a mim mesma. E a culpa foi minha, eu sei. Ninguém me ensinou a seguir em frente. Talvez porque não seja algo que se pode ensinar. A gente tem que sentir. Na pele, na cara, no sangue. Mas, sobretudo, na dor.

A verdade, meu bem, é que eu nunca perdi a esperança. Nem de você, nem de nós. Sempre acreditei que você viria de alguma forma pra unir nossos percalços e dar um basta à minha espera. Acreditei impiedosamente que compensasse engolir todo pranto que o tempo abatesse por um romance que ainda iria viver. E mesmo agora que me sinto cansada, derrotada, eu não quero desistir de você. Tenho essa ridícula mania de ser otimista, de acreditar em sintonia, e no quanto eu quero que você exista.

É possível que eu tenha criado o carinho que via em seu sorriso? É possível que eu tenha forjado insinuações nas nossas meias conversas? Não era você ou nunca foi você?

Tento falar sobre as todas as coisas que amei, que eu amo, e que nem são coisas, mas são parte de mim. Tento falar sobre tudo que eu sinto, inclusive, o nada. Tento falar pra acordar minha alma. Eu só tento; eu não sinto. Porque agora o sentido que eu via se esconde. E eu cavo fundo nas entrelinhas obscuras do que escolhi ser, mas não te acho. Não me acho. Não lembro quem eu era sem você.

Culpo a minha mãe, as comédias românticas, e o afeto público desvairado, quase induzido. Peço, pelo amor de Deus, que o lado bom não exista. Mas me ensinaram a pensar positivo e agora não sei o que faço pra guardar rancor. Seria mais fácil, não seria? Se eu não conseguisse me lembrar do sol que esculpia teu rosto dentre a barba seria mais fácil. Se eu conseguisse me apegar a raiva que me fazia com sua teimosia em estar sempre certo seria mais fácil, não seria?

Tranco a porta do quarto, escondo o retrato da felicidade que nunca existiu. Massacro minha alma com a lembrança da sala preparada pra te receber. O filme que você gostava, eu não assisto mais. A música, a nossa cara, é trilha sonora de terror. Repudio esse sentimento de tormenta. Abomino essa saudade angustiante e insensata de um recomeço. Eu não mereço.

Desejei por tanto tempo uma fórmula que acreditei em tudo que me disseram. Vaguei no espaço-tempo das mensagens entre minha vontade de tomar a iniciativa. E soletrei as palavras do teu silêncio no desejo latente de te roubar mais um beijo. São coisas que só o breu proporciona ao apogeu do sentimento – ou da falta dele. Lutei contra o sussurro da tua voz que cochichava ao pé do meu ouvido o que nunca pôde me dizer. Sequer eu te culpo por isso. Estive louca, estive cega. Eu te fiz a minha vontade e te condenei pela liberdade de não ser quem eu queria.

 

Por onde andam suas pernas quando não cruzam com as minhas?

Como chegamos ao ponto dos desencontros pontuais?

O que dirá de mim em outras línguas quando sabemos que só uma basta pra me satisfazer?

O que esconde sua boca quando beija outras coxas?

 

Não é possível que não mais exista algo de mim em você.

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ESTÁ NO AR! – Manual do Borogodó #1

Vida de solteira é o primeiro video pra falar mais um pouco das artimanhas que você deve conhecer pra alcançar o sucesso. Ou apenas cortesias. Ou os dois.

Se inscreva pra não perder o próximo video, compartilhe, dê joinha e nos ame!

Prometo que não vou ser tão apelativa desse jeito nos próximos… Ou não.

NUNCA SABERÃO! HAHAHA

Ok, parei.

Mas antes disso, GANHE DINHEIRO CLICANDO AQUI.

 

 

Sério? Você caíram nessa? tss…

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ESTRÉIA – Manual Do Borogodó!

Há um tempo eu vinha pensando sobre criar um canal no Youtube, inclusive, manifestei essa vontade aqui no BC, mas tive vários receios – e vergonha – de colocá-lo em prática. Os principais motivos são muito simples 1) eu sou muito mais inteligente escrevendo (pra fazer uma comparação justa, quando eu escrevo é como se tocasse Mozart na minha cabeça e enquanto eu falo pessoalmente toca funk), 2) sou dentuça, gorda e descabelada. Então, ser vista nunca foi uma das minhas pretensões, mas a gente tem que se adaptar ao mercado, nadar conforme a maré, sacomé, né? Daí chamei uma amiga minha, a Taissa Mendes (@taissamendes) pra participar desse projeto.

A ideia era criar um manual de dicas, de relacionamentos, de papo feminino, tipo, macho, cerveja e balada. Coisa bem de mulherzinha, sabe? E tentar passar com humor as coisas que levamos anos para aprender. Uma versão falada dos meus textos, sem tanta frase de impacto, infelizmente.

Enfim, o MANUAL DO BOROGODÓ vai ao ar hoje (terça feira, 14 de outubro) as 19h. Aêê!

borogodo

Então, fiquem ligados na telinha (sempre quis dizer isso), acessem nosso canal @manualdoborogodo (e inscrevam-se, claro) pra não perder as novidades.

Quem puder compartilhar vai nos ajudar muito e, além disso, eu agradecerei publicamente quando estiver no meu arquivo confidencial no Faustão, até porque mesmo esse projeto NÃO SERIA POSSÍVEL sem o apoio de vocês!

 

Muito obrigada mesmo! E até mais tarde.

 

p.s: MEU DEUS QUE POST ESTRANHO!!

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5 sinais de que vocês precisam conversar.

“Precisamos conversar.”

Essas duas palavrinhas juntas são capazes de causas desastres maiores do que a queda da bolsa de valores com mais um governo petista. (Calma, calma, não vai ser um texto sobre política. Eu juro!) Tudo porque o “então” do relacionamento chega para todos, mas infelizmente em momentos diferentes. Enquanto o relógio biológico da mulher está a todo vapor, o do homem dá umas travadas, mas como diz o ditado “até um relógio quebrado está certo duas vezes ao dia” e assim eles conseguem se encontrar, se encaixar e se aturar com muito amor. Reza a lenda. Em tentativas sutis – ou não – de acelerar o processo, as mulheres tendem a instiga-los assim:

Ela: Todo mundo comenta que a gente tá namorando…
Ele: A galera fala demais, né? Nunca vi tanta preocupação com a vida dos outros.
Ela: Mas qualquer um pensaria isso, já que estamos sempre juntos.
Ele: Mas isso não é da conta de ninguém.
Ela: Mas não é culpa deles! Afinal, já faz um tempo que a gente tá junto, né?
Ele: É? É…
Ela: Pois é, são 2 meses e 14 dias..
Ele: Sério? Legal.
Ela: Então…
Ele: O que?
Ela: A gente, você sabe… Tá namorando?
Ele: Que diferença faz?
Ela: Como assim que diferença faz?! Faz TODA diferença.
Ele: Só pra você pôr no Face?
Ela: Não! Quem falou de Face? Só pra eu saber.
Ele: E você não sabe?
Ela: Sei! Quer dizer, acho que sei…
Ele: Então.
Ela: Então o que?
Ele: Vai começar de novo?

Mas nem sempre dá certo. Daí elas se perguntam se estão ansiosas demais, apressadas demais ou se ele que não está tão interessado assim. E começa uma caçada involuntária em busca de algum sinal de que seja o momento certo pra encosta-lo na parede – com uma arma na cabeça – e só libera-lo mediante o pedido de namoro. Tem gente que é assim.

Sendo assim, aqui vão algumas dicas pra você avaliar se já chegou o “então” do seu relacionamento ou se o que você procura é sarna pra se coçar. No estilo teste da Capricho – porque eu sou uma eterna adolescente – marquem o item A ou B e vejam o resultado no final. Não vale manipular, hein?

 

1)      Final de semana juntos.

Gata, é claro que eu prefiro sair com você, mas já combinei a pelada com os bródi.

Gata, é claro que eu prefiro sair com você, mas já combinei a pelada com os bródi.

Como andam seus planos para o final de semana, feriado e afins? Quer dizer, vocês tem planos SEUS ou cada um tem os seus? É importante observar se você é incluída automaticamente nos planos dele ou se você tem que se insinuar pra ver se ele convida. Sim, eu sei que você faz isso. Veja bem: uma coisa é uma coisa, outra coisa é psicopatia, ok? Por exemplo, vocês combinarem uma viagem juntos é uma coisa, vocês por coincidência se encontrarem em uma viagem e ficarem juntos é outra coisa totalmente diferente, mais comumente conhecida como: conveniência ou “eu não tô fazendo nada, você também, que mal há bater um papo assim gostoso com alguém?”. Então, em suas conversas vocês:

A)     Ainda se perguntam “fazer o que no fim de semana? ”.

B)      Vocês JÁ SABEM que estarão juntos independente do que forem fazer.

 

2)      Como você se chama?

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Isso não quer dizer que a forma com que vocês chamem um ao outro enquanto estão trancafiados entre quatro paredes conte. Hum-hum, não conta de nada. A questão é: como você tem o número dele salvo no seu aparelho telefônico móvel e como ele tem você?

A)     Nome e sobrenome, é claro. De que outra forma poderia ser?

B)      Apelido íntimo seguido de corações e emoticons vomitado arco-íris e purpurina.

 

3)      Domingos em família.

Olá? Tem alguém aí? Não? Ok.

Olá? Tem alguém aí? Não? Ok.

Citei o domingo, mas pode ser qualquer outro dia ou feriado em que a família de ambos se reúna, como Natal ou Páscoa. O dia em que o tio do pavê aparece, a avó com histórias constrangedoras sobre a sua infância, a tia bêbada e solteirona, enfim, todos os personagens mais hilários que só mesmo quando há muita intimidade entre o casal, não há vergonha de apresenta-los. Nesse caso…

A)     Vocês compreendem que é um momento de família em que cada um tem que passar o dia com a sua, já que tem vários outros dias que podem se ver.

B)      Vocês sempre vão de uma casa pra outra, ou seja, um já conhece todos os membros da família do outro. Inclusive, já é esperado a comparecer na reunião.

 

4)      Eventos sociais.

Gata, não me espere acordada! Vlw, flws!

Gata, não me espere acordada! Vlw, flws!

Casamentos, bodas, 15 anos, formaturas, ou seja, eventos que precisão de uma confirmação prévia dos convidados porque, geralmente, as senhas são contadas.

A)     Vocês avisam um ao outro quando vai ter um desses eventos importantes pra justificar a ausência no dia.

B)      Vocês avisam um ao outro pra que não marquem nada no mesmo dia.

 

5)      Escovas trocadas.

Tudo que é meu é seu, meu docinho de maçã verde!

Tudo que é meu é seu, meu docinho de maçã verde!

A questão é se a casa dele guarda algum resquício da sua presença e vice e versa ou se vocês sempre têm uma malinha pronta que vai e volta toda vez que se veem.

A)     Deixo as coisas no carro pra facilitar, caso tenhamos algum imprevisto.

B)      Já tenho uma gaveta na casa dele.

 

6)      E os amigos?

Pessoal, essa é Kimberly, minha...amiga!

Pessoal, essa é Kimberly, minha…amiga!

A aceitação nos grupos de amigos é fundamental, mas pra isso, obviamente as pessoas tem que se conhecer, interagir. Como funciona isso entre vocês?

A)     Geralmente, vocês saem sozinhos, mas ele já arriscou sair com os teus amigos, no entanto, você nunca saiu com os dele.

B)      Vocês já conhecem os amigos um do outro e inclusive, já tem uma relação fraternal com eles e chamam-se por apelidos e abraçam-se quando se veem.

 

Se você marcou mais A):

É completamente obvio que vocês gostam de ficar, se veem com frequência, mas ainda não se assumiram. Na verdade, mesmo que um dos dois já esteja totalmente dentro desse relacionamento, enquanto o outro não quiser, não irão sair do canto. Talvez, seja cedo demais pra se chamarem de relacionamento sério. Ou talvez sequer seja pra ser sério. Nem todo mundo que a gente fica necessariamente tem que dar em alguma coisa. Portanto, desapegue-se.

Se você marcou mais B):

Você está esperando o que pra terem a tal conversa, hein? Esperando que fiquem cada vez mais acomodados? Porque, venhamos e convenhamos, é muito cômodo – principalmente para os homens – ter alguém fixo, certo e sempre disponível (já à espera de estar sempre incluída nos seus planos) e não assumir nenhum relacionamento sério com elas. Daí, caso ele tenha outras menos importantes (bondade minha pra que você não se sinta mal) elas sempre vão pensar que não é nada sério o lance de vocês, que é algo passageiro, esporádico e que sequer precisem se preocupar com a concorrência. É um truque muito bem bolado deles de fazer com que todas sintam-se especiais e algumas nem desconfiem das outras. Ou seja, a falta de nomenclatura é o álibi perfeito pra qualquer artimanha que envolva mais mulheres.

**

É claro que eu fiz opções um tanto quanto óbvias, destacando a brutal diferença de quem se importa com o relacionamento que está e quem não, porque eu não sou nenhuma pesquisadora da Superinteressante e eu apenas tenho o dever de atualizar o blog e, não, de escrever uma nova bíblia. Então, me deixem.

A verdade é que o “então” cedo ou tarde chega, logo, você não deve se preocupar qual o momento certo ou se já está na hora de acontecer. Lembra do relógio quebrado do início do texto? Pois é, quando a hora certa chegar vocês simplesmente vão saber. Não seja uma dessas menininhas apelativas que precisam provar pra sociedade que são “pra namorar” pela sua tendência – quase suicida – de elevar, mesmo que a contragosto, todo envolvimento para o nível de comprometimento. Sabe, algumas coisas não precisam ser levadas tão a sério.

Algumas pessoas não surgem na sua vida pra saciar toda angustia da solidão e extinguir a nomenclatura do solteiro. Algumas pessoas apenas surgem. E depois vão embora. E nem todas, por pior que seja admitir, vieram pra te ensinar uma grande lição, pra mudar sua vida. Elas só vieram. E foram. Isso é normal. A partir do momento que você para de denotar vitória ou fracasso a qualquer relacionamento amoroso é que realmente aprende com eles, e com a falta deles também. Já outras pessoas vão vir e vão realmente lhe deixar uma marca, mesmo que negativa, mesmo que sofrida. Essas, sim, podem te ensinar alguma coisa. Ainda terão aquelas que vão vir e inconscientemente buscar o mesmo que você. Elas não vão te deixar tanta dúvida do que fazer. Não que seja descomplicado porque relacionamento nenhum é, mas será simples, afinal, mesmo diante dos obstáculos é o que os dois querem.

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A incrível saga das mulheres com o tempo.

Antonieta não teve muita escolha. Aliás, bondade minha, porque Antonieta não teve foi escolha alguma. Nascida a mais bonita de sete filhas de um falido fazendeiro foi negociada assim como uma das cabeças de gado do seu pai. A diferença é que o gado de seu pai era premiado, sortudo, geralmente um bom negócio. Antonieta, não. Azar da pobre coitada.

Casou-se sem saber com quem, e sem entender direito o porquê, afinal, seus dezessete anos não lhe permitiam completo conhecimento do que acontecia. E, em seu leito de morte, seus 59 anos não lhe permitiram completo conhecimento do que perdia. Mas foi instruída pela mãe a fazer o que era certo; além de lavar, passar, cozer e cuidar da casa, lhe cabia ainda o dever de tirar a família do buraco. Os tempos eram difíceis e Antonieta foi vista como a salvadora, a última esperança. E quando falavam assim, a moça se enaltecia. Se sentia mesmo importante. Carregava nas costas o orgulho de ser aquela que mudaria a história, mas mal sabia ela que ser protagonista nessa cena só lhe fazia mais um fantoche.

Antonieta conheceu seu marido no altar, salvou sua família da crise e teve uma vida satisfeita. Ela nunca soube o que estava perdendo porque nunca lhe disseram, ela nunca imaginou que havia uma vida diferente da que tinham escolhido pra ela.

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Julia teve escolha. Quer dizer, lhe disseram que tinha. Ela poderia casar com quem quisesse, contanto que fosse um bom partido. É claro que esse bom partido deveria ser previamente escolhido por seus pais, instruído por seus padres, acolhido por seus recursos. Mas ela não seria obrigada a casar se não quisesse. Contanto que ela estivesse ciente que bons partidos estão cada vez mais difíceis e se lhe aparecesse um não seria muito esperto deixar escapar.

Mas Julia não era obrigada, é claro. Contanto que ela se lembrasse que outras mulheres também estavam buscando os mesmos bons partidos e se ela demorasse muito pra escolher alguma das outras poderia engravidar. Mas, assim, Julia podia tomar o tempo que quisesse, afinal, a escolha era dela, o casamento era dela, a vida era dela.

Ela não precisava se preocupar em dar estabilidade pra família com seu casamento; isso é coisa do passado! Contato que ela buscasse um bom partido que garantisse estabilidade a ela e se ela achasse que não fosse burra de perdê-lo. Mas, é claro, Julia não era obrigada, só se casaria se realmente quisesse.

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Mariana sempre deu trabalho. Acordava com um, dormia com outro. Às vezes, com outras. A família dela não tinha preconceito. Mariana podia fazer o que quisesse com quem quisesse, mas não no almoço de domingo. Não no Natal. Não na Páscoa. Não com a família reunida, aí não. É pura falta de respeito.

Um dia lhe foi concedida a graça de trazer para o jantar uma de suas amiguinhas. Mariana estava eufórica com a ideia até descobrir que naquela noite seria o primeiro beijo gay da novela brasileira e sua família, que não era preconceituosa, queria mesmo ter a cena ao vivo. Afinal, os tempos tinham mudado, e eles aceitavam.

Mariana apareceu com um belo rapaz e trocou carícias durante a noite toda pra irritar sua mãe visivelmente desapontada. Mas sua mãe, pra não sair por baixo, perguntou se Mariana gostava mais de mulher ou de homem, porque ela podia gostar de mulher, se quisesse. Inclusive, ela também podia trazer as reuniões de família, se quisesse. Mariana respondeu que sempre gostou mais de Maria do Bairro.

**

Carol está solteira. Aos 32 anos, Carol ainda está solteira. Ela não se desespera, tem em mente seus valores – mas mente sobre seus amores. Ela diz que não vai casar por conveniência, nem vai passar a vida procurando um bom partido. Mas a família de Carol só tem pena dela: moça bonita, como assim não conseguiu segurar um homem? Carol lhes diz que, simplesmente, nunca tentou. Ninguém lhe entende e, por muitas vezes, sequer lhe escuta. Não entendem como Carol pode ser feliz se estiver sozinha.

Mas Carol é independente, abomina a ideia de que mulher é frágil e precisa ser protegida. Feminista assumida, não aceita que sequer lhe paguem a conta. Ela pode se casar com quem quiser, inclusive, consigo mesma. Ou com João, mesmo ele sendo um perrapado, longe de ser bom. Mas Carol não tem preconceito, não cria expectativas demais e nem julgamento. Ela vive uma época em que se contenta com o falso controle de sua vida e acredita, acima de tudo, na liberdade. Carol ainda crer que é amor o que sente por João, mas ironicamente mal sabe que ela que João ainda foge com o Carlos.

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Clássico Não Fode, Nem Sai de Cima

Antes de mais nada, uma coisa que devemos deixar bem claro é que quem quer, dá um jeito. Essa frase se aplica a quase tudo em nossas vidas, mas principalmente, aquele carinha que vive dando desculpas ou não quer assumir metade das coisas que faz. Se ele quisesse estar com você, considerando que você também quer estar com ele e ele sabe disso (que é o pior que poderia acontecer, já que ele se torna uma espécie de Mestre dos Magos do relacionamento e aparece só quando quer, fala as besteiras que quiser e você ainda o procura feito uma desesperada porque acredita que tenha, sim, toda a solução para a sua vida), então, honestamente, a resposta é só uma: ele não está tão afim de você.

É claro que ninguém quer aceitar isso, tampouco que suas amigas vejam a história como ela realmente é e não como você conta para amenizar as partes que se sente desprezada. Mas, vamos levar em consideração o fator mais importante; por que isso acontece, afinal? Será que é tudo fruto da imaginação aguçada de uma mulher desocupada e sem preocupações maiores na vida ou tem algo a mais por trás disso?

Seria muito bom se todo homem que não tivesse interesse naquela criatura, simplesmente, resolvesse deixa-la em paz, encontrar a felicidade e viver a vida dela, não? Utopia completa. Nenhum cidadão sentindo que está perdendo uma “presa fácil”, alguém que sempre está disponível pra ele, sempre cede a seus encantos e sempre lhe perdoa das piores safadezas vai dizer com todas as letras a frase que todas mulheres dizem precisar ouvir vinda da boca deles para desapegar. Não é uma questão de não enxergar completamente, nem uma questão de nunca ter ouvido isso de centenas de amigas ou lido aqui no blog por exemplo, mas é um fato de apego que a pessoa estabelece pra se fazer confiante de sua escolha. “Se eu ouvir da boca dele, desapego. Se não, não consigo.” Bom, é triste, mas também não é verdade. É só uma armadura pra não se machucar e aceitar a realidade.

Enquanto isso, no outro lado da conversa tem aquele rapaz ambicioso que provavelmente nunca sofreu ou não teme as consequências de um outro ditado que diz “é melhor um pássaro na mão do que dois voando” e se arriscar a ter tudo, ou melhor, todas quanto quiser, do que demonstrar consideração em deixa-la ir. Aliás, eu nem diria que é consideração porque isso, de fato, é um valor distorcido e escasso na raça masculina do qual a maioria das mulheres nem sequer contesta. Mas eu acho que dizer “compaixão” se adequa muito melhor ao contexto. Porque, vamos combinar, esse é um puro ato de egoísmo. E o maior problema do egoísta é a incapacidade de se pôr no lugar dos outros. Ou seja, não adianta gastar saliva, gritos e ameaças tentando fazê-lo entender que ele devia te valorizar mais ou devia demonstrar mais que se importa ou devia, sei lá, tatuar seu nome em letras garrafais no peito pra que você se sinta amada. Isso é tudo em vão, porque ele simplesmente não tem capacidade de entender que suas atitudes refletem nos outros.

É natural do ser humano ser egoísta, eu concordo. E, pra falar a verdade, em muitos aspectos também não acho que isso seja de todo ruim. Tem momentos na vida que você tem que assumir os controles e os riscos de suas próprias atitudes. Tem que botar as bandas pra voar mesmo, arregaçar as mangas e arcar com as consequências. Eventualmente, no caminho de pessoas muito determinadas e ambiciosas há outras que podem sair prejudicadas. Como aquela velha história: enquanto um chora, o outro ri. Mas quando falamos de relacionamentos não podemos ser assim tão pragmáticos, nem coniventes com ações desastrosas que visem uma recompensa futura. Relacionamento não é preto no branco, não tem manual, não tem como zerar. Mesmo aqueles louváveis casais que decidem começar de novo estão cientes de que isso não se trata puramente de um recomeço. Dar uma nova chance, não vai te fazer esquecer dos percalços anteriores. Mas esse é o tipo de coisa que a gente não diz, já que não quer acabar com a esperança alheia. Afinal, fracos mesmo são aqueles que nem sequer tiveram força de vontade pra acreditar na mudança.

Então, por favor, não mantenha alguém na sua vida pra satisfazer seu ego. Não se conforte no sentimento gerado pela sensação de ser amado, mesmo sem que haja qualquer retribuição. Não se torne um mesquinho, pois isso além de egoísta é, sobretudo, triste. Sinto verdadeira pena de quem não aprendeu ainda que uma das melhores maneiras de ser feliz é estando feliz por quem a gente ama. Sabe, amor trata-se disso: colocar o bem do outro acima de suas próprias vontades. Quem é egoísta ao ponto de sustentar uma situação ruim para as partes envolvidas, não pode sequer se declarar um apaixonado.

 

 

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Jovens e amantes.

Era jovem e se isso não era desculpa era pretexto pra condenar seu fígado a mais uma dose. Tinha essa mania de fazer o errado dar certo, de desentortar as curvas. Gostava de se sentir no controle, consciente. Mas mal sustentava as próprias pernas no final da noite. Não ligava. Manhã seguinte começava tudo de novo. Por ela, talvez. Aliás, ela era a desculpa dele ou a sina. Não sei ao certo, mas ela sempre estava por perto pra que ele não resistisse à tentação.

Aprendeu a gostar dela; demônio da cintura fina, não há quem resista.

 

Se fizera a escolha certa, ainda não sabia, mas se pôs a arrumar a mala com a convicção do otimismo. Não soltaria os medos do armário antes que chegasse a hora, se é que ela chegaria. Disse a si mesmo que iria viver esse amor porque merecia e, não, porque temia a solidão. Nunca foi desses garotos cobiçados, sabe? Não tinha essa fila de mulher atrás dele. Mas pode dizer o que muitos não ousam: as poucas que se envolveu foram realmente boas. De certa forma, a inexperiência do romance lhe concedia a graça da sorte. Se já lhe passaram a perna, não se lembraria nem que tentasse. Tudo era pouco demais pra ser saudade quando ainda havia tanto pra ser vivido.

 

A conheceu na curva de qualquer esquina quando mal podia reconhecer sua própria voz. Ela ria, se divertia com o playboy embriagado. Mulher bonita tem dessas mesmo, debocha da sanidade alheia. Foi um caso de uma noite só, ele repetiu pra si mesmo por dias, semanas, meses. Até que não aguentou, foi atrás da vadia de risada estridente que se apoderara de sua mente aos poucos.

 

Não tardou a paixão acontecer. Era de se esperar, lhe disseram. Ela era muito errada pra ele que era tão certo. E fazia o que nenhuma tinha feito: lhe desafiava. Menina já acostumada com essa cobiça, não se encabulava com as investidas. Na verdade, na minha opinião, ela bem que se aproveitava. Levava fama de interesseira e nem ligava. Com ela era tudo ou nada como em um jogo de poker. Aliás, no caso dela, Strip Poker.

 

Ele prometeu a ela o que ninguém ainda tinha oferecido: o nada. Disse que só tinha amor pra dar, mas que se desfaria fácil de todos seus bens por ela. Foi com essa proposta de viver de tudo que não podia ser mensurado que ela cedeu. Estava cansada do dinheiro dos outros. Não entendia o valor que davam a ele. Eram só algumas esmolas, há tanto pra ser vivido sem elas, ela dizia. No fundo, interesseira de verdade não era. Eu disse, era só uma aproveitadorazinha. Nada demais.

 

Ele vendeu o carro, se demitiu, fez as malas e partiu ao encontro dela. Não tinha perspectiva alguma, não tinha traçado um plano. Só conseguia pensar nos enganos que o movimento do seu quadril lhe causava. Ele não sabia se era amor o que sentia por ela. Se essa vontade desesperada de estar junto, de se bastar no aconchego, se esse medo que tudo desse errado que os unia era amor. Ele não sabia, mas não se questionou nem por um dia se ia voltar. Ele estava vivo pela primeira vez na vida, mais do que já esteve nas mesas de bar, mais que já se sentiu quando foi promovido. Só podia ser amor, esse ardor que vem de dentro insensato que ela também sentia. Era angustia, paixão e desejo, tudo numa fração de segundo. Depois então não era mais nada. Mas era do nada que ela precisava, era o nada que ele buscava. Ficaram tranquilos, se eles não tinham o que oferecer um ao outro, o que viesse era lucro.E por não se cobrarem eles souberam que, de fato, era amor.

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Teoria Instagrânica

O que leva uma pessoa a curtir fotos de um desconhecido ou de alguém que sabe quem é, mas não fala? Desejo e sedução! Isso não é óbvio? A teoria do Instagram é a forma mais moderna de paquera virtual, deixando para trás o desesperado Tinder e o breguíssimo Facebook (pelo amor de Deus, alguém que cutuca merece respeito?). É como um jeito mais requintado de ser visto pelo outro. Funciona em “níveis de interesse” que ficam bem claros mesmo por quem não tem vasto conhecimentos em artimanhas de conquista, avaliados de acordo com a quantidade de curtidas e em que tempo ocorreram.

Por exemplo, se você recebe uma curtida em uma foto recente, provavelmente, é alguém apenas te visitando a primeira vez, o que seria o equivalente a um “SoH PaXaNdO PrA DeiXaR uM BjiM” – eu sei que você lembra dessa fase. Ou pode ser alguém te retribuindo a visita, o que quer dizer “Tô ligado de ti.” Se recebe duas curtidas da mesma pessoa, sendo uma em uma foto recente e outra em uma foto antiga é alguém que estava “a passeio” no seu Insta, dando um rolé esperto pelas redondezas. Se você recebe três curtidas da mesma pessoa, o negócio começa a ficar bom. Três não é apenas um “oi”, é como um “Quer tc? Nomidade?” nos tempos do saudoso mIRC, o que para mim e meus conterrâneos dessa época de desordem e descobrimento das virtudes da internet, é um interesse nítido em se aproximar. É praticamente meu dever cívico passar esses ensinamentos adiante.

Agora, se você recebe quatro curtidas da mesma pessoa é naturalmente um pedido para saírem juntos de alguém que grita “Oh, oh, olha eu aqui! Olha eu aqui!”. Se você receber cinco ou mais curtidas de uma mesma pessoa em um curto espaço de tempo é equivalente a uma pedra na sua janela com uma serenata à luz da lua, ou seja, um sutil (ou não) pedido de namoro. Só acho. Então, sim, se aquele indivíduo não sai do seu Insta, pode constatar: Ele está “danado querendo”. Claro que não estou me referindo àqueles que comentam “sdv pfv”, “troco likes” ou qualquer outra gíria da garotada – como diria minha mãe – até porque, as primaveras que já vivi não me permitem um completo entendimento dessa moda juvenil. Ou seja, vamos tratar do Instagram como uma coisa pra adultos. Nem eu mesma acredito que disse isso.

1)      Se curtiu uma foto antiga do nada: está loucamente apaixonado. Ok, não. Mas definitivamente deu uma boa vasculhada em todo passado da sua vida social.

 

2)      Se horas ou dias depois curtiu a última foto: quer aparecer mais do que os outros. Permanecer entre as últimas curtidas é como marcar território.

 

3)      Se curte várias fotos de uma vez só: está querendo marcar território para aqueles que passam o dia de olho no “seguindo” ao invés de suas próprias notícias ou está tirando onda/fazendo ciúmes a outras pessoas.

 

4)      Mandar direct, como o próprio nome diz, é declarar o interesse.

4.1) Eu acho muito engraçado os caras que mandam direct de uma foto deles no espelho/na academia/ de sunga/ de óculos. Pra mim, é de um narcisismo sem precedentes. Ele claramente está dizendo “Com certeza, ela não resistir a esse corpitcho”. Sério. Bizarro!

4.2) Acho mais maduro um direct preto, sabe? Tipo, de qualquer coisa aleatória porque, na verdade, o interesse foi só mandar um recado e não tentar seduzir por uma foto.

4.3) Adoro receber directs.

 

5)      Curte (fase 1), espera ser curtido de volta (fase 2), segue (fase 3), é seguido de volta (fase 4): Missão completa; interesse retribuído.

 

6)      Mulheres não gostam de caras que só curtem fotos de outras mulheres. Eu não sei bem porque, já que não acho isso muito parâmetro, mas enfim.

 

7)      Mulheres não gostam de caras que seguem muitas mulheres famosas. Também não entendo muito bem porque, já que pra mim é como se você seguisse um alien, um objeto inalcançável.

 

8)      Mulheres não gostam de caras que curtem só fotos de mulheres de biquínis. Obviamente, por puro recalque.

 

9)      Mulheres sempre verificam quem ele começou a seguir depois de uma balada. Antigamente, elas olhavam quem eles tinham adicionado no Orkut, Facebook, mas agora o Insta é a principal rede social, portanto ELAS ESTÃO DE OLHO.

 

10)   Se uma mulher vir outra curtindo um homem deduz na hora que eles estão de paquera.

 

11)   Se uma mulher vir um homem curtindo outra mulher deduz na hora que eles estão de paquera ou há um nítido interesse dele em ficar com ela.

 

12)   Um homem quando não está interessado em continuar – ou dar início a um romance – simplesmente não curte as fotos da dita cuja.

 

13)   Comentar em todas as fotos é claramente um “eu te amo, vamos casar”.

 

14)   Comentar dias depois que todo mundo é notoriamente “esse aqui é meu”.

 

15)   Curtir absolutamente tudo que a pessoa posta é um “SOU SEU FÃ, SEU LINDO”.

 

Há uma outra vertente do Instagram, chamado Instamessage que é tipo um Tinder de Instagram´s, sabe? Você vê todos os perfis do Insta da galera, a distância que estão de você, e ainda tem as opção de acrescentar idade, interesse e uma mini-bios. Daí, quando você gosta da pessoa dá um “like” no perfil dela, que corresponde a um coraçãozinho vermelho, e pode iniciar o chat. Eu sinto um pouco de vergonha de saber disso tudo, mas sou curiosa e não resisto. E, além do mais, quem me acompanha sabe que eu não me encabulo com frases do tipo “te vi no Tinder”. Sou adepta a paquera virtual, mesmo que isso me transforme na minha mãe. Na verdade, como sempre fui meio nerd, sempre tive mais facilidade de conhecer pessoas virtualmente. Mas vamos fingir que isso nunca aconteceu.

Eu me sinto muito adolescente levada da breca, marota e travessa quando trato de relacionamentos em que a conquista se baseia em situações “não reais”. Simplesmente, não sei o que fazer quando encontro alguém que não está presente das redes sociais. Quer dizer, como ele espera falar comigo? ELE QUER ME LIGAR, POR ACASO? Meu deus, eu não mereço passar por isso!

A questão é que essas “regras”, por mais ridículas ou mirabolantes, existem. Pelo menos, no meu universo e das pessoas do meu convívio que, talvez, não sejam lá grande parâmetro também, mas é o que temos por aqui. Por um lado, é bastante confortável saber que existe um “passo a passo” do que fazer até se conquistar alguém ou, no mínimo, evitar um fora sem tamanho se as mesmas atitudes fossem tomadas pessoalmente. Mas, por outro lado, eu perco boa parte do encanto se a desenvoltura nas redes sociais não chegar aos pés de como é no cara a cara. Eu tenho essa coisa de pele mesmo. Essa tara por olho no olho, por ouvir risada. Não consigo ainda trocar esses detalhes que pra mim constroem o relacionamento pela satisfação do afeto exposto.

Eu gosto de gente de verdade, que se doa, se entrega, que não tem filtro mental. Que não tem ctrl c, ctrl v, nem se assegura em um punhado de seguidores. E, infelizmente, cada vez estamos mais roteirizados. Seguimos um script, perdemos a espontaneidade. E, o principal, esquecemos que uma relação boa de verdade é aquela em que o silêncio é confortável, ameno, tranquilo. Não aquela em que o silêncio é substituído por alguma piada de whatsapp, sei lá. A gente desconstrói a nossa essência na ânsia de ser aceito por alguém que só conhecemos o que aparenta.

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Ela era dela.

Ela era diferente, tinha o sal que faltava nas doces mulheres ao seu redor. Mas de doce entendia bem: do chocolate ao lisérgico. No entanto, não havia ácido lhe fizesse enxergar o mundo tão colorido, tão distorcido, quanto amor que lhe corroía o peito. Era dessas que amam demais: pessoas, lugares, recortes de revistas, casquinhas de sorvete. Empunhava suas lembranças na cronologia do pecado; gostava de alinhar seus erros, nutrir suas dores. Não seguia adiante sem antes mergulhar na saudade, satisfazer suas fantasias de finais felizes.

Não acreditava em predestinação; aprendeu a criar suas próprias histórias. Por vezes, mentirosas, exageradas. Por vezes, desventuras que retratavam seus traumas. Não temia o preconceito, nem mesmo as cicatrizes que marcaram sua alma mais do que sua pele. Tinha essa sede pelo o que ainda não tinha vivido, essa fissura por quem nunca tinha conhecido. Vivia em guerra com o tempo que sequer havia perdido, pois amedrontava-lhe o futuro que lhe valesse mais que um minuto. Abdicou de seu passado pela pressa com que o presente passava. Não tinha tempo pra voltar atrás.

Não se importava se a chuva que lhe borrasse a maquiagem lavasse a áurea. Gostava desse estado de excitação de quando as máscaras caem, o salto quebra, a calça rasga. Nada era tão ruim que não pudesse contar de uma forma engraçada – ou inventada. Nem de longe tinha a ressaca como inimiga, na verdade, era uma grande aliada. Sabia que sua presença significava ter mais pra comemorar do que se lamentar. Aliás, não se permitia lamentar sobre nada. Cortava suas próprias asas antes que alguém o fizesse, não precisava dessa expectativa contida no desejo. Se queria que algo acontecesse, lutava por ele e, logo em seguida, abria mão de tê-lo. Era simples. Já havia entendido que não podia controlar nada, quem dirá, tudo.

Só lhe pertencia aquilo que pudesse carregar nas mãos e no peito. Não se questionava sobre a necessidade de ter as coisas, mas sobre o peso que teriam pra si. Trazia nas costas o fardo de uma vida que não cabia em malas. Mudava de cidade com frequência, comprava passagens só de ida, embora não tivesse qualquer receio em voltar. Sentia-se tão livre que não tinha nenhum apego a ideia de seguir em frente. Ela rodopiava, saltitava, afundava e se erguia. Em frente seria monótono demais. Enfrente, não. Era disso que ela gostava; do desafio, do medo, das pernas bambas. O frio na barriga sempre era um bom presságio que dizia “bem vinda ao novo!”. Adorava o novo, o inesperado. Tudo que fosse velho guardava no fundo da gaveta junto as cartas e os amores.

Seu prato preferido era aquele que acabara de experimentar, seu lugar favorito aquele que acabara de visitar. Seu amor pra vida toda, bom, aquele que acabara de deixar. Amava porque o deixava, se o tivesse provavelmente seria apenas apaixonada. E a paixão não lhe valia a pena; era pouca, passageira. Não nutria essa dependência de ninguém, nem de si mesma. Já se perdeu e se deixou por tantas vezes quanto pôde renascer. Acreditava cegamente nisso: podia ser quem quisesse, portanto seria ela mesma sempre.

Vivia na corda bamba, entre a genialidade e a loucura. Não gostava do morno, do médio, do meio. Incitava discussões, fazia questão de ser do contra. Queria mesmo o confronto, sentir-se viva. Sentir-se. Buscava dentre tantos sentimentos um que lhe servisse pra alguma coisa, mas só encontrava no sorriso a paz que precisava e no travesseiro, o consolo que lhe entendia. Sozinha e sempre rodeada de gente. Se via pronta pra viver seu maior deleite ou morrer em seu pior pecado. Era tudo ou nada, mas era sempre algo. E se qualquer mágoa ou rancor viessem à torna, entornava-os com água ardente. Sentia-os descer lhe queimando o estômago, lhe deixando tonta. Não parava até reproduzi-los em uma gargalhada histérica, sinal de que já não sentia mais nada, nem mesmo dor.

Já ouviu muita coisa a seu respeito, a ponto de aprender a não escutar mais nada. Preocupada com os outros, definitivamente, não era. Inclusive, no mal sentido. Não aprendeu a se importar tanto com quem merecesse. Não se via com tempo pra se perder nas entrelinhas de quem não estivesse disposto a viver na exclamação. Ela era diferente, tinha o sal que faltava nas doces mulheres ao seu redor. Virava o mundo como tequila na sede de se conhecer andando só. Ela era dela.

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