O coração não se engana.

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Esses dias, eu estava trabalhando em um evento (ou seja, divã pra doido, mais uma vez). E comentei com meu colega justamente esse frequente acontecimento em que as pessoas me viam parada, sozinha, e pensavam “OLHA, TERAPIA GRATUITA!” e vinham desabafar. Citei o caso da noiva rebelde que detalhei em alguns posts atrás. Pra minha surpresa, o senhorzinho da limpeza se ateve a conversa e logo quis participar. Eu não lembro o nome dele, mas o achei muito parecido com o Dunga dos sete anões da Branca de Neve – começando pelo tamanho – então, vou chama-lo assim pra melhor descrição dos fatos.

“Todo mundo engana, minha filha.” – e assim ele começou me dizendo. Sem mais, nem menos. Sem introdução, sem uma apresentação sequer.

“Engana? Como assim?”

“Engana, ué. Homem, mulher, todo mundo engana.”

“Em um relacionamento que o senhor quer dizer?”

“Em tudo, mas principalmente em relacionamentos.” – Dunga coça a cabeça um tanto quanto desmotivado. Acho que esse assunto (que ele mesmo puxou, diga-se de passagem) de certa forma lhe toca em alguma ferida.

“Mas por que o senhor acha isso?” – Eu sei, sou insistente.

“Porque em um relacionamento de muito tempo as pessoas precisam se enganar. Senão, não vai pra frente.” – Imaginei-o com sua anãzinha em uma casinha que caberia no meu quarto, tão bonitinhos. Tudo em miniatura como amostras grátis de supermercado.

Droga, fugi do assunto.

“O senhor é casado?”

“Há 40 anos.”

“E já traiu?”

“No início, sim. Mas depois nunca mais. Ela sempre descobria, ela sempre dava um jeito. Ela sabia até antes de acontecer.”

“E sabe se ela te traiu?” – Eu toco na ferida, desculpe.

“Acho que não. Não sei, mas acho que ela nunca faria isso.”

“Ué, e de onde vem sua teoria que todo mundo engana?”

“Porque eu não conto pra ela tudo que acontece. Eu não conto da outra que me liga sempre. Não conto que ela vem aqui no trabalho. Eu a engano porque escondo dela pra não ter problema.”

 

Pausa dramática na história pra eu fazer um comentário: ATÉ O DUNGA TINHA MAIS DE UMA MULHER ATRÁS DELE E EU CONTINUO SOLTEIRA!!

 

“Mas isso não é enganar, eu acho… Enganar seria trair, principalmente, a si mesmo. Se você quer estar com outra, por que está com ela, afinal?”

“Porque eu me acostumei. Sou eu e ela desde sempre. Cuidamos dos nossos filhos, agora dos nossos netos. Nossa família é linda. A gente se acostuma a viver assim.”

Depois desse momento não lembro ao certo o que aconteceu. As possíveis opções são 1) eu fui comprar uma coxinha, 2) eu fiquei tão submersa nos meus pensamentos que não o vi saindo de perto, 3) eu fiquei distraída demais com a coxinha pra vê-lo se afastar. Ou os três.

Naquele dia, o velho Dunga me deixou com uma pulga atrás da orelha. Será mesmo que todo relacionamento duradouro é com base no conformismo? Você tem que se cegar pras coisas que poderiam afasta-los em prol de algo que julga mais estável? Mas a troco de que vem essa estabilidade? Da sua própria felicidade? Quando deixamos de ser felizes pra sermos acostumados?

Fiquei me perguntando o que faria um relacionamento durar. Amor, confiança, compromisso, honestidade e dinheiro, claro. Ninguém pensa no tempo, ninguém inclui o tempo como um fator imprescindível na paz matrimonial. As pessoas pensam que o tempo é consequência, que se houver todos esses outros ingredientes, então o tempo virá junto. De certa forma, eu vejo sentido nesse pensamento, mas não acho que seja bem assim. Acho que o tempo é um componente importantíssimo, pois ele dita as mudanças que teremos, o fortalecimento do sentimento, assim como o enfraquecimento daquela paixão juvenil. Basicamente, o tempo que mestra todo o relacionamento. E se não estivermos cientes dele, do cair na rotina, do chegar das rugas, e as próprias mudanças de comportamento que são naturais, então, casamento é utopia.

De fato, não tenho qualquer conhecimento da vida a dois. Ou de morar junto. Mas algumas opiniões são provenientes de princípios, valores. Eu discordo do Dunga quando ele diz que todo mundo engana. Discordo mais ainda quando se contenta com o pouco por achar que é o máximo que pode ter. Eu sei, eu sou nova. Talvez seja esse meu problema. Eu ainda tenho a esperança que ele já perdeu há muito tempo. Honestamente, eu o entendo. E eu sei que no fundo ele também inveja meus sonhos.

Pode ser que daqui há alguns anos seja eu contando essa história. Confirmando o que o Dunga me disse. Pode ser que de tanto me partirem o coração não me reste mais nenhum fio de esperança. Pode ser que eu me torne essa mulher conformada, acostumada e receosa de perder a estabilidade que lutei tanto pra conseguir. Pode ser que eu repasse essa história adiante, que muito tem a ver com o fato de engolir sapos pra sustentar uma relação. Eu não sei o que vai me acontecer, nem mesmo se irei casar, de fato. Mas eu sinto que não importa o que houver, eu não vou acabar com os sonhos de ninguém. Eu não vou deixar que alguém se perca na premissa de que “se não pode melhorar, pra que tentar?”. Eu vou persistir, vou insistir. Se não por essa busca de amor verdadeiro, pelo o que mais essa vida valeria a pena? O coração não se engana.

Mira na Charlotte e acerta na Samantha.

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Queria só começar dizendo que não me surpreendo de nunca ter havido na história da televisão uma personagem chamada Samantha que fosse santinha. Coincidência? Destino? Minha mãe tentando me pregar uma peça? Bom, não sei. Entendo isso como fatos. Tecnicamente falando, sendo assim, posso não me responsabilizar por minhas atitudes, certo? Não? Ok. Vamos começar de novo.

Uma coisa que eu não entendo é essa síndrome de santinha a qual somos submetidas. Vocês sonhando com a Sandy e eu com a Anita. Ou Lolita. Ou Capitu.

PAREI.

Acontece que esse mal acomete todas as mulheres desde a sua primeira paixão. Sério. Enquanto os garotos pagavam de bonitões no colégio por “comer as menininhas” (coloquei entre aspas pra me sentir um pouco mais puritana), as meninas se esforçavam em proporções intergaláticas pra serem dignas de um namorado, da fidelidade da melhor amiga – que nessa época furaria seu olho por qualquer pegada de mão no shopping da cidade – e conter seus próprios impulsos. Aquelas que não seguiam à risca esse caminho, dito por sabe lá quem como certo, eram julgadas, recriminadas e alvo de fofocas. Acredito que não haja o que fazer sobre isso. São rituais passados de geração pra geração e, até arrisco dizer, que sejam essenciais pra formação do nosso caráter. Quer dizer, o mundo lá fora é mesmo cruel. Muito pior do que a mais malvada recalcada que passa o dia stalkeando a situação do namoro do ex. Quanto antes você aprender a sobreviver, mais fácil será encará-lo, certo? É, isso pode até fazer sentido (apesar de eu ter inventado agora) mas que dói, dói. E, muitas vezes, não é nem de longe justo. Às vezes, a garota não fez nada de fato e leva a fama, mas e se ela fez, quem é que tem algo a ver com isso?

Pois é, esse pensamento, que nada mais é do que ligar o “foda-se” (mais uma vez, tentando ser puritana) pra sociedade vem com o tempo. Fato. Não importa o quanto se esperneie, você ainda vai sentir na pele a maldade alheia e outras coisas que talvez chame de inveja, recalque, despeito. Sei lá, adolescentes adoram essas palavras pra justificar qualquer unha encravada. Às vezes, nem é, sabe? É só uma fase, e como todas passam. É isso, gente, não tem caroço nesse angu. O simples é o óbvio.

Agora vão arranjar uma lavagem de roupa vocês todos. Fim.

A verdade é que quando passa você sente um puta (mereceu esse palavrão, confesso) alívio. É sua libertação, aceitação de si própria e, principalmente, se perdoa pelos supostos pecados que carregava nas costas, como se sequer precisasse desse fardo pra se justificar pro mundo. Ou tivesse orgulho dessas cicatrizes. Bom, uma verdade eu lhe digo: o que construiu seu caráter com o passar dos anos não foi o esquecimento das suas histórias cabulosas e tampouco o fato de tê-las cometido, mas como você agiu diante da repercussão que elas tiveram. Quanto você deixou que a opinião alheia te agredisse, quem você considerou seu amigo por te defender pra um punhado de pessoas e, não, te alertar sobre as consequências. Essas coisas, sabe? Você não precisa viver se justificando pra estranhos na fila do pão. E amigo nem sempre é o que passa a mão na sua cabeça.

Quando você cresce – suponho assim seja, já que nem me considero adulta o suficiente – você percebe a imensidão que tinham seus problemas nessa época: tão grandes quanto um grão de areia de caixinha de gato dentro de um buraco cavado por um anão japonês em Tangamandápio. Saudades, Jaiminho. Saudades, Chaves.

Nem mesmo com seus quarenta, cinquenta anos, você estará livre da recriminação dos outros, de comentários maldosos e até mesmo dessas palavrinhas tão proferidas: recalque, inveja, despeito. Mas é de se esperar que você já tenha entendido como lidar com isso – e até aprendido a sua própria maneira. Ou simplesmente desenvolvido com maestria técnicas de ouvido de mercador.

Acho que tudo em nós é adaptável, flexível, maleável. Se eu pudesse nos definir, seria como uma massinha de modelar que vai tomando forma de acordo com a condição que é imposta. Só a nossa essência é verdadeiramente nossa, verdadeiramente a gente. Talvez, nossa essência seja nossa única verdade absoluta. Então, basicamente, você não precisa se preocupar. Se teme ser mal falada e terminar sozinha, pensa quão pouco valeria a pena estar com alguém tão superficial e ligado à opinião dos outros. Se teme não ser reconhecida, pensa em se esforçar o dobro pra provar seu valor (profissionalmente, quero dizer). Aceita que nem tudo é o que parece ser, e a pior coisa que pode existir em uma relação é o pré julgamento. Não seja tão pouca assim, nem se contente com qualquer meia boca.

Claro que quando a gente para pra pensar nas coisas que deram errado, nos amores fracassados e nas nossas insensatas escolhas ficamos bem compelidas a achar que se fôssemos a Charlotte, a Sandy, a santinha, tudo ficaria bem. Mas nenhum tipo de relacionamento sustenta-se só de um lado. Em nenhuma história terminada há um culpado completo. Tudo bem, existem aqueles que cometem vacilos desmedidamente maiores, mas se cavarmos fundo, todo mundo tem o pau oco. Não adianta se culpar. Como a felicidade de dois pode caber nas costas de um? Isso é aprendizado, experiência. Colha os frutos, faça um suco, misture com vodca e siga em frente.

Não vai ser fácil, não tem como ser. Mas faz parte; é a vida que segue. Paciência. Às vezes, pra não se frustrar com os resultados, você deve mudar os alvos. Mude ou se conforme, praticamente só existem essas duas alternativas. Mas, haja o que houver, só não deixe de ser você mesma. Errada, errante, contrária. Apenas seja livre de si mesma e qualquer conceito que mantenham seus pés no chão. Só queira da vida o que puder carregar no peito. Ser autêntico, ter atitude, pensar por si próprio, tudo isso tem um preço: a seletividade. Mas a gente encontra quem mergulhe nessa loucura com a gente. Vai ficar tudo bem, eu prometo.

Palavra de uma Samantha – em todos os sentidos.

Maldita esperança.

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Meu problema era a esperança. Cada vez que me banhava de pessimismo antes de todo encontro, eu exalava medo. Você sabe, medo e esperança caminham juntos. É difícil entende-los a princípio, mas estão lá, lado a lado. Um serve pra sustentar o outro. O medo me dizia que aquela talvez fosse minha última chance, que o tempo estava passando rápido demais, que se eu não aproveitasse quem gostasse de mim poderia passar a vida atrás de quem eu gostasse, sem reciprocidade. Já a esperança me motivava a continuar, a insistir. Podia ser ele, não podia? Amor à primeira vista não existe, não é? Quer dizer, você pode, sim, se apaixonar por alguém com o passar dos anos, até mesmo aquele que não tenha nada do que você queira. Ou queria.

Ando pensando que amor mesmo não se trata sobre conquista. Não termina com frases do tipo “eu consegui”. É uma busca, sabe? Diária, constante. O que poderia fazer o sentimento durar senão a tentativa de senti-lo novamente? Aliás, amor é sobre sentir. E se não por essa busca, quais das suas atitudes fariam sentido?

Sendo assim, eu pacientemente esperei qualquer notícia dele durante dias. Mas a cada hora que passava e eu me condenada por verificar – mais uma vez – se havia entrado no whatsapp, facebook, instagram ou, sei lá, mandado um telegrama pra sua tia-avó em Marrocos. A questão é que eu o cercava nas redes sociais na expectativa de que a qualquer minuto ele fosse se render à saudade.

Mas a pior parte era me perguntar o que diabos aquele infeliz estava fazendo – ou pensando – que não tinha a decência de se comunicar comigo. Me iluda com as piores mentiras, mas não suma. Finja saudade, mas não me esqueça. Eu, sinceramente, estava disposta a viver essa história de faz de conta, unilateral, essa história só minha que eu insistia em dividir, pra não ter que admitir que havia chegado ao fim.

Ensaiei nosso diálogo por noites em claro. Eu já sabia na ponta da língua como me desvencilhar de qualquer uma de suas investidas. Tinha decorado mais de trintas formas de dizer que simplesmente não o queria mais. E já havia desdenhado as maiores promessas que fingi ouvir aos quatro ventos. Esperei pelas flores, esperei por uma surpresa, esperei pelo pedido de desculpas. Eu estava pronta. Estava realmente pronta pra quando ele viesse.

Acontece que com o passar dos dias e a incrível falta de preocupação dele em saber como eu estava ou demonstrar o menor dos carinhos, eu percebi que pra poder ter a minha saída triunfal e dizer-lhe tudo que ainda tinha entalado na garganta, ele precisava vir atrás. Então, passei a me perguntar o que ele fazia, com quem e se pensava em mim em algum momento. Senti falta de quando era meu primeiro bom dia e meu último boa noite. Senti falta de saber sua rotina, seu almoço, seus planos. Senti falta de combinar o final de semana, um jantar fora, um aniversário da família. Senti falta dele.

E à medida que a saudade se espalhava pelo meu peito e fazia de gangorra minhas entranhas, eu tinha menos certeza se conseguiria recitar toda melodia fantasiada pro nosso desfecho.

No fundo, no fundo, eu só queria que as coisas voltassem a ser como eram. Eu só queria ficar com ele. Eu só queria apertar um botão e esquecer todas as mágoas que sofri, toda decepção que senti e todas as palavras que jurei frente as minhas amigas sobre as atitudes que nunca tomei. Eu só queria que tivesse sido um sonho ruim e ele ainda acordasse ao meu lado.

Mas não foi assim. E ele não veio atrás.

Minha história terminou assim: sem mais, nem menos. Sem final feliz. Aliás, sem final algum. Engoli em seco tudo que tinha ensaiado pra lhe dizer. Até cheguei a acreditar que ele, de fato, não merecesse tanto. Já sentia ciúmes do rancor que havia criado com tanto gosto e ao custo de tanto choro.

Meu problema sempre foi a esperança. Por toda minha vida tive medo de me tornar uma pessoa desacreditada. Tive medo de perder a fé no próximo, no bem, no amor. Então, sustentei a fino trato qualquer fagulha de otimismo que tivesse.

A verdade é que eu não me arrependo nem um pouco. Disso, eu não me arrependo nem um pouco. Prefiro colecionar asas cortadas do que abrir mão de sonhar outra vez. Eu gosto dessas histórias que se repetem em mim quando sinto essa vibração que só outro alguém me causa. Não quero o meio termo da relação. Não quero o branco no preto, enquanto houver forças pra correr atrás do arco-íris. Quero essa vida a dois de extremos fadigados, o desgaste proveniente do tudo. Sem o conformismo enfadonho do “nada”.

Sinto uma simpatia enorme por todos os esperançosos. Até mesmo um pouco de inveja de quem acorda munido de vontades de fazer dar certo com o errado. É preciso mesmo ter bastante esperança pra não desistir. Ou, quem sabe, inenarrável teimosa de se furar com espinhos ainda procurando rosas. Acontece que nunca, jamais, houve alguém capaz de conter o amor. Ele é combustão e combustível. É a solução e a criação dos melhores problemas. Definitivamente, melhores. Sendo assim, se você ama não está sozinho; a verdade é essa. Por isso, sempre vale a pena tentar outra vez.

Na dúvida, não é amor.

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Pra quem não sabe, eu trabalho com eventos. Pra quem não sabe o que são eventos são trabalhos temporários que não exigem de você muita coisa além de beleza, altura, postura, simpatia, pelo menos uma língua estrangeira, pés de aço, se alimentar de alpiste, ter as unhas e o cabelo impecável, sorrir até se levar um murro na cara, não dormir, não sentar, ter proatividade, dinamismo, barriga negativa E SÓ. Basicamente, você só precisa disso pra entrar nesse ramo, caso você cogite. Mas não era isso que eu ia falar. A questão é que quando eu estou em uma dessas posições vulneráveis – digamos assim – em que não posso expelir meu verdadeiro eu pelos pulmões (ou punhos) as pessoas sentem-se incrivelmente à vontade pra falar sobre a vida delas. Em outras palavras, trabalhar com eventos também é ser divã pra doido. E, pra mim, essa é a melhor parte – depois do dinheiro, óbvio.

Sendo assim, dia desses, chegou uma menina pra mim acompanhada de seu amigo gay e disse:

“Oi! O que tem pra fazer hoje na cidade?”

Antes de responder, eu me perguntei onde aquela criatura havia visto que de repente eu era guia turística. Mas como a boa samaritana que sou (alô, vaga no céu!) prontamente me dispus a ajudá-la.

“Hum… Depende, você gosta de que?”

“Pra que cê vai sair de casa com aquele homem doido por ti lá?” – diz o amigo gay.

“Ai meu deus, você sabe que eu não posso.”

“Besteira, ele não vai saber.”

Enquanto isso, eu faço ouvido de mercador e fico pensando se vai demorar muito pra eu poder comer.

“Mulher, olha, tem um homem lindo lá na minha casa que foi só pra vê-la e ela não quer ficar com ele, tu acredita?” – o amigo insiste em me prender a conversa.

“Ah, é? E por que você não fica com ele, ué?” – Ok, eu me rendo. Sempre adorei um Casos de Família.

“Porque eu sou noiva.”

“E cadê seu noivo?” – Faço minha melhor voz de Regina Volpato pronta pra me rebelar e me transformar na Márcia. Eu já estava me coçando pelo barraco, confesso.

“Em Pernambuco. Eu sou de lá, tô só passando o final de semana aqui. “

“Ela é muito é besta! Devia agarrar logo” – gay esbaforido.

“E ele não veio por quê?” – Já não consigo mais conter minhas perguntas.

“Porque ele teve que trabalhar.”

“E vocês casam quando?!”

“Ah, só daqui uns dois anos.”

“E estão juntos há quanto tempo?” – Ok, uma hora dessas eu já nem queria mais saber de trabalhar.

“Há uns quatros anos.”

“hum” – Findo meu interrogatório e finjo voltar ao trabalho.

“O que você faria?” – a dita me pergunta com os olhos brilhando.

“Eu no teu lugar?”

“É. Você ficaria com esse cara?”

“Ele é bonito?” – DESCULPA, SOCIEDADE, EU SOU FUTIL!!!

“É muito gato! Gente boa, gostoso.”

“Cara, não sei… Depende da forma com que você vê seu relacionamento.”

“Como assim?”

“Tem gente que considera traição imperdoável, mas eu acredito que há coisas piores. Tudo bem que uma coisa não exclui a outra, mas, sei lá. Não me parece o pior dos pecados.”

“É, verdade…” – Vejo fumacinhas saindo da cabeça dela. Ela está se esforçando pra acompanhar.

“Às vezes, você tem tanta convicção do que sente pela pessoa e de como quer tê-la ao seu lado que isso é mais importante, sabe? Eu prefiro compromisso à fidelidade. Não que eu não goste de fidelidade, eu gosto, claro. Mas compromisso é aquilo que não te faz pensar em outra pessoa. Compromisso é cuidado, proteção, prioridade. Fidelidade, pra mim, é adestramento. Às vezes, eu prefiro nem saber certas coisas. Nunca vou atrás pra não encontrar.”

“E ele nunca iria saber…”

“E pode ser que não mude nada entre vocês e, até mesmo, fortaleça o que você sente por ele por ver que não encontra ninguém igual…”

“ÉÉÉÉ..!”

“Mas, claro, pode significar o contrário também. Você pode descobrir que há muitas outras coisas que gostaria de fazer e conhecer, mas já está se prendendo. E, essa descoberta, pode pôr tudo a perder, principalmente, quando se trata de uma simples vontade da qual você não pôde controlar. Você sabe as consequências, basta saber se quer arriscar.”

A essa altura, o amigo gay já estava de boca aberta e pipoca na mão. Ansioso pro final do nosso debate e saber o que afinal ela escolheria fazer.

“Entendo, mas o que você faria no meu lugar?”

“O que você quer fazer, de verdade? Se não houvesse ninguém pra te julgar?”

“Você ficaria?”

“Não sei.”

“Diz, mulher, diz logo. A gente nunca mais vai se ver!”

“Eu ficaria.”

Ela agradeceu e saiu saltitando com uma garrafa de vodca debaixo do braço e toda irresponsabilidade infantil pairando sobre seus planos.

Eu não ficaria, mas não diria isso a ela. Eu vi o que ela queria ouvir e dei corda. Fui advogada do diabo, confesso. Não sei se ela entendeu bem o que eu quis dizer. Não sei se eu sequer me entendi naquele momento. As coisas faziam muito mais sentido dentro da minha cabeça do que expostas pro mundo. Mas acontece que, na verdade, eu não pude decidir por ela como pareceu. Ela já sabia. No fundo, ela sabia. Talvez, soubesse até mesmo quando aceitou se casar. Talvez, soubesse muito antes de namorar. Às vezes, a gente toma o caminho mais fácil, aquele que já foi pintado na nossa frente, porque tem medo que não haja outro.

Eu queria ter dito mais a ela. Queria ter dito que a vida não é uma corrida, ela não precisaria casar com o primeiro que pedisse. Queria ter dito que se alguém, por algum motivo, lhe despertasse um interesse maior do que a pessoa que ela estivesse, POR QUE ela não poderia tentar? Queria dizer que não existe essa de alma gêmea, pessoa certa, nem destinados. Que ela era tão dona do seu futuro quanto eu naquele momento. Queria ter dito a ela nem todo amor tem a sorte de ser eterno. Ela poderia amar a quem quisesse, da forma que bem entendesse, se não temesse que houvesse fim. Queria ter dito que há 7 bilhões de pessoas no mundo; como ela pode saber que ele é o certo sem conhecer as outras? Mas o coração sabe, e a gente nunca se aventura desse jeito. É tudo uma questão de escolha e, não, de sorte. Queria ter dito que o mais importante é que não falte amor pra cada recomeço.

Mais a agradecer do que a pedir.

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Leia enquanto ouve:

(Essa música me lembra essa sensação de paz. Me dá uma vontade danada de rodopiar na beira do mar, de alma leve, cabelos soltos.)

Larguei os estudos pra me tornar artista plástica. Obviamente não tive apoio. Mas queria pintar a vida lá fora e fui. Aos 19 anos, fui morar na praia com uma mochila nas costas, e todos os sonhos do mundo. Nem celular com internet eu tinha. E não conhecia ninguém. Fiz amigos, inimigos, calos e feridas. Voltei dura como uma rocha. Fria, seca. Personificação do sangue no olho. Voltei ateu, consegui dois empregos, terminei os estudos. Aquela viagem mudou minha vida que nunca havia sido fácil, que me testava, me exaltava. Sinceramente, a vida sempre sacaneou comigo. Mas eu sabia exatamente onde estava minha paz: no fim de tarde na praia, deitada em uma espreguiçadeira lendo um livro. Eu não precisava de nada, nem mesmo de dinheiro e saber disso me libertou. Eu não pensava em mais nada além de que eu queria aquilo para o resto da minha vida. Até hoje não sei explicar o que eu sentia e, confesso, não foram muitas vezes desde então que pude me sentir daquele jeito. Mas eu já havia encontrado minha paz, cedo ou tarde, ela voltaria pra mim.

Meu maior aprendizado, no entanto, foi a guardar minha essência. Isso é o que eu sou. Sou brisa, sou leve, sou praia. Mas, não adianta, assim eu não sobreviveria nem mais um ano no mundo real. A nossa volta é tudo superficial, capitalista, mercenário. A gente faz o que precisa fazer pra conseguir o que quer e torce pra que isso seja suficiente; aprendi isso. Mas nunca é, e algumas pessoas passam a vida nessa incansável e infindável busca de estar satisfeito com o que pode mensurar valor. Aprendi isso também.

Passei anos em uma batalha interna buscando o que fizesse meu coração disparar, minhas mãos suarem. Buscando qualquer traço daquela paz que eu sentia mesmo adentro a loucura da vida urbana. Qualquer oportunidade, eu agarrava. Tudo me deixava na expectativa de que, talvez, fosse o primeiro passo para o meu futuro. Aquele futuro, sabe? Que a gente espera que nunca chegue, mas continua lutando por ele. Ou pra que ele, pelo menos, exista.

Deixei a arte de lado, entrei na engenharia. Comecei a dar meu sangue pra pagar meus estudos. Saí de um emprego pra ter mais tempo pra estudar. Eu tinha um plano, e parecia um bom plano, afinal de contas. Eu conseguia me ver anos luz à frente como alguém bem sucedida. Como alguém que eu devia ser. Como todos eram, talvez. Aliás, como todos buscavam ser.

Mas onde estava minha paz agora?

Não sei vocês, mas meus cadarços sempre estiveram desamarrados, na minha janela não tem rede de proteção, minhas paredes são pintadas, meus cadernos são rabiscados. Meu maior perigo sou eu mesma e tudo que eu busco; uma grade não me para. Até mesmo à beira do abismo, me recomponho. Essa batalha é minha, afinal. Acordo todos os dias prestes a me perder pro mundo, durmo todas as noites feliz por ter me vencido.

Não deu outra. O certo, o óbvio, o caminho seguro não era pra mim. Nunca foi. Larguei a engenharia, fui morar no Rio. Decidi ser escritora; agora pra valer. Não posso fugir da arte, aonde quer que eu vá, não posso fugir de mim.

É difícil pra caralho. Só eu sei. Tenho esse medo de nunca conseguir, de não ser boa o suficiente, de ser só mais um livro encostado na estante. Ou pior, nem chegar a ser esse livro. Meu futuro não se projeta mais na minha frente. Não tem quem me diga os passos que eu devo seguir. Todo dia é um risco, um novo obstáculo. E, às vezes, sinceramente eu penso em desistir de tudo. E me bate um desespero tremendo. Absolutamente não sei quem eu seria se eu não pudesse escrever sobre a loucura que me cerca.

Às vezes, me ausento do blog. Me ausento de mim mesma. Não penso em nada, não traço planos, não cumpro metas. Aliás, tenho sérios problemas com prazos: nunca os acho. Me interno em livros, filmes, em pessoas, mas principalmente, na solidão. São as conversas comigo mesma que me salvam. Coisa de gente doida, eu sei.

Já deixei passar muita gente boa por mim, não tive tempo pra me importar com elas. Não é justo fazer alguém se apegar pra que isso te satisfaça por um tempo. Já dizia o Pequeno Príncipe, se você cativa alguém tem que voltar por ela. Pra ela, talvez. Mas é difícil arranjar espaço pra mais alguém nessa vida que não cabe sequer dentro de mim.

E, daí, quando eu menos espero, recebo e-mails, recados, inbox que me fazem chorar.

michelle

Escolhi essa mensagem, em especial, porque ela também veio no momento certo.

Esse é o sentido de tudo. Esse é o meu sentido. Eu tenho minha paz de volta e tanto, tanto a agradecer. Não consigo encontrar palavras pra descrever como não há no mundo algo que me faça mais feliz do que isso.

Eu faria tudo de novo.

O que eu sinto hoje é insuperável. Muito melhor do que um fim de tarde na praia, muito melhor do que a certeza financeira, muito melhor do qualquer outro sentimento. Quando me sinto cansada – de tudo, do mundo, de continuar – eu procuro as mensagens que recebo e, enfim, meu coração dispara. Quando vocês compartilham ou indicam meu site me ajudam tanto, mas tanto. Não me refiro só ao crescimento do blog, falo de mim mesma. Vocês salvam minha vida.

Obrigada por me fazerem uma vencedora dia após dia. Eu amo o que eu faço mais do que tudo e não engulo em seco ao pensar que farei isso para o resto da vida. Eu me encontrei, dentro de mim e dentro de cada coração que me cabe.

A gente é o que a gente é. Às vezes, o contrário do que nos disseram pra ser. Nada do que lhe disseram realmente importa. A realidade também pode ser um sonho.

10 sintomas de todo bom mentiroso.

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Posso falar uma coisa? Eu já estava com saudade de desdenhar as peripécias masculinas por aqui. Até porque não importa o quanto eu fale, o quanto eu exemplifique, o quanto eu sacuda os ombros das amiguinhas e lhes dê tapas da verdade na cara, nunca é o suficiente. Quando a gente se descuida um pouquinho, o tinhoso vem e monstra as garras. Bastam meia dúzia de promessas de poço dos desejos com moedas que não valem nem cinco centavos pra dita cuja se esquecer de todos os mandamentos sobre o amor. Principalmente, o próprio.

Acontece que pra alguns caras, eu tiro o chapéu. A maestria em se fazer convincentes é realmente espetacular. Eles conseguem te surpreender sendo o oposto do que seu julgamento inicial dizia pra também surpreender no final com uma decepção incalculável. A verdade é que se você tivesse seguidos seus instintos iniciais, bom, isso não teria acontecido, não é? Mas a gente se deixa levar, eventualmente. Tudo bem, isso não é pecado. Quer dizer, uma vez não é pecado, mas duas, três, quatro vezes é pedir pra ser chicoteada no mármore do inferno por toda piranha que já desvirtuou sua sanidade. Verdade seja dita.

E já que falamos de verdades, vou listar as 10 características que servem como uma carapuça para aquele infeliz que insiste em se fazer de bom moço, o famoso: SONSO.

1)      E o Oscar vai para….

Suas trouxa!

Suas trouxa!

Não é preciso sequer rufar os tambores. Está na cara que pra ser um mentiroso nato é preciso também ser um ator conceituadíssimo e, talvez, ainda não descoberto por algum caça talentos. A criatura dá um show de interpretação com as frases mais ensaiadas retiradas das citações da revista Caras sem titubear. Se em cada um de nós mora um artista escondido, em cada homem se apresenta um ator hollywoodiano no picadeiro que é nosso coração. Aplausos para aqueles que ainda conseguem extrair lágrimas nas situações mais oportunas – mas são duros como uma rocha quando se sentem na razão.

 

2)      Manipuladores.

Se é isso que você quer, então tá.

Se é isso que você quer, então tá.

Geralmente, mulheres são bem mais teimosas e fazem mais birra, então, não adianta tentar vencê-las no cansaço. Não vai dar certo. O que eles fazem? A tal da psicologia reversa. Você quer sair com um vestido curtíssimo, ele não quer que você saia, mas se ele simplesmente reclamar você vai bater o pé e defender seus direitos iguais, sua ideologia feminista ou assumir a criança de cinco anos que mora em cada um de nós e dizer “Você não manda em mim!!”. Daí ele resolve usar uma gravata ridícula, um tênis invertido, uma cueca broxante, ele usa de qualquer artifício que o deixe parecendo um carro alegórico pra depois de uma discussão gigantesca conseguir te convencer a trocar de roupa se ele trocar também. A roupa foi um exemplo, mas se você parar pra pensar consegue perceber essa arte de chantagem em quase todos argumentos desse tipo de homem.

 

3)      Espontâneos.

SÉRIO COMO QUE FICA COM RAIVA DISSO SENHOR ME EXPLICA

SÉRIO COMO QUE FICA COM RAIVA DISSO SENHOR ME EXPLICA

Pode parecer brincadeira, mas quem faz piada com tudo e tem sempre uma resposta na ponta da língua é também um bom mentiroso. A forma como ele consegue se livrar da bronca que levaria no trabalho ao se atrasar, da multa de trânsito, das faltas na faculdade ou de qualquer outra obrigação em que foi flagrado ao descumprir quer dizer mais sobre ele do que seu próprio signo diria. Sem falar que eu confesso que eu acho muito mais difícil ficar com raiva de alguém aparentemente engraçado. Vocês conseguem se imaginar com raiva do Tiririca? Sério, não dá. Deus me livre ser a mulher dele!

 

4)      Bonitos. Ou quase.

Tradução: Vem, monstro!

Tradução: Vem, monstro!

Eu sei, pode não fazer um pouco de sentido. Mas o psicólogo holandês Aldert Vrij, da Universidade de Portsmouth, provou em um estudo recente que as pessoas bonitas inspiram mais confiança e, sabendo disso, elas tendem a mentir mais. Eu tenho uma teoria particular de que pessoas feias elas lutam mais pra conquistar sua empatia e, uma vez que a tem, elas se esforçam mais pra que você tenha mais motivos além da beleza para estar com elas. O que quer dizer que o amor provavelmente é mais sincero e verdadeiro entre duas pessoas feias ou uma pessoa feia e uma bonita. Contanto que nenhuma tenham dinheiro, claro, senão fica realmente difícil acreditar nesse encontro de almas. A questão é: você prefere um bonito mentiroso ou um feio sincero? Eu, particularmente, não me importaria se o Brad Pitt fosse um Pinóquio. Só acho.

 

5)      Confiantes.

Não confia nele, Sarah! NÃO FAZ CONTATO VISUAL! NÃO FAZ CONTATO VISUAL! *Fudeu*

Não confia nele, Sarah! NÃO FAZ CONTATO VISUAL! NÃO FAZ CONTATO VISUAL! *Fudeu*

O segredo da mentira é acreditarmos que seja verdade. Qualquer boato ganha força e veracidade com a repetência. Ou seja, é tudo culpa de quem o repassa. No caso dos homens, suas habilidades consistem em te convencer de que fazer o que ele quer, o que é mais cômodo pra ele, mais confortável pra ele, vai também ser bom pra você. Mesmo que seja o tipo de relação em que você é a outra, ele é o namorado traidor que se diz apaixonado pelas duas e pede sua paciência pra que entenda seu “momento confuso”. Confusão de c* é r***! Não deixe que a segurança dele pela adaptação com a situação – que ele só tem a ganhar – te façam pensar que você também se beneficia nessa história.

 

6)      Tem boa memória.

Tudo que eu queria na vida era ter um desse. MÃE, ME DÁ DEZ!

Tudo que eu queria na vida era ter um desse. MÃE, ME DÁ DEZ!

A pior coisa que pode acontecer em uma discussão, pelo menos comigo, por exemplo, é a criatura afirmar com convicção que lembra exatamente o momento de uma determinada situação. Ou então que sabe de cor quais foram suas palavras sem tirar, nem pôr. Só de pensar que uma memória dessa possa existir, eu já fico arrepiada. Tudo que me resta ao me deparar com alguém que detalha o ocorrido com fidelidade aos fatos – ainda que eu sequer me lembre como foram – é pedir piedade pela minha pobre alma. Fica muito difícil sustentar uma opinião que se baseia nas nuvens de fumaça que se formam na minha cabeça após cada discussão.

 

7)      São bons em interpretar sinais.

Isso, por exemplo, quer dizer: VOU ROUBAR SUAS ALMA TUDO! Brincadeira. Te amo, Xuxa. Não me leva pro capeta.

Isso, por exemplo, quer dizer: VOU ROUBAR SUAS ALMA TUDO! Brincadeira. Te amo, Xuxa. Não me leva pro capeta.

Sabe aquele papo de “ler as pessoas”? Um saco, né. Maldita criatura que criou isso e disseminou para o mundo. EU NÃO QUERO SER LIDA, SEU DESGRAÇADO. Eu quero cruzar meus braços e justificar que é porque gosto de sentir meus peitos. Eu quero fazer bico e dizer que é porque afina minhas bochechas. Eu não quero alguém atento ao menor dos meus movimentos pra me retalhar com o que eu verdadeiramente estou sentindo. Eu quero ser uma porta. POR QUE EU NÃO POSSO SER UMA PORTA?

 

8)      São eloquentes.

Não sabe brincar, não desce pro play, mocreia!

Não sabe brincar, não desce pro play, mocreia!

O que quer dizer que são mestres nos jogos de palavras. Conseguem confundir, mover, multiplicar e espalhar suas ideias pior do que um jogo de War. Eles pensam rápido o suficiente pra formar frases sem furos, ou seja, que não deixam a entender nada além do que eles quiseram dizer e que, ao mesmo tempo, são puramente interpretação. Por exemplo, se você pergunta se ele tem namorada e ele te responde “No momento, eu estou em vários relacionamentos. Com minha empresa, meu futuro, meus sócios também.” Isso quer dizer que ele tem, mas se você argumentar que ele mentiu sobre ser solteiro, ele vai dizer que nunca disse que era solteiro, disse que estava em vários relacionamentos e não especificou quais. É, eu vivi essa história.

 

9)      Escondem suas emoções com facilidade.

VOCÊ FOI A CULPADA DESSE AMOR SE ACABAR!! Estou indo embora, por favor, não implora, porque homem não chora.

VOCÊ FOI A CULPADA DESSE AMOR SE ACABAR!! Estou indo embora, por favor, não implora, porque homem não chora.

Eu acho que eles se guardam para os momentos oportunos. Então, não ficam demonstrando qualquer afetozinho no início da relação pra não deixa-la confiante demais. É quando acham que vão perde-la que tiram a carta da manga e se fazem de sentimentais, coitadinhos, sofridos e, principalmente, traumatizados. Como se tivessem sido os únicos a sofrer por amor alguma vez na vida e por isso possam pisar no sentimento alheio. É tudo um truque. Tudo parte do jogo.

 

10)   Possuem verdades absolutas.

Resposta certa. Tá de parabéns. Quer um biscoito?

Resposta certa. Tá de parabéns. Quer um biscoito?

 

Que nada mais são do que aquelas verdades incontestáveis. Por que? PORQUE NÃO TEM COMO SE VERIFICAR SE SÃO VERDADEIRAS! Você não vai ter uma prova, uma câmera de segurança, um amigo do peito, um registro do cartão de crédito…NADA. Apenas a palavra dele que, como vimos acima pode ser incrivelmente bem convincente, pra atestar sua inocência. Desconfie de quem não tem um álibi ou até mesmo tem um álibi muito bom. Na verdade, desconfie de qualquer forma.

 

Estudos provam que você não se torna um bom mentiroso, você simplesmente nasce um. O que é bem triste, pra falar a verdade. Mentira é algo degenerativo, medíocre, mísero. Porém, humano. Todos nós mentimos. Seja pra nos safarmos de um mal entendido, pra driblar uma briga, pra não magoar alguém, pra proteger nossos próprios sentimentos, sei lá. A verdade é que todo mundo mente. O diferencial que eu vejo nisso é você ser capaz de entender que uma mentira não afeta somente a você, é uma reação em cadeia, um efeito dominó. Ela vai deixar uma marquinha em cada uma das pessoas que passarem pelo seu caminho. E, honestamente, quem é que quer ser lembrado por isso? Talvez, a mentira seja uma das poucas cicatrizes que não se apagam. Algumas pessoas conseguem esquecer, relevar e seguir em frente. Dar aquela famosa segunda chance. Mas outras já estão muito cansadas de dar murro em ponta de faca, de acreditar no impossível e nessa mudança de índole do pau que nasce torto.

Sinceramente, eu acho que pra cada cabeça, uma sentença. Cada um sabe quantas agulhas lhe apertam o coração. O importante é você estabelecer seu grau de prioridade. O que é gota d’água e o que pode ser relevado antes de causar um estardalhaço. Acho que com o tempo, a gente aprende a ser mais tolerante, mais paciente. Algumas discussões não valem a pena. Algumas pessoas simplesmente não valem a pena. E você acaba por se pôr em um patamar no relacionamento em que se sente melhor com o término. Você sente-se consciente de que fez o melhor que podia e que não dependia inteiramente de ti. A maior mentira que já te contaram é que você deve buscar nos outros aquilo que sente falta. Mas você não precisa disso ou de ninguém pra ser quem é. Talvez, precise só de um punhado de fé.

Acreditem se quiser, mas teve embasamento científico nesse artigo, sim! Isto é, se você der credibilidade a tudo que publicam na Superinteressante aqui.

Quando você gostar, você vai saber.

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“E aí, tá gostando?”

“De que?”

“Dele, ué. Você tá gostando dele?”

Essa pergunta me fez pensar um pouco mais do que devia, eu acho. O que, afinal, define quando se gosta de alguém? Honestamente, não tenho mais idade pra acreditar que irei ouvir sinos, minha perna vai involuntariamente levantar com nosso beijo e vou ficar entorpecida pensando nele. Se meu coração me representasse, eu provavelmente seria emo com grandes marcas pretas nos olhos, roupas rasgadas, cabelo colorido, um piercing no septo e uma tatuagem no peito dizendo “Fuck what people think”. Na verdade, diante da realidade que vivo – composta pela luta constante de ser alguém na vida, fazer o que me faz feliz (sem que eu morra de fome ou viva embaixo da ponte) e a preparação para o amor da minha vida (o que quer dizer: personal trainer + nutricionista) – fica bem difícil saber se o dito cujo já não passou por mim e eu sequer vi.

Cheguei à conclusão que me distanciei do meu ideal de estar apaixonada, entende? Hoje tenho que ser centrada, sensata, correta. E, ainda por cima, rica e magra. De certa forma, também bastante covarde, já que não me imagino fazendo um terço do que já vi acontecer na “luta por um amor” da adolescência. Me sinto cansada pra isso, sabe? Não dá tempo, sério. Quando eu penso em todo processo: conhece, se apega, se lasca e supera, já me sinto exausta pra viver o luto que ainda nem chegou.

Por que não pode ser mais fácil? Do tipo, um dia, lá estou eu pedalando na orla e ouvindo minha música folks-cult-bacaninha olhando completamente distraída pras pessoas ao meu redor e pensando em como eu gosto de comer churros. Tirando que eu nunca fiz esse tipo de passeio e, sinceramente, só sei andar de bicicleta em linha reta. No entanto, eu realmente gosto muito de churros.

Mas, vamos em frente: eu o vejo correndo, desequilibro (essa parte seria inteiramente verdade, diga-se de passagem) e ele viria me ajudar e assim, como duas pessoas normais e disponíveis que o destino resolveu juntar, nos conheceríamos. E, logo depois, namoraríamos, noivaríamos, casaríamos e contaríamos pros nossos filhos daquele dia em que eu quase caí. Tirando que pessoas normais não se conhecem desse jeito, 1) aparentemente não há flerte sem que haja um copo de bebida envolvido, 2) pessoas disponíveis não estão de bobeira por aí, as que ficam à toa são as dispostas, 3) destino é desculpa pra conformismo. Ou seja, uma história de amor como essa só aconteceria em uma realidade paralela.

Mas que seria bem mais fácil assim, seria.

Então, o que me resta? Conhecer alguém na balada, através de amigos em comum ou aplicativos de paquera. VOU MORRER SOZINHA, TENHO CERTEZA. Sério. Por quantas vezes mais tenho que passar por esse suplício?! Me sinto como o Coyote na sua eterna busca fracassada pelo Papa-léguas. Alguém manda ele parar, por favor? Sempre torci pra ele e senti uma dor no coração. Definitivamente, eu sou o Coyote do Amor (medo que essa expressão se torne uma música de forró. Desculpa, mundo).

Mas a questão é: como saber com toda essa expectativa se o papa-léguas que eu persigo é, de fato, o que eu preciso? Quer dizer, devem haver milhões de papa-léguas por aí, não é? E provavelmente nem todos vão tentar me matar em alguma explosão. E, talvez, nem todos fujam de mim desse jeito. Talvez, alguns me deem uma chance sem que eu precise armar uma emboscada.

Calma, ficou muito confuso. Vou parar com as metáforas.

Acontece que como eu posso saber se eu gosto mesmo de alguém, visto que eu estou muito preocupada que seja ele e eu seja a certa pra ele? O que eu quero dizer é que, às vezes, estamos tão submersos em nossas próprias angustias, receios e no nosso relógio interno altamente competitivo com os alertas de noivado no Facebook que superestimamos qualquer criatura que nos trate melhor do que político em época de campanha. Nós nos vendemos pela fantasia talhada a satisfazer nosso ego de que precisamos encontrar alguém, e tem que ser agora.

Sabe, nessas horas, eu indico parar e pensar, DE VERDADE. Se entender, enxergar o relacionamento como quem o visse de fora. O que tem valido a pena, o que não tem? O que você deixou passar por não achar significativo naquele momento, mas que poderia ter consequências futuras ainda piores? O que faz seu coração palpitar: estar com ele ou estar com alguém?

Bom, a questão é que eu não sei se eu gosto dele. Não sei se terei tempo de saber antes de perdê-lo, mas eu sei que se for pra se consolidar, eu não vou precisar perdê-lo pra isso, entende? A gente não dá valor só quando perde, a gente vê o valor e o ignora. A gente teme o valor que dá, quando perdemos é que nos sentimos corajosos o suficiente pra se arrepender e voltar atrás. A questão é que nem tudo precisa ser um arrependimento, nem todo relacionamento tem que começar da confusão, do transtorno, do medo. Eu acredito que as coisas podem surgir naturalmente, acredito que podem vir tranquilas com o único intuito de nos fazer bem. Acredito que, quando eu gostar dele, eu vou saber. É forte, e eu simplesmente sei. Vem de dentro. Assim como eu sei que gosto de churros.

Que nem todo gostar venha do choro, que nem todo começo venha das cinzas. Que nem todas as promessas nasçam de mentiras, que nem todos os carinhos tenham segundas intenções. Que nem todo amor cresça do conflito, que nem todo casal se perca na dúvida. Que nem todo relacionamento seja munido de inseguranças, que nem toda paz no coração venha da pressa. Mas que, sobretudo, seja natural, sentido. Que seja amor e, não, apego.

Essa não é mais uma carta de amor

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Andei pensando um pouco pra poder te escrever. Não foi fácil como devia.

Essa não é mais uma carta de amor, é o meu desespero latente de fugir da completa loucura.

A pior coisa que eu aprendi foi a desacreditar. Eu sei, dói menos não criar expectativas por alguém. Mas não é tão bom assim, lhe garanto.

Com o tempo a gente acaba ficando mais firme, mais confiante, mais sério.

Talvez porque não nós fomos fáceis como devíamos ser. Você foi meu desafio, a quebra do meu tabu. De tudo que eu havia aprendido, você me ensinou o outro lado. De todas as minhas certezas, você foi a dúvida. De todos os meus receios, você foi a coragem.

E então me vi assim: dentre tantos caminhos certos na escolha do que me fizesse simplesmente feliz por um momento ou por uma eternidade.

Nessas horas, eu fico pensando se podia ser diferente, e se eu faria algo pra que fosse. Mas quando é alguém que vale a pena, a gente só consegue pensar em saudade. Até porque é mesmo isso que dá tanto agora quando eu lembro de todo caminho, de tudo que senti. Mas pra deixar saudade, meu bem, se crava no peito muito mais do que carinho. Se nutre admiração, respeito, um pouquinho de implicância também, um cuidado quase infantil e um desejo pra que seja feliz que não cabe em palavras.

Sinto falta do coração palpitando, das mãos suando. Sinto falta dos pensamentos turvos, das histórias que nunca tiveram fim e se repetiram dia após dia dentro de mim.

Na vontade que esse sentimento se perpetue, desejaria a todos do mundo um pedacinho de ti. O teu lado que eu pude conhecer, que eu pude aprender e repreender também. O que os olhos não veem.

Já que a verdade é essa: não teria como depois de tudo não torcer dia após dia pra que sua felicidade seja essa busca. Seja mesmo essa confusão, essa descoberta, seja tentativa e seja erro também. Que você abandone a premissa que precisa de algo mais pra ser além da sua própria persistência, e isso sei que você tem de sobra.

Que mantenha cíclico esse orgulho do que é, e não do que demonstra ser – alheio até mesmo a mídia soberba que o envolve; e que essa seja sempre sua verdadeira essência.

Que com o passar dos anos desenvolva técnicas ainda melhores de manipulação modesta, mas que não se esqueça que sua maior conquista é a hora certa de parar. De deixar pra lá mesmo, sabe? Perder o controle, os caminhos premeditados, as falas ensaiadas. Se perder um pouco em outros passos, e não ligar pra isso.

Mas que, principalmente, continue sendo parte da minha história e eu parte da sua. Mesmo essa que não pode ser exposta, gritada aos quatro ventos, essa que nasceu pra ser engolida aos poucos, com direito a nós na garganta, apertos no coração.

Essa que parou o tempo e todos os limites na escala de dois dedos e inúmeras noites em claro. Essa que pode até não ser única, mas será nossa.

E que termine como o jogo que começou; da nossa maneira: mais dentro do que fora, mais tato do que pele. Mais eu, mais você, menos o mundo ao nosso redor.
Sempre que te bater o desespero, a saudade, a lembrança, resgata na memória essa história e confia que o jogo só acaba se você deixar de acreditar no que ainda há pra ser vivido.

Não há blefe nessa corrida pra ser feliz.
Tenha pressa.
Eu tenho fé.
Sempre fomos um bom time.

Vencemos o tempo pra não chegarmos ao fim de nós dois.

Menina de vinte.

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Eu disse a ele que não devíamos mais namorar porque claramente não estávamos na mesma página. Disse que havia muita coisa nele que eu gostava, mas não o suficiente para passar por cima de mim. E, inevitavelmente, conforme eu me envolvesse relevaria ainda mais as gotas d’água daquele momento. Disse que não era uma decisão precipitada, eu já havia passado noites em claro esculpindo nosso futuro como um castelo de areia – não durando mais que um segundo. E me sentia cansada de dormir à sombra das dúvidas que aquela relação me causava.

Para minha surpresa, ele concordou sem titubear. Não houve uma réplica, um pedido de desculpas e sequer uma reclamação. Confesso que fiquei um tanto quanto decepcionada. Eu queria mesmo aquela cena de filme completa: minhas frases sendo interrompidas com um beijo, meu braço estremecendo com seu toque, todas aquelas promessas impossíveis de que daríamos um jeito. Eu queria aquele tesão insano antecessor a todo arrependimento. Pra uma despedida, um arrependido me cairia bem. Mas não teve nada disso. Éramos dois adultos e como tal, racionalmente, concordamos que seria o fim.

Nunca me senti tão madura e ao mesmo tempo tão frustrada. Foi incontrolável a volta ao tempo dos meus primeiros namoradinhos. Todo aquele drama ensaiado, as juras feitas de amor proibido, a convicção do pra sempre que nunca existiu. Sabe, eu acho que gostava mais disso que gosto de admitir. Mas agora, como adulta, não vi tanta graça nisso. A maturidade que eu cobrei a punho firme de todos os meus antigos romances, exalava esmorecida pelos meus poros. É, eu cresci.

Passei dias me questionando sobre o que eu sentia, principalmente porque eu não sentia nada. Onde estava a carência, a dependência, a saudade? Essa era mais uma prova de que não daríamos certo, não era? Mas o que não saía da minha cabeça eram as palavras dele “eu sabia que nunca íamos dar certo”. Passados alguns dias resolvi cutucar. Não é que eu estivesse procurando sarna pra me coçar, mas eu queria um desfecho. Pelo menos, um desfecho eu merecia, certo?

Ele me disse éramos muito diferentes, que sentia que não duraríamos, mas que se deixou levar. Disse que nos dávamos tão bem, que a minha companhia lhe fazia tão bem, que mal podia entender como algo assim não fosse pra frente. Disse que não tinha como guardar mágoa ou arrependimento, pois só tinha coisas boas para falar a meu respeito.

E enquanto ele me dizia todas aquelas coisas e se prostrava na minha frente como um grande amigo, daquele que eu sabia poder contar, eu senti. Senti um desespero voraz de tê-lo ao meu lado, uma saudade irracional de suas piadas tolas. Me senti menina, e Deus sabe o quanto esperei por isso. As rugas não me escondiam mais o sentimento à flor da pele.

Pra onde a razão me levou, afinal? Como eu fui covarde! Aliás, como éramos covardes deixando que o medo de um futuro nada certo nos impedisse de ter nosso presente. Como éramos infantis em ditar que o tempo que tínhamos devia ter prazo e, não, prosa. Como fui imediatista em achar que eu precisava de alguém que fosse exatamente tudo que eu buscava, e não, quem estivesse disposto a se moldar a mim.

Eu o interrompi, estava eufórica. Tudo estava claro demais pra mim. Era culpa dos nossos vinte e poucos anos. Achávamos que só podíamos nos envolver com quem fosse a pessoa certa. Passávamos a maior parte do tempo nos preocupando em ser prestáveis, aceitáveis, menos errantes. Cada vez mais covardes. Abrimos mão do risco, dizíamos a torto e a direita quão importante era nossa estabilidade; emocional, financeira, profissional. Como éramos superficiais! Como éramos estúpidos! Deixávamos de lado a chance de viver qualquer aventura, desventura e, claro, ruptura que a vida nos desse por um punhado de certeza que não nos levariam a caminho algum. Vivíamos na contradição da perda de tempo por causa do tempo que não teríamos se não o perdêssemos tanto.

Olhei pra ele e disse, e dessa vez, cada célula do meu corpo pulsava, cada pelo se arrepiava “e se você não soubesse que teríamos um fim, ainda estaria comigo?”

“Claro.”, foi o que ele me respondeu.

Sorri de volta, um tanto receosa, um tanto aliviada. Sinceramente, eu não tinha como saber o que nos aconteceria. Nunca tive. A diferença é que com o passar dos anos, eu me achei mais esperta. Subestimei o tempo, tentei enganá-lo. Mas a verdade é que não podemos vencê-lo, tampouco prevê-lo.

Assumi o controle da minha própria vida naquele momento. Se não fôssemos dar certo que tivéssemos esgotado todas as nossas possibilidades. Que fôssemos ao chão, ao inferno. Se não fôssemos dar certo que fosse real, que me fizesse sentir dentre tanto sentimento algum que servisse.

É culpa dos meus vinte e poucos anos, confesso. Desenvolvi um medo de me perder em outros passos que me matava aos poucos. Errada demais pra ser madura, mas jovem demais pra ser covarde, escolhi pagar pra ver.

 

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